As pessoas são o verdadeiro motor, não o dinheiro
Em Almada, a Universidade NOVA de Lisboa e um consórcio de investidores públicos e privados anunciaram o 'Innovation District', um projeto de 800 milhões de euros que ambiciona criar 17 mil empregos até 2030. A iniciativa parte de uma crença antiga: que o talento humano floresce não em isolamento, mas em comunidades pensadas para viver, trabalhar e conviver em proximidade. É uma aposta na economia do conhecimento como força transformadora do território — mas o seu destino depende tanto da vontade privada quanto da capacidade do Estado em construir as pontes que ligarão esta visão ao mundo.
- Um investimento de 800 milhões de euros e a promessa de 17 mil empregos colocam Almada no centro de uma das apostas urbanas mais ambiciosas da região de Lisboa.
- O conceito 'live-work-play' desafia a lógica tradicional da cidade fragmentada, propondo que habitação, trabalho e lazer coexistam num raio de 15 minutos — com o Campus da NOVA como coração do ecossistema.
- Um consórcio diversificado de empresas nacionais e estrangeiras junta-se à Câmara de Almada numa aliança entre capital público e privado que reflete a escala internacional da ambição.
- Alguns projetos arrancam ainda em 2021, pressionados por prazos de financiamento comunitário que exigem execução até 2023 — a urgência é real e imediata.
- A extensão do Metro Sul do Tejo e a reabilitação do Porto Brandão são condições críticas para o sucesso do projeto, mas permanecem sem custos nem prazos definidos, deixando o futuro do distrito dependente de decisões ainda por tomar.
Almada prepara-se para uma transformação urbana de grande escala. O 'Innovation District', apresentado esta quarta-feira, é uma iniciativa conjunta da Universidade NOVA de Lisboa e de um consórcio de investidores privados, com um investimento anunciado de 800 milhões de euros e a meta de criar 17 mil postos de trabalho até 2030.
O projeto assenta no conceito 'live-work-play': uma cidade onde habitação, escritórios, comércio e lazer ficam a menos de 15 minutos uns dos outros. O Campus da NOVA School of Science & Technology será a âncora central deste ecossistema. Para o vice-reitor José Ferreira Machado, o talento humano só prospera quando tem espaço para viver e conviver — não apenas para trabalhar.
A Câmara de Almada, com Inês de Medeiros à frente, apresentou o projeto como fruto de uma estratégia partilhada com os privados. Entre os envolvidos contam-se empresas como Cordialequation, Rio Capital, Emerging Ocean e a Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz, num esforço que combina capital nacional e estrangeiro.
O arranque é imediato: ainda em 2021 começam obras no campus da Faculdade de Ciências e Tecnologia, incluindo infraestruturas desportivas e a primeira fase de um hub de inovação, financiadas por fundos comunitários com prazo de execução até 2023.
Todavia, o projeto carrega uma dependência crítica: a extensão do Metro Sul do Tejo até à Costa da Caparica e a reabilitação do Porto Brandão são infraestruturas essenciais que ainda não têm custos nem calendários definidos. Sem elas, o distrito inovador arrisca ficar isolado. O que se constrói em Almada é uma visão — mas a sua concretização exigirá tanto da iniciativa privada quanto da determinação do Estado português.
Almada está prestes a receber um projeto de transformação urbana que promete reescrever o mapa económico da região de Lisboa. O 'Innovation District', apresentado esta quarta-feira, é uma iniciativa conjunta da Universidade NOVA de Lisboa e de um consórcio de proprietários e investidores privados que se propõem construir uma cidade inteira em torno do conceito de inovação, conhecimento e sustentabilidade. O investimento anunciado é de 800 milhões de euros, com a promessa de criar 17 mil postos de trabalho até 2030.
O projeto nasce de uma convicção simples, segundo José Ferreira Machado, vice-reitor da Universidade NOVA: as pessoas são o verdadeiro motor da economia do conhecimento. Não basta talento isolado; é preciso criar espaços onde esse talento possa viver, trabalhar, conversar e desfrutar do tempo livre. É nesta lógica que surge a ideia de uma cidade pensada segundo o conceito 'live-work-play', onde todos os pontos de interesse — habitação, escritórios, comércio, lazer — ficam a uma distância máxima de 15 minutos uns dos outros. O Campus da NOVA School of Science & Technology funcionará como âncora central deste novo ecossistema.
