Uma cidade onde se vive, trabalha e desfruta do lazer, tudo a 15 minutos
Em março de 2021, Almada tornou-se palco de uma promessa civilizacional: construir, do nada, uma cidade inteira dedicada ao conhecimento e à inovação. A Universidade NOVA de Lisboa e um consórcio de investidores públicos e privados apresentaram o Innovation District — um projeto de 800 milhões de euros que aspira a criar 17 mil empregos até 2030, tecendo em torno do Campus da NOVA School of Science & Technology um ecossistema onde se vive, trabalha e descansa a menos de quinze minutos a pé. A grandeza da visão, porém, repousa sobre fundações ainda por assentar: as infraestruturas públicas que darão vida ao projeto permanecem sem custos nem prazos definidos.
- Uma cidade inteira concebida do zero em Almada concentra 800 milhões de euros e a ambição de rivalizar com os grandes polos globais de inovação.
- O consórcio reúne investidores nacionais e estrangeiros, públicos e privados, criando uma pressão coletiva para que as primeiras obras arranquem ainda em 2021, forçadas pelo prazo do financiamento comunitário.
- O conceito live-work-play promete romper com o modelo do parque tecnológico isolado, integrando habitação, trabalho e lazer num raio de quinze minutos a pé em torno do campus universitário.
- O maior ponto de tensão é invisível nos renders: a extensão do Metro Sul do Tejo e a reabilitação do Porto Brandão são descritas como essenciais, mas nenhum custo nem prazo foi apresentado publicamente.
- Sem transporte público eficiente, a cidade inovadora arrisca ficar suspensa entre a promessa e a dependência de decisões políticas que os promotores privados não controlam.
Almada está prestes a receber uma cidade construída do zero. É o que promete o Innovation District, apresentado em março de 2021, com um investimento de 800 milhões de euros na zona de Monte da Caparica e Porto Brandão e a criação de 17 mil postos de trabalho num horizonte de dez anos. O projeto nasce de uma parceria entre a Universidade NOVA de Lisboa e um consórcio de proprietários e investidores privados, unidos pela vontade de transformar a região numa centralidade global competitiva.
A premissa é ambiciosa mas coerente. Para José Ferreira Machado, vice-reitor da NOVA, o que alimenta a economia do conhecimento são as pessoas e as redes que constroem entre si. Por isso, o Innovation District não será um parque tecnológico isolado: será uma cidade completa, desenhada segundo o conceito live-work-play, onde tudo fica a menos de quinze minutos a pé. O Campus da NOVA School of Science & Technology funcionará como coração do projeto, irradiando inovação para a zona envolvente. Entre os investidores figuram nomes como Cordialequation, Rio Capital, Emerging Ocean e a Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz, num consórcio que a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, descreveu como mais ambicioso do que qualquer iniciativa isolada.
O cronograma é exigente. Machado acredita que a primeira fase estará concluída até 2030, mas algumas obras — infraestruturas desportivas, uma superfície comercial e a primeira fase de um hub de inovação no campus — deveriam começar ainda em 2021, pressionadas por financiamento comunitário com prazo até final de 2023.
O calcanhar de Aquiles do projeto são as infraestruturas públicas. A extensão do Metro Sul do Tejo até à Costa da Caparica e a reabilitação do Porto Brandão são descritas como fundamentais — mas na apresentação oficial não foram divulgados custos nem prazos para estas obras. Sem transporte público eficiente e sem um porto revitalizado, a cidade inovadora fica incompleta, dependente de decisões que escapam ao controlo dos seus promotores.
Almada está prestes a receber uma cidade inteira construída do zero. Pelo menos é o que promete o Innovation District, um projeto apresentado em março de 2021 que prevê investir 800 milhões de euros numa zona que abrange Monte da Caparica e Porto Brandão, criando 17 mil postos de trabalho num horizonte de dez anos. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Universidade NOVA de Lisboa e um consórcio de proprietários e investidores privados que decidiram unir forças em torno de uma visão comum: transformar a região numa centralidade global capaz de competir internacionalmente.
