Escolas particulares têm desempenho estagnado no Ideb 2023

Rede privada presa no mesmo lugar, ou pior, em relação aos anos anteriores
Escolas particulares mantêm vantagem sobre a rede pública, mas não avançam em direção às metas de aprendizado.

Em 2023, as escolas particulares brasileiras chegaram a mais um ciclo de avaliação sem avançar: o Ideb revelou uma rede privada estagnada ou em retrocesso em relação aos anos anteriores, incapaz de atingir metas que já deveriam ter sido cumpridas em 2021. Embora ainda superem as escolas públicas em todas as etapas, as instituições que se apresentam como símbolo de excelência educacional enfrentam agora perguntas difíceis sobre o que, de fato, está acontecendo dentro de suas salas de aula. O momento convida à reflexão sobre os limites dos indicadores que usamos para medir o aprendizado e sobre o que realmente significa educar bem.

  • As escolas particulares repetiram ou pioraram seus resultados de 2021 nos anos finais e no ensino médio, ficando abaixo dos índices registrados antes da pandemia.
  • A única melhora — de 7,1 para 7,2 nos anos iniciais — é tímida demais para disfarçar um quadro geral de estagnação, ainda distante da meta de 7,5 que deveria ter sido alcançada há dois anos.
  • As notas de matemática e português caíram no ensino médio privado, sinalizando que o problema vai além da retenção de alunos e aponta para uma deterioração real na qualidade do ensino.
  • Especialistas alertam que o próprio Ideb tem limitações sérias: é de difícil interpretação, não mede desigualdades e pode incentivar escolas a excluir alunos com mais dificuldade para melhorar o indicador.
  • Sem novas metas definidas para 2023 e com um abismo entre o esperado e o alcançado, o debate sobre a efetividade das políticas educacionais — públicas e privadas — ganha urgência renovada.

Os números do Ideb 2023, divulgados pelo ministro da Educação Camilo Santana e pelo presidente do Inep Manuel Palácio, trouxeram um retrato desconfortável para a rede privada brasileira: estagnação generalizada e, em alguns aspectos, retrocesso. Apesar de seguirem à frente das escolas públicas em todas as etapas avaliadas, as instituições particulares não conseguiram atingir nenhuma das metas de aprendizado estabelecidas.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice subiu de 7,1 para 7,2 — o único movimento positivo da rede, mas ainda distante da meta de 7,5 que deveria ter sido alcançada em 2021. Nos anos finais e no ensino médio, o cenário é mais grave: os resultados simplesmente repetiram os de 2021, com índices de 6,3 e 5,6, ambos abaixo dos 6,4 e 6 registrados em 2019, antes da pandemia. As metas para essas etapas eram 7,3 e 7 — um abismo entre expectativa e realidade.

Quando se observa apenas o desempenho dos alunos nas provas de matemática e português, o quadro se aprofunda. No ensino médio privado, a nota de matemática caiu de 322,25 para 318,35, e a de português recuou de 314,46 para 314. São quedas pequenas em números absolutos, mas revelam uma trajetória descendente que não pode ser ignorada.

O Ideb foi criado pelo Inep em 2007 para medir a qualidade do aprendizado nacional, combinando taxa de aprovação e desempenho nas provas do Saeb. As metas originais foram fixadas para 2021 e nunca foram reformuladas, o que torna a edição de 2023 ainda mais difícil de interpretar — não há novos alvos oficiais para comparação.

Especialistas há tempos apontam limitações estruturais no indicador: ele é de difícil leitura para gestores e professores, não captura desigualdades educacionais e pode, perversamente, incentivar escolas a afastar alunos com mais dificuldade para melhorar sua posição no ranking. Para uma rede que historicamente se posiciona como referência de qualidade, os números de 2023 levantam questões incômodas sobre o que está, de fato, acontecendo dentro dessas salas de aula.

As escolas particulares brasileiras chegaram ao final de 2023 sem conseguir avançar. Os números do Ideb, divulgados nesta quarta-feira pelo ministro da Educação Camilo Santana e pelo presidente do Inep Manuel Palácio, mostram uma rede privada presa no mesmo lugar — ou pior — em relação aos anos anteriores. Ainda que continuem à frente das escolas públicas em todas as etapas avaliadas, as instituições particulares falharam em atingir as metas de aprendizado que haviam sido estabelecidas.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, de primeira a quinta série, houve uma pequena melhora. O índice subiu de 7,1 para 7,2 em 2023. Parece pouco, mas é o único movimento positivo que a rede privada conseguiu registrar. Ainda assim, ficou distante da meta de 7,5 que deveria ter sido alcançada em 2021. Nos anos finais, do sexto ao nono ano, e no ensino médio, a situação é mais preocupante. As escolas particulares simplesmente repetiram o desempenho de 2021, mantendo índices de 6,3 e 5,6 respectivamente. Esses números são inferiores aos registrados em 2019, antes da pandemia, quando chegavam a 6,4 e 6. As metas estabelecidas para essas etapas eram 7,3 e 7, deixando um abismo entre o que se esperava e o que foi alcançado.

