Falhamos. Não nos adaptamos nem agimos com rapidez suficiente.
Em seus 115 anos de existência, a IBM jamais havia perdido tanto valor em um único dia — uma queda de 25% que não é apenas financeira, mas filosófica: revela o momento em que uma empresa histórica percebe, tarde demais, que o mundo já havia mudado de endereço. Enquanto clientes corporativos migravam silenciosamente seus orçamentos para a infraestrutura da inteligência artificial — GPUs, chips de memória, hyperscalers —, a IBM continuava oferecendo respostas para perguntas que o mercado havia deixado de fazer. O CEO Arvind Krishna admitiu publicamente a falha: não foi a tempestade que surpreendeu, mas a direção do vento.
- A IBM registrou receita de US$ 17,2 bilhões no trimestre — US$ 700 milhões abaixo do esperado —, desencadeando a maior queda de suas ações em mais de um século.
- Clientes corporativos desviaram orçamentos de TI para servidores, GPUs e plataformas de IA, deixando a IBM fora dos fluxos de capital que estão redesenhando a indústria de tecnologia.
- O próprio CEO reconheceu que a empresa não se adaptou com rapidez suficiente e que grandes contratos não foram fechados nos prazos previstos — uma confissão rara e reveladora.
- Analistas alertam que a IBM não será um caso isolado: outras empresas de software devem enfrentar a mesma pressão à medida que os resultados trimestrais forem divulgados.
- A empresa aposta na Red Hat — que cresceu 11% — e em computação quântica como âncoras de recuperação, mas o mercado exige respostas no presente, não promessas de futuro.
A IBM registrou sua maior queda em 115 anos de história — 25% em um único pregão — após revelar resultados preliminares que expuseram uma falha estratégica de proporções históricas. A receita do trimestre ficou em US$ 17,2 bilhões, US$ 700 milhões abaixo do consenso de analistas. Mais do que um número, foi um sinal: algo fundamental mudou na forma como as empresas gastam em tecnologia.
O CEO Arvind Krishna foi direto em sua comunicação aos investidores. A empresa havia se preparado para problemas na cadeia de fornecedores — isso era previsível. O que não foi antecipado foi o redirecionamento silencioso dos orçamentos corporativos: em vez de contratar serviços de software da IBM, as empresas passaram a investir em servidores, chips de memória e acesso a plataformas de inteligência artificial. "Não nos adaptamos nem agimos com rapidez suficiente, e grandes negócios não foram fechados nos prazos previstos", admitiu Krishna. A divisão de infraestrutura da empresa recuou 7%.
A IBM havia tentado se reinventar nos últimos anos com aquisições como Red Hat e HashiCorp. Mas essas empresas agora competem diretamente com assistentes de IA da Anthropic e OpenAI, enquanto o dinheiro real flui para GPUs, memória de alta performance e os grandes provedores de nuvem. A IBM não fabrica as GPUs, não domina a memória e não figura entre os hyperscalers que lideram a corrida da IA.
Analistas da Bloomberg Intelligence alertam que o fenômeno não se limitará à IBM: os gastos discricionários com TI estão se deteriorando e devem pressionar a maioria das empresas de software nos próximos resultados. Não é a primeira vez que a IBM enfrenta uma transformação existencial — nos anos 1990, Lou Gerstner Jr. liderou uma recuperação lendária ao pivotar para serviços de consultoria. Agora, três décadas depois, o elefante precisa aprender a dançar novamente. Krishna mantém a confiança pública e aponta a computação quântica e a Red Hat — que cresceu 11% no trimestre — como pilares do futuro. Mas o mercado, implacável, olha para o presente.
A IBM desabou 25% em um único dia — o maior colapso em seus 115 anos de existência — depois de revelar números que desapontaram o mercado e expuseram uma falha estratégica que ninguém na empresa havia previsto com precisão. A receita do trimestre chegou a US$ 17,2 bilhões, ficando US$ 700 milhões abaixo do que analistas esperavam. Não é apenas uma diferença numérica. É o sinal de que algo fundamental mudou na forma como as empresas gastam dinheiro em tecnologia.
O CEO Arvind Krishna foi direto em sua carta aos investidores: a IBM esperava sofrer com problemas na cadeia de fornecedores. Isso era previsível, calculável. O que não foi previsto foi que seus clientes corporativos — aqueles que pagam as contas — começariam a desviar seus orçamentos de TI para um lugar completamente diferente. Em vez de contratar mais serviços de software da IBM, as empresas estavam comprando servidores, memória e acesso a plataformas de inteligência artificial. Estavam se protegendo contra futuros aumentos de preços investindo diretamente em infraestrutura.
