Influenza impulsiona alta de SRAG entre jovens, adultos e idosos, aponta Fiocruz

Aumento significativo de internações por doenças respiratórias graves em múltiplas faixas etárias, com óbitos associados principalmente a influenza A (43,7% dos casos fatais).
Influenza A mata proporcionalmente muito mais que VSR
Enquanto VSR lidera em número de casos, influenza A é responsável por 43,7% das mortes por SRAG.

A cada inverno, o Brasil reencontra uma verdade antiga: os vírus respiratórios não escolhem fronteiras, mas escolhem vulnerabilidades. O boletim InfoGripe da Fiocruz, referente à Semana Epidemiológica 23, revela que a influenza A e B avançam com força sobre adultos e idosos, enquanto 14 estados e 11 capitais enfrentam níveis de alerta ou risco elevado de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Diante desse cenário, a ciência reitera o que já sabe: a vacinação continua sendo o gesto coletivo mais eficaz contra o sofrimento evitável.

  • A influenza A e B assumiram o papel de principais vilãs das internações graves entre adultos e idosos, enquanto o vírus sincicial respiratório segue pressionando as enfermarias pediátricas.
  • Quatorze estados brasileiros e onze capitais estão em situação de alerta, risco ou alto risco, sinalizando que a onda respiratória ainda não atingiu seu pico em grande parte do país.
  • A influenza A, responsável por apenas 19,1% dos casos positivos, concentra 43,7% dos óbitos — uma desproporção que expõe a letalidade silenciosa do vírus em grupos vulneráveis.
  • Especialistas pedem vacinação imediata contra influenza para grupos de risco, imunização contra VSR para gestantes a partir da 28ª semana e reforços de Covid-19 para idosos e imunocomprometidos.
  • O uso de máscaras em ambientes fechados e o isolamento de sintomáticos são recomendados como barreiras práticas enquanto a vigilância epidemiológica monitora as próximas semanas.

A Fiocruz divulgou esta semana um alerta sobre a circulação de doenças respiratórias graves no Brasil. O boletim InfoGripe aponta que a Síndrome Respiratória Aguda Grave voltou a crescer entre jovens, adultos e idosos, puxada pelos vírus influenza A e B. Entre crianças menores de quatro anos, houve desaceleração dos casos graves, e na faixa de 5 a 14 anos os números caíram — um alívio parcial em meio a um quadro ainda preocupante.

O vírus sincicial respiratório segue circulando intensamente entre os pequenos, especialmente nas regiões Nordeste e Sul, onde a maioria dos estados ainda registra crescimento. A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, reforça que a vacinação contra influenza é essencial para crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Ela também destaca que gestantes a partir da 28ª semana devem se imunizar contra o VSR para proteger seus bebês da bronquiolite.

O mapa epidemiológico revela 14 estados em situação crítica — entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul — e 11 capitais em alerta, como Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Belém. Nas últimas quatro semanas, o VSR liderou os casos positivos com 51,4%, seguido pelo rinovírus (23,9%), influenza A (19,1%) e influenza B (7,1%). Mas nos óbitos, a influenza A domina com 43,7% das mortes, revelando uma letalidade desproporcional à sua prevalência.

Diante desse cenário, Portella recomenda o uso de máscaras em ambientes fechados e aglomerados, isolamento de quem apresenta sintomas e manutenção das doses de reforço da Covid-19 para idosos e imunocomprometidos. O boletim, baseado em dados até 13 de junho, aponta para a necessidade de vigilância contínua nas próximas semanas.

A Fundação Oswaldo Cruz divulgou nesta semana um retrato preocupante da circulação de doenças respiratórias graves no Brasil. Segundo o boletim InfoGripe, a Síndrome Respiratória Aguda Grave voltou a avançar entre jovens, adultos e idosos — um movimento impulsionado principalmente pelos vírus influenza A e B, que estão enchendo leitos hospitalares nessas faixas etárias. Ao mesmo tempo, há um alívio parcial entre as crianças: os casos graves desaceleraram em menores de quatro anos e caíram entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos.

