Instituto do Fígado alerta para diagnóstico precoce das hepatites virais no Julho Amarelo

Muitos pacientes chegam para assistência em fase avançada da doença, aumentando risco de cirrose, câncer de fígado e morte, especialmente em casos de hepatite C.
Muitos chegam em fase avançada. Por isso é fundamental fazer os testes.
Presidente do Instituto do Fígado alerta sobre importância do diagnóstico precoce durante Julho Amarelo.

Em silêncio, as hepatites virais avançam no corpo de milhões de brasileiros sem anunciar sua presença — e é justamente esse silêncio que as torna perigosas. Durante o Julho Amarelo, o Instituto do Fígado e Transplante de Pernambuco renova seu apelo para que a população compreenda que o diagnóstico precoce não é um luxo, mas uma necessidade urgente. Numa doença que frequentemente só se revela quando o dano já está feito, o teste gratuito oferecido na rede pública torna-se um dos gestos mais simples e mais poderosos que alguém pode fazer por si mesmo.

  • Hepatites virais avançam sem sintomas perceptíveis, e muitos pacientes só descobrem a doença quando o fígado já enfrenta cirrose ou risco de câncer.
  • O Instituto do Fígado e Transplante de Pernambuco atende mais de 1.500 pacientes por mês pelo SUS, e a chegada tardia de casos avançados é uma realidade cotidiana para sua equipe.
  • A hepatite C, sem vacina disponível, é considerada a maior epidemia silenciosa da atualidade — cinco vezes mais prevalente que o HIV — e lidera as causas de transplante de fígado no país.
  • Testes rápidos e gratuitos para hepatites B e C estão disponíveis no IFP e nos postos de saúde, com encaminhamento imediato para tratamento na rede pública em caso de resultado positivo.
  • A recomendação prioritária é que pessoas acima de 45 anos realizem o teste sem esperar sintomas, pois o tratamento oferecido pelo SUS é mais eficaz quanto mais cedo a doença for identificada.

A hepatite inflama o fígado em silêncio. Sem febre, sem cansaço evidente, sem nenhum sinal que force uma consulta médica, a doença pode habitar o corpo por anos sem ser percebida. Quando os sintomas finalmente surgem — pele amarelada, enjoo, dor abdominal — o dano muitas vezes já está avançado.

É diante dessa realidade que o Instituto do Fígado e Transplante de Pernambuco (IFP) intensifica sua atuação durante o Julho Amarelo, mês de conscientização instituído por lei federal. Com dois ambulatórios dedicados exclusivamente às hepatites virais e mais de 1.500 pacientes atendidos mensalmente pelo SUS, o instituto conhece de perto o custo humano do diagnóstico tardio. Leila Maria Moreira Beltrão, presidente do IFP, destaca que a testagem rápida e gratuita para hepatites B e C está disponível para qualquer pessoa, com encaminhamento imediato para tratamento na rede pública.

No Brasil, os vírus A, B e C são os mais comuns. A hepatite A, ligada ao saneamento precário, costuma se curar sozinha e tem vacina. A hepatite B, transmitida por via sexual e sanguínea, também conta com imunização. Já a hepatite C — transmitida principalmente pelo contato com sangue, sem vacina disponível — é considerada a maior epidemia silenciosa da humanidade, superando em cinco vezes a prevalência do HIV, e é a principal causa de transplantes de fígado.

A transmissão ocorre por diversas vias: contato fecal-oral em áreas sem saneamento, relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de objetos perfuro-cortantes e transmissão vertical da mãe para o filho. O SUS oferece tratamento para todos os tipos, independentemente do estágio da doença. Mas o maior obstáculo, segundo Beltrão, continua sendo o desconhecimento: pessoas não testam porque não sentem nada. A recomendação é direta — quem tem mais de 45 anos deve procurar um posto de saúde e fazer o teste. Antes que o silêncio se torne irreversível.

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode passar despercebida. Muitas pessoas carregam a doença sem saber, porque ela frequentemente não grita por atenção — não há febre, não há cansaço óbvio, nada que force alguém a procurar um médico. Quando os sintomas finalmente aparecem, eles vêm como um pacote: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, e aquele sinal que ninguém consegue ignorar, a pele e os olhos amarelados. Mas por então, muitas vezes, o dano já está feito.