A Câmara de Almada, representada pela presidente Inês de Medeiros, apresentou o projeto como resultado de uma estratégia comum entre a autarquia e os investidores privados. Entre os nomes envolvidos contam-se empresas como Cordialequation, Rustik Puzzle, SOSTATE, Maia e Pereira, a Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz, Emerging Ocean, Rio Capital, Orbisribalta e a Fundação Serra henriques. Trata-se de um esforço que junta capital público e privado, nacional e estrangeiro, numa aposta de internacionalização da Grande Lisboa.
O cronograma é ambicioso mas realista. A primeira fase do projeto deverá estar concluída em dez anos, até 2030. Alguns trabalhos começarão ainda este ano — nomeadamente no campus da Faculdade de Ciências e Tecnologia, com a construção de infraestruturas desportivas, uma superfície comercial e a primeira fase de um 'hub' de inovação. Estes projetos beneficiam de financiamentos comunitários que têm de ser executados até final de 2023, o que explica a urgência do arranque.
Mas o sucesso do 'Innovation District' não depende apenas dos investimentos privados anunciados. O projeto está condicionado a um conjunto de infraestruturas públicas que ainda não têm custos nem prazos definidos. A extensão do Metro Sul do Tejo até à Costa da Caparica e a reabilitação do Porto Brandão são peças fundamentais do puzzle, mas permanecem no terreno das intenções. Sem estas acessibilidades, a cidade inovadora corre o risco de ficar isolada, por muito ambiciosa que seja a sua visão interna.
O que se desenha em Almada é uma aposta clara na economia do conhecimento como motor de desenvolvimento urbano. A ideia de criar uma comunidade criativa, diversificada e sustentável, onde o talento e a inovação são os verdadeiros ativos, reflete uma mudança de paradigma no modo como se pensa o desenvolvimento regional. Mas a realidade será construída não apenas pelas promessas de investimento privado, mas pela capacidade de o Estado português concretizar as infraestruturas que tornarão este distrito verdadeiramente inovador.
Citações Notáveis
O principal ativo para triunfar na economia do conhecimento são as pessoas, o seu talento e as redes que estabelecem entre si— José Ferreira Machado, vice-reitor da Universidade NOVA de Lisboa
Uma cidade única e plural, desenhada para elevar a qualidade de vida de cada um dos seus habitantes— Descrição do projeto pelos promotores
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
O que torna este projeto diferente de outros planos de desenvolvimento urbano que já foram anunciados?
A diferença está na integração. Não é apenas um parque tecnológico ou um bairro residencial. É a tentativa de criar um ecossistema completo onde as pessoas vivem, trabalham e têm lazer no mesmo perímetro. O conceito 'live-work-play' não é novo, mas a escala e o envolvimento da Universidade NOVA como âncora institucional dão-lhe peso diferente.
Porquê Almada? Há algo de especial nesta localização?
Almada fica na margem sul do Tejo, numa zona que tem sido historicamente menos desenvolvida que Lisboa. Tem espaço, tem a proximidade de Lisboa, e agora tem a Universidade NOVA como catalisador. É uma oportunidade de criar uma nova centralidade na região metropolitana, não uma extensão de Lisboa.
Os 800 milhões de euros são suficientes para construir uma cidade inteira?
Depende do que se entende por 'cidade inteira'. Estes 800 milhões cobrem a primeira fase até 2030. É um investimento significativo, mas a verdade é que o projeto está dependente de infraestruturas públicas — Metro, porto — cujos custos ainda não foram quantificados. Sem essas peças, o distrito fica incompleto.
Quem ganha com isto? As pessoas que vivem em Almada agora?
Teoricamente, sim. Mais emprego, mais infraestruturas, mais qualidade de vida. Mas há sempre o risco de gentrificação — os preços das habitações podem subir tanto que os residentes atuais não conseguem ficar. O projeto promete qualidade de vida, mas para quem?
E se as infraestruturas públicas não forem construídas?
Então o 'Innovation District' fica um projeto bonito no papel, isolado. Sem Metro, sem porto reabilitado, sem acessibilidades, é apenas um bairro caro e inovador, mas desconectado. É por isso que o maior risco não está nos investidores privados — está nas decisões do Estado.