Influenciador venezuelano criticado por explorar tragédia de terremoto em vídeo

O terremoto que atingiu a Venezuela deixou 1.450 mortos, 3 mil feridos, 3.100 desabrigados e mais de 50 mil desaparecidos, com destruição em Caracas e outras cidades.
Seu conteúdo morreu hoje
Seguidora que havia apoiado Fusco publicamente reage ao vídeo nos escombros.

Fusco gravou conteúdo mostrando destruição enquanto aparecia sem camisa e descalço, levando internautas a classificarem a atitude como desrespeitosa e patética. O influenciador já havia gerado polêmica dias antes com vídeo ofensivo sobre pessoas obesas e magras durante o terremoto, que depois deletou e pediu desculpas.

  • Gianpero Fusco gravou vídeo sem camisa entre escombros em La Guaira
  • Terremoto na Venezuela deixou 1.450 mortos, 3 mil feridos, 50+ mil desaparecidos
  • Fusco havia publicado vídeo anterior ofensivo sobre pessoas obesas e magras, que deletou após críticas
  • Novo tremor de magnitude 4,6 atingiu o país na segunda-feira (29)

Influenciador venezuelano Gianpero Fusco foi criticado por gravar vídeo sem camisa entre escombros do terremoto em La Guaira, sendo acusado de explorar a tragédia para gerar engajamento nas redes sociais.

Gianpero Fusco, influenciador venezuelano com presença significativa nas redes sociais, publicou um vídeo neste fim de semana que o colocou no centro de uma tempestade de críticas. Nas imagens, ele caminha descalço e sem camisa pelos escombros de La Guaira, a cidade costeira devastada pelo terremoto que sacudiu a Venezuela na semana anterior. O conteúdo se propunha a documentar a destruição, mas rapidamente transformou-se em algo que muitos usuários interpretaram como oportunismo — uma tentativa de extrair engajamento de uma catástrofe que matou milhares de pessoas.

Os comentários não demoraram a chegar. Alguns chamaram sua atitude de "patética" e "lamentável". Uma seguidora que disse tê-lo apoiado publicamente no passado escreveu: seu conteúdo morreu hoje. A acusação subjacente era clara: Fusco estava se aproveitando da tragédia, transformando corpos sob os escombros em material para viralizar.

Mas este não era seu primeiro deslize. Dias antes, Fusco havia gravado um vídeo ainda mais perturbador, no qual especulava sobre quem havia morrido no terremoto com base na forma física das pessoas. Ele descreveu cenários grotescos: o obeso preso no 14º andar, incapaz de se salvar; o magricela fraco demais para ajudar um familiar doente. Estendeu a lógica para pessoas com dependências químicas, sugerindo que sua fraqueza moral as impediu de agir durante a crise. O vídeo foi deletado após a reação negativa, e Fusco publicou um pedido de desculpas, alegando que o conteúdo havia saído de contexto e que ele não havia compreendido a dimensão real da tragédia.

Sua explicação revelava uma desconexão notável com a realidade ao seu redor. Ele estava em Caracas quando os tremores ocorreram, em um apartamento em andar elevado. Sentiu o prédio balançar, mas em seu próprio espaço nada havia desabado. Não acompanhava notícias. Pensou que fosse apenas mais um terremoto — um entre muitos que havia vivenciado. Não percebeu a gravidade.

A realidade, porém, era incomparavelmente mais grave. Dois fortes terremotos atingiram a Venezuela na quarta-feira, deixando um rastro de destruição que as autoridades ainda estão contabilizando. Mil quatrocentos e cinquenta mortos confirmados. Três mil feridos. Três mil e cem desabrigados. Mais de cinquenta mil desaparecidos, segundo a Organização das Nações Unidas. Prédios inteiros desabaram em Caracas e em outras cidades. Na sexta-feira, equipes de resgate internacionais começaram a chegar, incluindo reforços do Brasil. No sábado, o país recebeu vinte e duas máquinas adicionais para auxiliar nas operações de busca. Dois brasileiros estavam entre os mortos.

Os moradores, diante da precariedade dos serviços de emergência — reflexo de um Estado que há anos funciona de forma deficiente — realizavam seus próprios resgates com as mãos nuas. Na segunda-feira, quando Fusco já havia publicado seu vídeo nos escombros, um novo tremor de magnitude 4,6 sacudiu o país, com epicentro em Caraballeda, a cerca de trinta quilômetros de Caracas. Um morador local descreveu: foi muito forte.

O vídeo de Fusco, portanto, não era apenas uma documentação insensível. Era um ato de indiferença capturado e amplificado, um homem sem camisa posando entre os restos de vidas enquanto dezenas de milhares ainda estavam desaparecidas, enquanto as máquinas de resgate ainda procuravam por sobreviventes, enquanto o país inteiro tentava contar seus mortos.

Meu vídeo ficou fora de contexto. Eu não imaginei a dimensão da tragédia que aconteceu na Venezuela
— Gianpero Fusco, em vídeo de retratação
Eu não acompanho as notícias e não percebi a gravidade da situação
— Gianpero Fusco, explicando sua desconexão com a crise
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que você acha que ele gravou esse vídeo? Ele realmente não percebia o que estava acontecendo?

Model

Pela sua própria explicação, não. Ele estava em um apartamento seguro, longe dos piores danos. Não acompanhava notícias. Para ele, era apenas mais um tremor em uma vida de terremotos. Mas isso é exatamente o problema — a desconexão entre sua bolha e a realidade ao seu redor.

Inventor

E o vídeo anterior, sobre pessoas obesas e magras? Isso parecia deliberadamente cruel.

Model

Sim, mas ele o deletou e pediu desculpas. Disse que ficou fora de contexto. O padrão aqui é alguém que fala sem pensar, que não mede as consequências, e depois recua quando a reação é forte demais.

Inventor

Qual é a diferença entre documentar uma tragédia e explorá-la?

Model

A intenção importa, mas também a forma. Documentar significa servir à verdade, dar voz aos afetados. Explorar significa colocar a si mesmo no centro — sem camisa, em pose — enquanto as pessoas estão morrendo. É a diferença entre testemunha e ator.

Inventor

Você acha que ele entendeu a crítica?

Model

Talvez agora. Mas quando publicou o vídeo, claramente não. E isso é o mais perturbador — não a maldade, mas a indiferença tão profunda que ele não conseguia ver o que era óbvio para todos os outros.

Inventor

O que acontece agora com ele?

Model

Ele continua sendo um influenciador. As redes sociais têm memória curta. Mas neste momento, enquanto as máquinas de resgate ainda procuram por cinquenta mil pessoas desaparecidas, sua imagem está associada a algo que muitos veem como profundamente errado.

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