É por isso que o Instituto do Fígado e Transplante de Pernambuco (IFP) está reforçando uma mensagem durante o Julho Amarelo, o mês de conscientização instituído pela Lei nº 13.802/2019. A instituição, que funciona como referência para diagnóstico e atendimento de doenças gastrohepáticas em crianças, adolescentes, adultos e idosos, vê diariamente o custo de descobrir a doença tarde demais. Leila Maria Moreira Beltrão, presidente do IFP, explica que o instituto mantém dois ambulatórios dedicados exclusivamente às hepatites virais e atende mais de mil e quinhentos pacientes por mês através do Sistema Único de Saúde. Muitos deles chegam já em estágios avançados da doença.

A recomendação é clara: qualquer pessoa com mais de quarenta e cinco anos deve fazer o teste gratuitamente em um posto de saúde. No IFP, a testagem rápida para hepatites B e C está disponível sem custo, e qualquer pessoa pode agendar. Se o resultado for positivo, o encaminhamento para tratamento acontece na mesma rede pública de saúde. Beltrão reforça que a testagem é fundamental justamente para evitar que os pacientes descubram a doença quando ela já avançou demais.

A hepatite pode ter várias origens. Vírus são a causa mais comum, mas medicamentos, álcool, drogas e até doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas também podem inflamar o fígado. No Brasil, os vírus A, B e C são os mais frequentes. Existem ainda o vírus D, mais comum na região Norte, e o vírus E, que é raro por aqui. Cada um tem sua própria história de transmissão e risco.

A hepatite A tem o maior número de casos e está diretamente ligada a condições de saneamento básico e higiene. É uma infecção leve que se cura sozinha, e existe vacina. A hepatite B é o segundo tipo mais incidente, transmitida principalmente por via sexual e contato sanguíneo; a vacina, associada ao uso de preservativo, é a melhor prevenção. A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue e é considerada a maior epidemia da humanidade hoje, cinco vezes superior à AIDS/HIV. Ela é a principal causa de transplantes de fígado e pode levar a cirrose, câncer de fígado e morte. Não tem vacina.

A transmissão das hepatites virais acontece de várias formas. O contágio fecal-oral é comum em lugares com saneamento precário. Relações sexuais desprotegidas transmitem a doença. O compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear e outros objetos perfuro-cortantes coloca pessoas em risco. Uma mãe infectada pode transmitir para o filho durante a gravidez. Transfusões de sangue também eram uma via comum no passado, mas hoje isso é raro graças a controles mais rigorosos e tecnologias de triagem melhores.

O Sistema Único de Saúde oferece tratamento para todos os tipos de hepatite, independentemente do grau de lesão do fígado. Mas o grande desafio, segundo Beltrão, é a falta de conhecimento sobre a existência da doença. Pessoas não sabem que têm hepatite porque não sentem nada. E quando finalmente descobrem, muitas vezes é porque chegaram ao consultório em fase avançada, quando as opções de tratamento são mais limitadas e os riscos são maiores. Por isso, o teste gratuito não é apenas uma oferta — é um chamado para que as pessoas entendam seu próprio estado de saúde antes que seja tarde.

Recomendamos que as pessoas façam o teste de hepatites gratuitamente em qualquer posto de saúde. No IFP, também oferecemos a testagem rápida para as hepatites B e C.
— Leila Maria Moreira Beltrão, presidente do Instituto do Fígado e Transplante de Pernambuco
Muitos infelizmente chegam para receber assistência em fase avançada. Por isso, é fundamental fazer os testes, mesmo sem apresentar sintomas.
— Leila Maria Moreira Beltrão
The Hearth Conversation Another angle on the story
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Por que tantos pacientes chegam ao instituto já em fase avançada?

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Porque a hepatite é silenciosa. A maioria das pessoas não sente nada. Elas vivem com a doença sem saber, e só descobrem quando o fígado já está muito danificado.

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E se a pessoa fizer o teste e descobrir que tem hepatite?

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O tratamento está disponível na rede pública. O SUS oferece para todos os tipos. A questão é que quanto mais cedo se descobre, melhor é o resultado do tratamento.

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Qual é a diferença entre as hepatites A, B e C?

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A hepatite A é leve e se cura sozinha, está ligada a saneamento. A B é transmitida por via sexual e sangue, tem vacina. A C é a mais grave, transmitida por sangue, é a principal causa de transplante de fígado e não tem vacina.

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Por que o instituto recomenda teste para maiores de 45 anos?

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Porque é uma faixa etária que pode ter sido exposta a riscos no passado, antes das medidas de controle serem tão rigorosas. Mas qualquer pessoa pode fazer o teste.

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Qual é o maior desafio para combater as hepatites virais?

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O desconhecimento. As pessoas não sabem que têm a doença porque não sentem sintomas. Por isso o teste gratuito é tão importante — é a forma de descobrir antes que seja tarde.

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