ATM-AVI emerge como avanço terapêutico para infecções por metalo-β-lactamases

Sincronização perfeita evita períodos de desprotecção
A formulação fixa do aztreonam-avibactam mantém ambos os medicamentos expostos simultaneamente durante todo o tratamento.

Aztreonam-avibactam oferece formulação fixa com sincronização farmacocinética garantida e testes padronizados de suscetibilidade laboratorial. Mecanismos emergentes de resistência, como inserções em PBP3, podem reduzir eficácia do ATM-AVI, especialmente em cepas de E. coli produtoras de NDM.

  • Aztreonam-avibactam: 97-99% de suscetibilidade contra Enterobacterales produtoras de carbapenemases
  • Mecanismos de resistência emergentes: inserções em PBP3, principalmente em E. coli produtoras de NDM
  • Alterações hepáticas: 5% com aztreonam-avibactam versus 40% com ceftazidima-avibactam mais aztreonam
  • Sobrevida em 30 dias com ceftazidima-avibactam mais aztreonam: próxima de 80%

Estudo avalia estratégias terapêuticas para infecções por Enterobacterales produtores de metalo-β-lactamases, comparando aztreonam-avibactam com ceftazidima-avibactam associado a aztreonam.

Quando uma bactéria produz metalo-β-lactamases, os antibióticos convencionais perdem sua força. Esses microrganismos — principalmente Enterobacterales — conseguem destruir a maioria dos β-lactâmicos, deixando os médicos com opções cada vez mais limitadas. Agora, o surgimento do aztreonam-avibactam representa uma mudança significativa nesse cenário.

Antes dessa combinação chegar aos consultórios e hospitais, a estratégia mais comum era associar ceftazidima-avibactam com aztreonam. A lógica era simples: o avibactam protegeria o aztreonam de ser destruído pelas β-lactamases de serina que frequentemente aparecem junto com as metalo-β-lactamases. Funcionava, mas exigia cuidado na administração. Agora, um estudo recente colocou as duas abordagens lado a lado, examinando não apenas os números em laboratório, mas também como os medicamentos se comportam no corpo e, mais importante, como os pacientes realmente respondem.

O aztreonam tem uma característica rara entre os β-lactâmicos: é naturalmente resistente às metalo-β-lactamases. Mas essa vantagem desaparece quando a bactéria produz também β-lactamases de serina — enzimas como ESBL, AmpC ou KPC. Nesses casos, o avibactam entra em ação, bloqueando essas enzimas e permitindo que o aztreonam faça seu trabalho. Tanto o aztreonam-avibactam quanto a combinação ceftazidima-avibactam mais aztreonam funcionam pelo mesmo princípio biológico: restaurar a capacidade do aztreonam de atacar o patógeno. Os testes de vigilância mostram que o aztreonam-avibactam mantém excelente atividade em laboratório, com taxas de suscetibilidade entre 97 e 99% contra Enterobacterales produtoras de carbapenemases, incluindo aquelas que produzem metalo-β-lactamases.

Mas nenhuma arma permanece perfeita por muito tempo. Mecanismos de resistência estão emergindo. O principal deles envolve pequenas inserções de quatro aminoácidos na proteína ligadora de penicilina 3, especialmente em cepas de Escherichia coli produtoras de NDM. Essas alterações reduzem a afinidade do aztreonam pelo seu alvo, elevando a concentração mínima inibitória. Esse problema pode piorar quando a bactéria também possui AmpC adquirida, perde porinas ou aumenta suas bombas de efluxo. Essas variantes têm sido descritas principalmente na Índia e em outros países asiáticos, mas já se disseminaram por diversas regiões do mundo.

Uma vantagem prática do aztreonam-avibactam é que existem testes padronizados de suscetibilidade — tanto testes de concentração mínima inibitória quanto difusão em disco — permitindo que os laboratórios de microbiologia interpretem os resultados de forma consistente e reprodutível. Para a combinação ceftazidima-avibactam mais aztreonam, não existe um método universalmente validado para avaliar a suscetibilidade da combinação, o que torna a padronização laboratorial mais difícil e os resultados mais abertos à interpretação.

No aspecto farmacocinético, o aztreonam-avibactam oferece uma sincronização perfeita: ambos os medicamentos estão na mesma preparação, então permanecem expostos simultaneamente durante todo o intervalo terapêutico. Isso evita períodos em que o aztreonam poderia ficar desprotegido contra as β-lactamases de serina. Com a combinação ceftazidima-avibactam mais aztreonam, essa sobreposição depende de administrar as duas infusões ao mesmo tempo. Pequenos atrasos entre elas podem reduzir a exposição adequada ao avibactam, comprometendo potencialmente a atividade antimicrobiana.

