No coração do verão português, quando o calor transforma florestas em combustível, centenas de bombeiros reuniram-se em Abrantes para conter as chamas que devoravam giestas e pinheiros na aldeia de Mouriscas. Com 500 operacionais, 170 viaturas e mais de 15 meios aéreos, a luta foi lenta mas determinada, e ao cair da noite de sábado restava apenas uma frente ativa — sinal de que a resistência humana estava, por ora, a vencer. O incêndio de Abrantes era, porém, apenas um capítulo de uma noite mais longa, em que o país inteiro se debatia contra o fogo em múltiplas frentes.