"O que aconteceu foi pior do que nossas expectativas," disse Krishna. "Essas condições exigem uma execução perfeita por parte de nossas equipes, e, neste trimestre, falhamos. Não nos adaptamos nem agimos com rapidez suficiente, e grandes negócios não foram fechados nos prazos previstos." A divisão de infraestrutura da IBM caiu 7%. Os números completos ainda estão sendo revisados e serão divulgados na semana seguinte, mas o estrago já estava feito.
A IBM passou os últimos anos tentando se reinventar. Comprou a Red Hat, comprou a HashiCorp — empresas de software em áreas que pareciam estar crescendo. Mas essas mesmas empresas agora competem diretamente com assistentes de IA criados pela Anthropic e OpenAI. Enquanto isso, o dinheiro real está fluindo para um lugar muito específico: GPUs, chips de memória de alta performance, e os grandes provedores de nuvem que rodam inteligência artificial em escala. A IBM não está entre os principais beneficiários em nenhuma dessas categorias. Não fabrica as GPUs. Não domina a memória. Não é um dos hyperscalers que todos estão usando.
Anurag Rana, analista da Bloomberg Intelligence, vê isso como o começo de uma tendência maior. "Os gastos discricionários com TI estão piorando e provavelmente serão o tema principal para a maioria das empresas de software na apresentação de seus resultados," disse ele. A IBM não será um caso isolado. Outras empresas de software enfrentarão a mesma pressão — clientes redirecionando orçamentos, prioridades mudando da noite para o dia.
Não é a primeira vez que a IBM enfrenta uma transformação existencial. Nos anos 1990, a empresa quase desapareceu quando o mercado de PCs explodiu e a deixou para trás. Lou Gerstner Jr., o CEO daquele período, liderou uma recuperação que se tornou lendária — tão lendária que ele escreveu um livro sobre isso: "Quem disse que os elefantes não dançam?". A IBM conseguiu pivotar para serviços de consultoria e se tornou indispensável para clientes corporativos. Agora, 30 anos depois, o elefante precisa dançar novamente.
Krishna mantém a confiança pública. "Embora o desempenho no trimestre tenha ficado abaixo de nossas expectativas, estamos convictos da força de nosso portfólio e da transformação estratégica de nossos negócios," afirmou. A Red Hat, pelo menos, cresceu 11% no trimestre. As apostas futuras da IBM estão em computação quântica e em novos serviços de software. Mas o mercado não está esperando por futuro. O mercado está olhando para agora, e agora a IBM ficou para trás.
Citações Notáveis
O que aconteceu foi pior do que nossas expectativas. Essas condições exigem uma execução perfeita por parte de nossas equipes, e, neste trimestre, falhamos.— Arvind Krishna, CEO da IBM
Os gastos discricionários com TI estão piorando e provavelmente serão o tema principal para a maioria das empresas de software na apresentação de seus resultados.— Anurag Rana, analista da Bloomberg Intelligence
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que a IBM não viu isso vindo? Eles têm analistas, consultores, acesso a dados de mercado.
Viram parte disso vindo — esperavam sofrer com a cadeia de fornecedores. Mas não calcularam que seus próprios clientes mudariam de comportamento tão drasticamente. É a diferença entre prever um problema conhecido e antecipar uma mudança de prioridades.
Os clientes estão comprando infraestrutura em vez de serviços. Isso é uma escolha racional?
Completamente. Se você é uma grande corporação e vê o preço da IA subindo, você investe em seus próprios servidores e memória para não ficar refém de aumentos futuros. É proteção, não inovação.
A IBM tentou entrar no mercado de IA comprando empresas como Red Hat. Por que isso não funcionou?
Red Hat cresceu 11% — não é fracasso. Mas Red Hat compete com agentes de IA da OpenAI e Anthropic. O dinheiro real está indo para GPUs e hyperscalers, não para software. A IBM não controla nenhum desses.
Então a IBM está fora do jogo?
Não está fora. Mas está em uma posição fraca. Computação quântica é uma aposta de longo prazo. No curto prazo, a empresa precisa encontrar um jeito de se conectar com onde o dinheiro está fluindo agora.
Isso já aconteceu antes com a IBM?
Sim. Nos anos 1990, quase desapareceu quando os PCs explodiram. Conseguiu se reinventar em serviços. A diferença agora é que a velocidade da mudança é muito maior. Não há tempo para uma recuperação lenta.