O quadro, porém, permanece complexo. O vírus sincicial respiratório continua circulando intensamente entre os pequenos, mesmo que o ritmo de crescimento tenha diminuído. A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, enfatiza que a vacinação contra influenza é essencial para os grupos mais vulneráveis — crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Ela também destaca uma recomendação específica: gestantes a partir da 28ª semana de gravidez devem se vacinar contra o VSR, protegendo assim seus bebês contra a bronquiolite.

O mapa da doença no país mostra 14 estados em situação de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento mantido. Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo integram essa lista. Entre as capitais, 11 cidades enfrentam o mesmo cenário crítico: Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Macapá, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória.

Nas regiões Nordeste e Sul, os casos ligados ao VSR continuam subindo na maioria dos estados. O Nordeste registra aumento em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte. O Sul vê o mesmo padrão em Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No Norte, Amapá e Roraima também mostram crescimento. Já na Região Centro-Oeste e em estados como Acre, Pará, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo e Minas Gerais, os números do VSR permanecem altos, mas começam a dar sinais de estabilização ou queda.

Os números revelam a distribuição dos vírus entre os casos positivos nas últimas quatro semanas. O VSR lidera com 51,4% dos casos, seguido pelo rinovírus com 23,9%. A influenza A responde por 19,1% e a influenza B por 7,1%. A Covid-19 representa 2,2%. Mas quando se olha para os óbitos, o padrão muda drasticamente. A influenza A é responsável por 43,7% das mortes, o rinovírus por 20,4%, o VSR por 16,9%, a influenza B por 10,5% e a Covid-19 por 7,2%.

Portella recomenda cuidados adicionais diante desse cenário. Usar máscaras em ambientes fechados e aglomerados, especialmente em unidades de saúde, é importante. Quem apresenta sintomas de gripe ou resfriado deve se isolar; quando isso não for possível, sair de casa com máscara reduz o risco de transmissão. Para idosos e pessoas imunocomprometidas, manter as doses de reforço da Covid-19 em dia é fundamental, especialmente com o leve aumento de casos em alguns estados. O boletim, baseado em dados até 13 de junho, reflete a situação da Semana Epidemiológica 23 e aponta para a necessidade de vigilância contínua nas próximas semanas.

É fundamental que os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades, mantenham a imunização em dia
— Tatiana Portella, pesquisadora do InfoGripe
Recomenda-se usar máscaras em locais fechados com aglomeração, fazer isolamento em caso de sintomas, e manter doses de reforço de Covid-19 atualizadas para idosos e imunocomprometidos
— Tatiana Portella, pesquisadora do InfoGripe
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a influenza está crescendo justamente agora, em junho, quando normalmente associamos gripe ao inverno?

Model

A circulação de vírus respiratórios não segue mais um padrão tão rígido. Temos visto influenza em períodos que antes eram considerados fora de estação. Além disso, a população pode estar com imunidade reduzida se não se vacinou nos últimos anos.

Inventor

E por que as crianças pequenas estão melhorando enquanto os idosos pioram?

Model

O VSR, que afeta principalmente crianças, pode estar chegando ao pico natural do seu ciclo. Já a influenza A e B encontram nos idosos um terreno mais fértil — sistemas imunológicos mais frágeis, mais comorbidades. É uma mudança de padrão dentro da mesma onda de doença respiratória.

Inventor

Esses 14 estados em alerta — eles têm algo em comum?

Model

Estão espalhados por todas as regiões do país. Não é um problema localizado. Mas há concentração maior no Sul e Sudeste, que têm maior densidade populacional e mais movimento de pessoas.

Inventor

A recomendação de vacina para gestantes contra VSR é nova?

Model

É relativamente recente como recomendação de rotina. Protege o bebê nos primeiros meses de vida, quando ainda não pode ser vacinado e está mais vulnerável à bronquiolite grave.

Inventor

Se 51% dos casos são VSR mas apenas 17% das mortes, isso significa que VSR é menos letal?

Model

Exatamente. VSR causa muitos casos, mas a influenza A, apesar de representar menos casos, mata proporcionalmente muito mais. É por isso que a vacinação contra influenza é tão crítica para idosos.

Inventor

O que muda se esses 14 estados não conseguirem controlar a situação?

Model

Hospitais podem ficar sobrecarregados, especialmente em UTIs. E há risco de que outras doenças deixem de ser atendidas adequadamente. Por isso o alerta agora, enquanto ainda há tempo de agir.

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