Influenciadora relata violência sexual em rodeio de SP e denuncia droga 'Boa Noite, Cinderela'

Jovem mulher vítima de violência sexual com incapacidade temporária, trauma psicológico e revitimização durante processo de denúncia policial.
Eu estou em pedaços. É como se tirassem toda a minha alegria
Franciane Andrade descreveu seu estado após sofrer violência sexual durante o rodeio.

Em novembro de 2021, durante o Jaguariúna Rodeo Festival, no interior de São Paulo, uma jovem influenciadora de 23 anos acordou desorientada em uma rotatória próxima ao evento, sem memória do que havia acontecido. Exames toxicológicos confirmaram a presença do chamado 'boa noite, Cinderela' em seu organismo, e as dores físicas que se seguiram apontaram para uma violência sexual. O caso ilumina uma ferida antiga e persistente: a vulnerabilidade das mulheres em espaços públicos e a descrença institucional que frequentemente silencia quem ousa denunciar.

  • Uma jovem que gravava stories feliz em um camarote acordou horas depois em uma rotatória, sem memória, com sinais físicos de abuso sexual.
  • O exame toxicológico confirmou a droga no organismo, mas a delegacia recebeu a denúncia com ceticismo — a escrivã registrou o boletim como quis, sem oferecer qualquer apoio à vítima.
  • A família não recebeu nenhum contato real dos organizadores do festival, apesar de uma nota pública prometendo assistência.
  • Outras possíveis vítimas surgiram após o relato público de Franciane, mas muitas recusaram formalizar denúncias por medo de passar pela mesma revitimização.
  • A polícia analisa imagens de 53 câmeras de segurança do evento enquanto o Projeto Justiceiras oferece o único suporte concreto que a jovem e sua família receberam.

Franciane Andrade tinha 23 anos quando foi ao Jaguariúna Rodeo Festival, em novembro de 2021. Estava animada, gravando stories no camarote, pulseinha no pulso. Desceu para a pista premium para capturar melhores imagens do show. Depois disso, não lembra de mais nada.

Acordou em uma rotatória próxima ao evento. No dia seguinte, foi a uma UPA com vômitos e mal-estar. As dores vieram depois — abdominais, musculares, íntimas. Sua mãe a orientou a buscar um hospital e registrar boletim de ocorrência. Um exame toxicológico, realizado em rede privada para preservar a integridade dos resultados, confirmou a presença do 'boa noite, Cinderela' em seu organismo.

Em dezembro de 2021, Franciane contou sua história no programa Encontro com Fátima, na TV Globo. "Eu estou em pedaços. É como se tirassem toda a minha alegria", disse. Ao seu lado estava Gabriela Manssur, promotora e idealizadora do Projeto Justiceiras, iniciativa de apoio a mulheres vítimas de violência sexual.

O caminho até aquele depoimento foi marcado por abandono. Na delegacia, a escrivã registrou o boletim sem oferecer suporte. Só após o laudo do IML é que a delegada responsável passou a ajudá-la de verdade. Os organizadores do festival divulgaram uma nota prometendo contato — mas a família nunca recebeu nenhum respaldo real. "A gente quer justiça. Até agora a gente não recebeu apoio de ninguém, só das justiceiras", disse o pai de Franciane.

O caso não era isolado. Após o relato público, outras possíveis vítimas procuraram Franciane e a promotoria. Muitas, porém, não denunciaram formalmente — o medo de não serem acreditadas, de enfrentar a mesma revitimização, as manteve em silêncio. A polícia segue investigando com imagens de 53 câmeras de segurança do evento. O caso corre em sigilo. E Franciane segue, como disse, em pedaços.

Franciane Andrade tinha 23 anos e estava animada. Era novembro, e ela havia subido ao camarote do Jaguariúna Rodeo Festival, um dos maiores rodeios tradicionais do Brasil, localizado no interior de São Paulo. Ela gravava stories para suas redes sociais, pulseinha no pulso, máscara fornecida pelo evento, curtindo o show. Depois desceu para a pista premium, mais perto do palco, para capturar melhor as imagens. Estava feliz. Depois disso, não lembra de mais nada.

Quando acordou, estava em uma rotatória próxima ao local da festa. No dia seguinte, procurou uma UPA com vômitos constantes e mal-estar geral. Depois vieram as dores — na região abdominal, na musculatura da vagina. Sua mãe a orientou a procurar um hospital e fazer um boletim de ocorrência. O que Franciane não sabia ainda era que um exame toxicológico confirmaria a presença de uma droga conhecida como "boa noite, Cinderela" em seu corpo — a mesma substância que a havia deixado inconsciente durante o evento.

