Investidores buscam oportunidades de curto prazo com inflação no radar
Em meio à incerteza sobre os rumos da economia global, a bolsa brasileira encontrou fôlego na quinta-feira, acompanhando uma recuperação seletiva em Wall Street liderada por ativos de tecnologia. O Ibovespa avançou 0,76%, chegando a 105.190,61 pontos, num pregão em que os resultados corporativos do primeiro trimestre ditaram o ritmo — revelando tanto histórias de resiliência quanto de fragilidade. O mercado navega entre o otimismo pontual dos balanços e a sombra mais longa do risco de recessão nos Estados Unidos, cujos ecos poderiam alcançar economias ao redor do mundo.
- A ameaça de recessão nos EUA, alimentada por uma inflação persistente e juros em alta acelerada, manteve o otimismo dos investidores em compasso de espera, mesmo com a bolsa no verde.
- Balanços corporativos divulgados ao longo do dia criaram movimentos bruscos e opostos: enquanto Banco do Brasil, Ultrapar e JBS superaram expectativas, Minerva despencou 4,8% com lucro pela metade.
- O setor financeiro liderou os ganhos, com a B3 subindo 4,1% antes de divulgar seu próprio resultado, sinalizando confiança do mercado na solidez das instituições brasileiras.
- Vale e siderúrgicas recuaram com a reversão dos futuros de minério de ferro em Dalian, lembrando que os ventos da China ainda sopram sobre os ativos brasileiros.
- No campo político, o novo ministro de Minas e Energia sinalizou estudos para a desestatização da Petrobras, movimentando as ações da estatal em direções opostas conforme a classe do papel.
- Com mais balanços previstos para a noite, incluindo Americanas, o mercado segue em modo de escuta ativa — buscando sinais de solidez corporativa num cenário macroeconômico ainda nebuloso.
A bolsa brasileira subiu 0,76% na quinta-feira, chegando a 105.190,61 pontos, num pregão que misturou alívio externo e intensa agenda de resultados corporativos. Em Nova York, os índices se recuperavam de quedas matinais, puxados por ativos de tecnologia, mas o ânimo permanecia contido: investidores temem que os aumentos agressivos de juros nos EUA para conter a inflação possam empurrar a maior economia do mundo para uma recessão — com consequências globais.
No Brasil, o setor financeiro foi o grande protagonista. O Banco do Brasil subiu 1,6% após lucro acima das estimativas, combinando expansão de crédito com provisões menores que as dos concorrentes. A Ultrapar avançou 2,4%, mais que triplicando seu lucro no trimestre graças à rede Ipiranga, que se beneficiou do repasse dos preços dos combustíveis. A B3 ganhou 4,1% antes de divulgar seu próprio balanço. A JBS, por sua vez, registrou o melhor primeiro trimestre de sua história e aprovou mais de 2 bilhões de reais em dividendos.
Nem todos os resultados foram celebrados. A Minerva recuou 4,8% com queda de 55,8% no lucro, e a Vale cedeu 1,7% com a reversão dos futuros de minério de ferro em Dalian. A SLC Agrícola caiu 2,3% apesar de lucro expressivo, penalizada pela redução nas projeções de produtividade por causa da seca. A Embraer subiu 4,8% após revisão positiva do JPMorgan, que incorporou a avaliação da Eve, sua subsidiária de mobilidade urbana listada em Nova York.
No campo político, o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, anunciou que solicitará estudos sobre a desestatização da Petrobras, movimentando as ações da estatal de forma assimétrica. Com mais balanços previstos para a noite, o mercado mantinha o foco na performance das empresas brasileiras como âncora de orientação em meio à névoa macroeconômica global.
A bolsa brasileira encontrou seu caminho para cima na quinta-feira, acompanhando um movimento de recuperação em Nova York, ainda que o otimismo permanecesse contido pela preocupação global com uma possível desaceleração econômica. Por volta das 11h58, o Ibovespa subia 0,76%, chegando a 105.190,61 pontos, com um volume financeiro de 8,4 bilhões de reais movimentando o pregão.
O dia foi marcado por uma agenda corporativa densa. Empresas brasileiras divulgavam seus resultados do primeiro trimestre, e o mercado reagia a cada anúncio. Enquanto isso, em Nova York, os índices operavam sem direção clara após quedas matinais. Os investidores internacionais seguiam apreensivos com a possibilidade de que aumentos agressivos de juros nos Estados Unidos, necessários para conter uma inflação elevada, pudessem levar a economia americana à recessão — um cenário que teria efeitos em cascata pelo resto do mundo. Um dado de inflação divulgado na véspera fez pouco para aliviar essas preocupações.
