IBM admite atraso na corrida por IA e vê ações desabarem 25%

Não prevíamos a magnitude dessa reorientação dos investimentos
O CEO da IBM reconheceu que a empresa subestimou o desvio de orçamentos corporativos para infraestrutura de IA.

Em meio à reconfiguração silenciosa dos orçamentos corporativos rumo à infraestrutura de inteligência artificial, a IBM se viu do lado errado da história — apostando no software enquanto seus clientes corriam para servidores e equipamentos de rede. O CEO Arvind Krishna admitiu publicamente que a empresa subestimou a velocidade e a profundidade dessa virada, e o mercado respondeu com uma queda de 25% nas ações. É o retrato de uma gigante tecnológica que, por um momento, perdeu o fio da transformação que ela mesma ajudou a tecer.

  • Clientes da IBM aceleraram compras de infraestrutura de IA nas últimas semanas de junho, temendo escassez de oferta — e deixaram contratos de software da empresa sem fechamento.
  • O impacto foi mais severo do que o esperado: receita projetada de US$17,2 bilhões e lucro por ação de US$2,93 ficaram abaixo das estimativas do mercado, configurando o trimestre mais fraco em mais de um ano.
  • As ações despencaram mais de 25% em um único pregão, sinalizando que investidores não veem a situação como pontual, mas como sintoma de um desalinhamento estrutural.
  • A pressão vem de múltiplas frentes: além da migração para infraestrutura, empresas estão desviando recursos para cibersegurança diante de novas ameaças geradas pela própria IA.
  • A IBM aponta para computação quântica e parcerias em IA como saídas, mas esses investimentos ainda estão longe de compensar a fraqueza dos negócios que geram receita hoje.

A IBM viveu uma terça-feira de perdas expressivas ao admitir que não acompanhou a mudança nos gastos das grandes corporações. Enquanto o setor se reorganizava em torno da inteligência artificial, seus clientes desviaram orçamentos trimestrais para servidores, armazenamento e equipamentos de rede — deixando o software, historicamente o núcleo do negócio da empresa, em segundo plano. As ações caíram mais de 25% no pregão.

O CEO Arvind Krishna reconheceu em carta aos investidores que a empresa esperava alguma pressão, mas não previu a magnitude da reorientação. Nas últimas semanas de junho, clientes aceleraram compras de infraestrutura temendo alta de preços por oferta limitada, e diversos contratos que a IBM contava fechar simplesmente não se concretizaram. O segmento de mainframes foi especialmente afetado.

Os números ilustram o problema: receita projetada de US$17,2 bilhões e lucro ajustado por ação de US$2,93 ficaram abaixo das expectativas do mercado. Há ainda uma camada adicional de pressão — muitas organizações estão priorizando cibersegurança diante dos avanços da IA em técnicas de invasão, desviando mais recursos dos softwares tradicionais.

A empresa citou seus investimentos em computação quântica e parcerias com a OpenAI como sinais de futuro, mas esses esforços ainda são iniciais demais para compensar a fraqueza atual. A IBM vinha tentando reduzir sua dependência do ciclo de mainframes com unidades de alto valor como a Red Hat, mas a transformação chegou mais rápida e mais funda do que a empresa conseguiu absorver. Os resultados completos do segundo trimestre serão divulgados em 22 de julho.

A IBM enfrentou uma terça-feira de perdas significativas quando admitiu publicamente que não acompanhou a mudança radical nos gastos das grandes corporações. Enquanto a indústria de tecnologia se reorganizava em torno da inteligência artificial, os clientes da empresa desviaram seus orçamentos trimestrais para comprar servidores, armazenamento e equipamentos de rede — deixando o software, historicamente o coração do negócio da IBM, em segundo plano. As ações despencaram mais de 25% no pregão, sinalizando o quão profundo é o impacto dessa reconfiguração.

O presidente-executivo Arvind Krishna foi direto em sua carta aos investidores: a empresa esperava alguma pressão na cadeia de suprimentos, mas não previu a magnitude da mudança. Nas últimas semanas de junho, explicou, os clientes acelerou suas compras de infraestrutura de IA, temendo que a oferta limitada levasse a aumentos de preços. Diversos grandes contratos que a IBM contava fechar simplesmente não se concretizaram como planejado. O impacto foi particularmente severo no negócio de mainframes — os computadores de grande porte que processam milhões de transações diárias para bancos, companhias aéreas e outras instituições financeiras.