O Ideb é calculado a partir de dois componentes: a taxa de aprovação das escolas e o desempenho dos alunos em provas de matemática e português. Quando se olha apenas para essas avaliações, o quadro fica ainda mais sombrio. Apesar de manter a mesma média no ensino médio, as escolas privadas registraram queda real no desempenho dos estudantes. Em matemática, a nota caiu de 322,25 em 2021 para 318,35 no ano passado. Em português, passou de 314,46 para 314. São quedas pequenas em números absolutos, mas indicam uma trajetória descendente.

O indicador foi criado pelo Inep em 2007 com o objetivo de medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para melhoria do ensino. Quando foi lançado, as metas foram fixadas para serem alcançadas até 2021. Para os anos iniciais, a perspectiva era que o país chegasse a uma média igual ou superior a 6. Para os anos finais, a meta era 5,5, e para o ensino médio, 5,2. Cada escola também teve metas calculadas individualmente. Como essas metas não foram reformuladas, a edição de 2023 do Ideb não possui novas metas para serem alcançadas — o que torna a análise do desempenho ainda mais complexa.

Especialistas há tempos apontam limitações no indicador. A principal crítica é que o Ideb é de difícil interpretação e pouco ajuda gestores escolares e professores a entender o nível real de aprendizado de seus alunos ou a identificar estratégias de ensino mais eficazes. Há também questionamentos sobre se as metas e a forma de avaliação do Saeb, o sistema que alimenta o Ideb, refletem o que atualmente é considerado aprendizagem adequada. Outro ponto de preocupação é que o formato de cálculo do Ideb não mede as desigualdades educacionais, o que pode levar as redes de ensino a excluir estudantes com mais dificuldade na busca por melhorar o indicador.

O cenário que emerge é o de uma rede privada que, apesar de manter vantagem sobre a rede pública, está estagnada e em alguns aspectos regredindo. A leve melhora nos anos iniciais não compensa o desempenho plano ou declinante nas outras etapas. As quedas nas provas de matemática e português sugerem que o problema não é apenas de retenção de alunos, mas de qualidade efetiva do ensino. Para uma rede que historicamente se apresenta como de excelência, os números de 2023 levantam questões incômodas sobre o que está acontecendo dentro dessas salas de aula.

Rede privada continua com resultados superiores aos da rede pública em todas as etapas avaliadas
— Dados do Ideb 2023 apresentados pelo ministro Camilo Santana e presidente do Inep Manuel Palácio
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que uma rede que está à frente da pública em todos os indicadores é considerada um problema?

Model

Porque estar à frente da pública não significa estar bem. Se ambas estão abaixo das metas, ambas estão falhando. A diferença é que a privada tinha recursos e estrutura para fazer melhor e não fez.

Inventor

A melhora nos anos iniciais não conta como progresso?

Model

Conta, mas é insuficiente. Um aumento de 0,1 pontos em uma etapa enquanto as outras estagnam ou caem não é uma trajetória. É um sinal de que algo não está funcionando.

Inventor

O que explica a queda em matemática e português se o índice geral se manteve?

Model

Porque o Ideb também leva em conta a taxa de aprovação. As escolas podem estar aprovando mais alunos sem que eles aprendam de fato. É uma forma de maquiar números.

Inventor

As metas antigas ainda fazem sentido em 2023?

Model

Não. Foram estabelecidas em 2007 para 2021. Estamos em 2023 e ninguém reformulou o indicador. É como jogar um jogo sem saber qual é a meta de vitória.

Inventor

O que os especialistas querem que mude?

Model

Querem um indicador que realmente ajude as escolas a entender o que seus alunos aprenderam e como melhorar. Querem que as metas reflitam o que sabemos hoje sobre educação de qualidade, não o que achávamos em 2007.

Inventor

E a exclusão de alunos com dificuldade que você mencionou?

Model

Se a escola é avaliada apenas pelo índice, ela tem incentivo a reter ou afastar alunos que puxam a média para baixo. O indicador pode estar criando o problema que deveria resolver.

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