No Brasil, o setor financeiro liderou os ganhos do dia. Banco do Brasil subiu 1,6% após registrar lucro líquido acima das estimativas do mercado no primeiro trimestre, combinando crescimento de crédito com provisões para perdas menores que as dos concorrentes. A Ultrapar ganhou 2,4%, mais que triplicando seu lucro nos três meses encerrados em março, impulsionada pela rede de postos Ipiranga, que se beneficiou do repasse dos aumentos de preços de combustíveis. A empresa também anunciou distribuição de remuneração aos acionistas e emissão de debêntures. A B3, operadora da bolsa brasileira, avançou 4,1% antes de divulgar seu próprio balanço no final do dia.
Mas nem todas as histórias foram de sucesso. Vale caiu 1,7% após os contratos futuros de minério de ferro reverteram ganhos durante o pregão em Dalian, fechando em queda de 1,4%. A Minerva, maior exportadora de carne bovina da América Latina, recuou 4,8% depois que seu lucro caiu 55,8% no primeiro trimestre. A SLC Agrícola retraiu 2,3%, apesar de reportar crescimento de 152,9% no lucro líquido, porque reduziu suas projeções de produtividade de algodão e milho safrinha para a safra 2021/22 devido à seca.
Entre os destaques positivos, a JBS cresceu 0,4% após anunciar um salto no lucro líquido de janeiro ao fim de março comparado ao mesmo período de 2021, marcando o melhor primeiro trimestre da história da empresa. A companhia aprovou mais de 2 bilhões de reais em dividendos intermediários. Seus executivos não veem impacto dos lockdowns na China sobre a demanda, embora se preocupem com questões logísticas. A Embraer subiu 4,8% após analistas do JPMorgan revisarem para cima seus números de preço-alvo, incorporando a avaliação da Eve, sua empresa de mobilidade urbana que foi listada em Nova York após fusão com uma companhia de cheque em branco. A Braskem valorizou-se 1% após divulgar crescimento de 56% no lucro líquido do primeiro trimestre.
No front político, o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, sinalizou que uma de suas primeiras medidas será solicitar estudos sobre a desestatização da Petrobras. Ele se reuniria com Paulo Guedes, ministro da Economia, naquela manhã. A Petrobras PN avançou 0,7%, enquanto a ON caía 0,3%, com os preços do petróleo operando próximos da estabilidade.
Um analista da Terra Investimentos observou que as bolsas em Nova York melhoraram com destaque para ativos de tecnologia, e que investidores estavam buscando oportunidades de curto prazo, com inflação e movimentos de juros no radar. No Brasil, dados macroeconômicos mostraram que o setor de serviços avançou acima do esperado em março na comparação com o mês anterior, ainda que o dado de fevereiro tenha sido revisado para cima. A noite promete mais balanços, incluindo de empresas como Americanas, mantendo o foco do mercado na performance corporativa em meio à incerteza macroeconômica global.
Citas Notables
Bolsas em Nova York melhoraram com destaque para os ativos de tecnologia. Investidores estão buscando oportunidades de curto prazo, com inflação e movimento de juros no radar.— Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o Ibovespa subiu se há tanto medo de recessão nos Estados Unidos?
Porque o mercado não é monolítico. Wall Street teve um dia melhor, especialmente em tecnologia, e isso criou um movimento de recuperação que transbordou para cá. Mas é uma subida cautelosa — o volume de negócios foi moderado, e nem todas as ações subiram.
Então o que realmente importava naquele dia?
Os balanços. O mercado estava olhando para os números das empresas brasileiras para entender se elas conseguem gerar lucro mesmo com a economia global incerta. JBS, Banco do Brasil, Ultrapar — todas mostraram força. Isso dá confiança.
Mas Vale caiu, e ela é gigante.
Vale caiu porque o minério de ferro caiu em Dalian. É um sinal de que a demanda global está fraca, especialmente da China. Quando a maior economia do mundo está em lockdown, o mercado fica nervoso com commodities.
E Petrobras? O ministro novo falou em desestatização.
Isso é uma mudança de tom político. Mas o mercado não reagiu dramaticamente — a PN subiu um pouco, a ON caiu um pouco. O mercado está esperando para ver se é só conversa ou se vira ação.
O que você acha que vai acontecer nos próximos dias?
Tudo depende de dois fatores: se os juros americanos continuam subindo agressivamente, e se os balanços das próximas empresas mantêm essa qualidade que vimos. Se um desses falhar, a cautela volta com força.