Os dados clínicos para aztreonam-avibactam provêm principalmente de dois estudos prospectivos de fase 3. Embora o número de pacientes com infecções por produtoras de metalo-β-lactamases seja pequeno, os resultados mostraram tendência a melhores taxas de cura clínica e sobrevida comparadas às terapias convencionais. A maioria das evidências para ceftazidima-avibactam mais aztreonam vem de estudos observacionais, séries de casos e coortes retrospectivas. Em bacteremias por Enterobacterales produtoras de metalo-β-lactamases, a sobrevida em 30 dias ficou próxima de 80%, superior às terapias baseadas em polimixinas usadas como comparação histórica. Os pesquisadores ressaltam, porém, que essas populações são extremamente heterogêneas e que não é possível afirmar a superioridade de uma estratégia apenas comparando indiretamente estudos diferentes.

Quanto à segurança, ambos os esquemas apresentam perfil favorável. No estudo COMBINE com ceftazidima-avibactam mais aztreonam, cerca de 40% dos voluntários apresentaram elevações transitórias de aminotransferases, sem repercussão clínica e reversíveis após suspender o tratamento. Nos estudos com aztreonam-avibactam, alterações hepáticas ocorreram em aproximadamente 5% dos pacientes, sem evidências de hepatotoxicidade grave relacionada ao medicamento. Embora comparações indiretas devam ser interpretadas com cautela, os dados sugerem menor frequência de alterações laboratoriais hepáticas com aztreonam-avibactam.

Na prática clínica atual, o aztreonam-avibactam oferece vantagens relevantes: formulação fixa que garante sincronização farmacocinética, maior simplicidade operacional, menor risco de erros relacionados ao tempo de administração e disponibilidade de testes padronizados de suscetibilidade. A associação ceftazidima-avibactam mais aztreonam permanece uma alternativa válida, especialmente em locais onde o aztreonam-avibactam ainda não está disponível, mas exige maior atenção quanto à administração simultânea das infusões e apresenta maior complexidade logística.

O aztreonam apresenta uma característica singular entre os β-lactâmicos: é naturalmente resistente à hidrólise pelas metalo-β-lactamases
— Estudo avaliado
Pequenos atrasos entre as infusões podem reduzir a exposição adequada ao avibactam, comprometendo potencialmente a atividade antimicrobiana
— Análise farmacocinética
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o aztreonam é naturalmente resistente às metalo-β-lactamases quando outros β-lactâmicos não são?

Model

É uma questão de estrutura química. O aztreonam tem uma forma diferente — é um monobactâmico — que as metalo-β-lactamases simplesmente não conseguem atacar. Mas essa vantagem desaparece quando a bactéria produz também β-lactamases de serina, que conseguem destruir o aztreonam. Por isso precisa do avibactam.

Inventor

Então a sincronização entre os dois medicamentos é crítica?

Model

Absolutamente. Se você administra ceftazidima-avibactam e aztreonam em infusões separadas, pequenos atrasos deixam o aztreonam desprotegido. Com a formulação fixa, ambos chegam juntos e permanecem juntos durante todo o intervalo terapêutico.

Inventor

Os mecanismos de resistência emergentes — as inserções em PBP3 — são um sinal de que o aztreonam-avibactam pode não durar muito?

Model

É uma preocupação legítima. Essas alterações já estão aparecendo, principalmente na Índia e em outros países asiáticos. Mas por enquanto, as taxas de suscetibilidade ainda estão acima de 97%. O que importa agora é monitorar essas variantes e não usar o medicamento indiscriminadamente.

Inventor

Por que a ceftazidima-avibactam mais aztreonam não tem testes padronizados de suscetibilidade?

Model

Porque é uma combinação, não um medicamento único. Não existe consenso internacional sobre como medir a atividade dessa mistura específica em laboratório. Com o aztreonam-avibactam, é simples — você testa como testa qualquer outro antibiótico.

Inventor

Os dados clínicos mostram que o aztreonam-avibactam é melhor?

Model

Os dados sugerem tendência a melhores resultados, mas com ressalvas importantes. Os estudos de fase 3 incluem poucos pacientes com metalo-β-lactamases. A ceftazidima-avibactam mais aztreonam tem mais evidências, mas principalmente de estudos observacionais. Não há comparação direta ainda.

Inventor

E quanto aos efeitos colaterais hepáticos?

Model

Aqui o aztreonam-avibactam parece levar vantagem. Alterações hepáticas em 5% dos pacientes versus 40% com a combinação. Mas na maioria dos casos, essas alterações são transitórias e reversíveis.

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