O projeto nasce de uma premissa simples mas ambiciosa. Segundo José Ferreira Machado, vice-reitor da NOVA, o que faz prosperar a economia do conhecimento são as pessoas, o seu talento e as redes que criam entre si. Por isso, o Innovation District não será apenas um parque tecnológico ou um campus universitário isolado. Será uma cidade completa, desenhada segundo o conceito live-work-play — um espaço onde se vive, trabalha e desfruta do lazer, tudo a uma distância máxima de 15 minutos a pé. O Campus da NOVA School of Science & Technology funcionará como o coração do projeto, irradiando inovação e conhecimento para toda a zona envolvente.
A ambição é clara: criar uma comunidade criativa, diversificada e sustentável que atraia tanto empresas como talentos de todo o mundo. Entre os investidores envolvidos estão nomes como Cordialequation, Rustik Puzzle, SOSTATE, Maia e Pereira, a Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz, Emerging Ocean, Rio Capital, Orbisribalta e a Fundação Serra Henriques. A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, sublinhou o envolvimento de investidores públicos e privados, nacionais e estrangeiros, na construção de um projeto comum mais ambicioso do que qualquer iniciativa isolada.
O cronograma é agressivo mas realista em partes. Machado afirmou acreditar que a primeira fase do projeto poderá estar concluída até 2030. Algumas obras já deveriam começar em 2021, nomeadamente no campus da Faculdade de Ciências e Tecnologia — construção de infraestruturas desportivas, uma superfície comercial e a primeira fase de um hub de inovação. Estes trabalhos têm financiamento comunitário que precisa ser executado até final de 2023, o que cria uma pressão real para o arranque.
Mas o projeto depende de algo que ainda não está completamente definido: as infraestruturas públicas. O Innovation District só funcionará plenamente se a região tiver acessibilidades adequadas. Por isso, o plano inclui a reabilitação do Porto Brandão e a extensão do Metro Sul do Tejo até à Costa da Caparica. Estes investimentos são descritos como fundamentais para a concretização do projeto. No entanto, na apresentação oficial, não foi divulgada nenhuma estimativa de custos nem qualquer prazo de execução para estas obras públicas essenciais. É um vazio significativo: sem transporte público eficiente e sem um porto revitalizado, a cidade inovadora fica incompleta, dependente de decisões que escapam ao controlo dos promotores privados.
Citas Notables
O principal ativo para triunfar na economia do conhecimento são as pessoas, o seu talento e as redes que estabelecem entre si— José Ferreira Machado, vice-reitor da Universidade NOVA de Lisboa
Uma cidade única e plural, desenhada para elevar a qualidade de vida de cada um dos seus habitantes— Promotores do Innovation District
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
O que torna este projeto diferente de outros que prometem transformar cidades?
A diferença está na escala e na integração. Não é apenas um campus ou um parque de negócios isolado. É uma cidade completa, com habitação, trabalho e lazer, tudo pensado para funcionar junto. E tem um âncora forte — a universidade — que garante fluxo contínuo de conhecimento e pessoas.
Mas 800 milhões de euros é muito dinheiro. Onde vem?
Vem de um consórcio de investidores privados. Mas o projeto também depende de financiamento comunitário europeu, especialmente para as obras no campus que precisam estar prontas até 2023. É uma mistura de privado e público.
E se as infraestruturas públicas — o metro, o porto — não saírem do papel?
Aí o projeto fica manco. Sem transporte público decente, ninguém se muda para lá. Sem o porto revitalizado, perde-se uma oportunidade de conectar a cidade ao rio e ao mundo. É o grande risco que ninguém está a quantificar.
Quem ganha com isto?
A região ganha 17 mil empregos e uma nova centralidade. As universidades ganham relevância. Os investidores ganham retorno. Mas tudo depende de as pessoas realmente quererem viver e trabalhar ali — e isso não é garantido só com um bom plano.
Dez anos é muito tempo. Acredita que isto vai acontecer?
Acredito que a primeira fase vai acontecer. Há dinheiro, há vontade política, há âncoras institucionais. Mas uma cidade completa? Isso é mais incerto. Cidades crescem de forma orgânica, nem sempre como planeado.