Ela contou sua história ao programa Encontro com Fátima, na TV Globo, em dezembro de 2021. "Eu estou em pedaços. É como se tirassem toda a minha alegria", disse. Ao seu lado estava Gabriela Manssur, promotora e idealizadora do Projeto Justiceiras, uma iniciativa que apoia mulheres vítimas de violência sexual. O que Franciane revelou naquele depoimento não era apenas seu trauma pessoal — era um alerta sobre a vulnerabilidade das mulheres em espaços públicos de grande circulação, mesmo em eventos tradicionais e supostamente seguros.

O caminho até aquele depoimento, porém, foi marcado por descrença e abandono. Quando Franciane procurou a delegacia para fazer a denúncia, foi recebida com ceticismo. A escrivã registrou o boletim de ocorrência conforme quis, sem oferecer apoio. Só depois que o laudo do Instituto Médico Legal confirmou os achados é que a delegada Gisele, de Mogi Guaçu, começou a ajudá-la de verdade. Seu pai, presente na entrevista, expressou a frustração da família: nenhum respaldo dos organizadores do evento, apesar de a organização ter divulgado uma nota afirmando que entraria em contato e ofereceria ajuda. "A gente quer justiça. A gente quer esclarecer isso aí. Até agora a gente não recebeu respaldo de ninguém, só das justiceiras", disse ele.

O exame toxicológico foi realizado em rede privada — uma decisão estratégica para preservar a integridade dos resultados, já que o agendamento na delegacia estava marcado para a semana seguinte. A advogada do caso, Izabella Borges, e Gabriela Manssur ressaltaram a importância dessa comprovação. Um médico psiquiatra especialista em álcool e drogas, Artur Guerra, confirmou que até o sexto dia após a ingestão seria possível detectar qualquer tipo de substância no organismo. Franciane havia realizado os exames dentro desse prazo.

O que torna esse caso ainda mais preocupante é que não estava sozinha. Segundo Gabriela Manssur, outras possíveis vítimas procuraram a influenciadora e a promotoria após seu relato público. Algumas delas, porém, não denunciaram formalmente — o medo de não serem acreditadas, de passar pela mesma revitimização que Franciane enfrentou na delegacia, as silenciou. A polícia abriu investigação e está analisando as imagens de 53 câmeras de segurança instaladas nas áreas do rodeio. O caso segue em sigilo. Enquanto isso, Franciane segue em pedaços, como disse, e outras mulheres que sofreram algo semelhante permanecem na sombra, esperando por justiça que talvez nunca chegue.

A gente quer justiça. A gente quer esclarecer isso aí. Até agora a gente não recebeu respaldo de ninguém, só das justiceiras
— Pai de Franciane Andrade
Fui muito mal recebida na delegacia. Desacreditaram da minha palavra
— Franciane Andrade
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que você acha que ela decidiu falar publicamente, em um programa de televisão, em vez de apenas processar em silêncio?

Model

Porque o silêncio protege quem fez isso. Franciane viu que havia outras mulheres com medo de denunciar, e ela quebrou esse ciclo. Quando você fala, você dá permissão para outras falarem também.

Inventor

A droga "boa noite, Cinderela" — isso é algo novo, ou é um problema antigo que está ganhando visibilidade agora?

Model

É antigo, mas invisível. Mulheres sabem disso há anos. O que é novo é uma mulher com plataforma falando sobre isso em rede nacional, forçando a polícia e os organizadores a responderem.

Inventor

O pai dela pediu por "respaldo" dos organizadores. O que ele esperava que eles fizessem?

Model

Reconhecimento, talvez. Responsabilidade. Uma nota de imprensa não é respaldo — é relações públicas. Respaldo seria investigação interna, segurança reforçada, compensação, apoio psicológico. Nada disso aconteceu.

Inventor

Por que o exame toxicológico em clínica privada foi tão importante?

Model

Porque a delegacia não tinha pressa. Se ela esperasse o agendamento público, a droga poderia ter saído do corpo dela. A rede privada garantiu que houvesse prova antes que desaparecesse. É um detalhe que mostra como o sistema falha as vítimas desde o início.

Inventor

Você acha que isso vai mudar algo no próximo rodeio?

Model

Talvez. Mas o verdadeiro teste é se outras mulheres vão se sentir seguras denunciando, se a polícia vai acreditar nelas, se os organizadores vão investir em segurança de verdade. Uma câmera de segurança não impede nada — só registra o crime depois que acontece.

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