Os números revelam a extensão do problema. A IBM projetou uma alta de apenas 1% na receita do segundo trimestre, chegando a US$17,2 bilhões, quando analistas esperavam US$17,86 bilhões. O lucro ajustado por ação foi estimado em US$2,93, abaixo dos US$3,02 que o mercado antecipava. Se confirmados, esses serão os números mais fracos da empresa em mais de um ano. A situação reflete uma verdade incômoda que o setor de software vinha temendo: a IA não apenas ameaça automatizar tarefas rotineiras, mas está literalmente redirecionando os orçamentos corporativos para longe dos softwares tradicionais.

Há outro fator em jogo. Muitas organizações estão também priorizando investimentos em cibersegurança, preocupadas com os avanços recentes da IA em técnicas de invasão e exploração de vulnerabilidades. O modelo Mythos, da Anthropic, chamou atenção este ano justamente por sua capacidade de identificar falhas em softwares e sistemas de criptografia existentes, levando empresas a reforçarem suas defesas digitais. Esse desvio de recursos para segurança representa mais uma camada de pressão sobre os negócios centrais da IBM.

A empresa tentou tranquilizar investidores apontando para seus investimentos em computação quântica — mais de US$10 bilhões destinados à construção do primeiro computador quântico de grande escala até 2029 — e para suas parcerias em inteligência artificial, incluindo colaborações com a OpenAI. Mas esses esforços ainda estão em estágio inicial, longe de serem grandes o suficiente para compensar a fraqueza dos negócios de software e infraestrutura que geram receita hoje. A IBM vinha tentando há anos reduzir sua dependência do ciclo de mainframes, concentrando-se em unidades de software de alta margem como a Red Hat, mas a mudança estrutural nos gastos corporativos chegou mais rápido e mais profunda do que a empresa conseguiu se adaptar.

Os resultados completos do segundo trimestre serão divulgados em 22 de julho. Até lá, a queda nas ações reflete a realidade de uma empresa que leu errado o mapa da transformação tecnológica em curso — e agora precisa encontrar seu lugar em um mundo onde a infraestrutura de IA, não o software, é para onde o dinheiro está fluindo.

Nas últimas semanas de junho, vimos clientes direcionarem seus investimentos trimestrais para compras de servidores, armazenamento e memória, a fim de garantir infraestrutura cuja oferta está limitada
— Arvind Krishna, presidente-executivo da IBM
Embora esperássemos algum impacto relacionado à cadeia de suprimentos em nossas projeções, não prevíamos a magnitude dessa reorientação dos investimentos em infraestrutura
— Arvind Krishna, presidente-executivo da IBM
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a IBM não viu isso vindo? Eles têm acesso aos mesmos dados que o mercado.

Model

Eles viram sinais, mas subestimaram a velocidade e a magnitude. Krishna disse explicitamente que esperavam algum impacto, mas não aquele. A diferença entre prever uma mudança e prever sua escala é enorme.

Inventor

Então é basicamente um problema de timing — a IA chegou mais rápido que o esperado?

Model

Não exatamente. É mais que os clientes estão em pânico por infraestrutura limitada. Eles estão comprando servidores e armazenamento agora porque temem que os preços subam. É uma corrida, não apenas uma preferência.

Inventor

E o software? A IBM vinha apostando em software como seu futuro.

Model

Exato. Eles tentaram se afastar dos mainframes cíclicos investindo em software de alta margem. Mas agora descobrem que o software é exatamente o que os clientes estão cortando para financiar infraestrutura de IA.

Inventor

A computação quântica pode salvá-los?

Model

Talvez em cinco ou dez anos. Mas US$10 bilhões em um projeto que termina em 2029 não compensa uma queda de 25% nas ações hoje. Os investidores precisam de receita agora.

Inventor

Então a IBM está presa entre um passado que não quer mais e um futuro que ainda não chegou?

Model

Basicamente. E enquanto isso, seus clientes estão gastando com infraestrutura de IA de outras empresas.

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