Profissionais usam IA não autorizada porque não têm acesso a ferramentas corporativas adequadas
No interior dos escritórios jurídicos, tributários e contábeis, uma transformação silenciosa já aconteceu: três em cada quatro profissionais incorporaram a inteligência artificial ao cotidiano antes que suas organizações soubessem como governá-la. Uma pesquisa da Thomson Reuters com 1.800 especialistas expõe a fissura entre a velocidade do indivíduo e a lentidão da instituição — um descompasso que, em 2026, começa a cobrar seu preço em talentos, clientes e receitas. A era da experimentação encerrou-se; o que se exige agora é estratégia, e o custo da ausência dela já tem nome e valor.
- 74% dos profissionais jurídicos usam IA diariamente, mas 91% acreditam que suas organizações desperdiçam o potencial da tecnologia — a adoção pessoal correu muito à frente da governança corporativa.
- Um terço dos profissionais já recorre à Shadow AI — ferramentas não autorizadas fora dos ambientes aprovados —, expondo dados confidenciais a riscos que as empresas sequer conseguem enxergar.
- A pressão vem dos clientes: 78% exigem melhorias concretas impulsionadas por IA, mas apenas 6% acreditam que os fornecedores já entregam esse diferencial.
- 32% dos clientes pretendem reavaliar seus fornecedores nos próximos 12 meses, colocando cerca de US$ 143 bilhões em receitas nos mercados jurídico e contábil dos EUA sob risco imediato.
- A IA tornou-se fator de atração de talentos: 62% dos profissionais consideram o acesso a ferramentas de IA ao decidir aceitar uma proposta de emprego, e 24% cogitam mudar de empresa nos próximos dois anos.
Advogados, contadores e especialistas em conformidade já integraram a inteligência artificial ao dia a dia — três em cada quatro a utilizam diariamente. O problema é que as organizações onde trabalham não acompanharam esse ritmo. Uma pesquisa da Thomson Reuters, baseada em entrevistas com 1.800 profissionais das áreas jurídica, tributária, contábil e de gestão de riscos, revela uma lacuna crescente entre o que os indivíduos fazem com a tecnologia e o que as empresas conseguem controlar. Noventa e um por cento dos entrevistados acreditam que suas organizações estão longe de explorar o verdadeiro potencial da IA.
O CEO da Thomson Reuters, Steve Hasker, descreve o momento como uma divisão entre escritórios que estruturaram sua estratégia de IA e aqueles que não o fizeram — e que agora enfrentam riscos reais para talentos, clientes e resultados financeiros. Mesmo em organizações com estratégias formais, 35% dos profissionais dizem que os objetivos da liderança não se refletem no trabalho cotidiano. Outros 20% atuam em empresas sem qualquer direcionamento claro.
Esse vácuo gerou o fenômeno da Shadow AI: um terço dos profissionais já recorre a ferramentas não autorizadas para ganhar produtividade. Entre os que consideram suas empresas lentas na adoção, o índice sobe para 41%. A contradição é evidente — 96% exigem que a IA proteja informações confidenciais, mas 41% afirmam não ter acesso a ferramentas corporativas que atendam a esse requisito.
A cobrança chega também dos clientes: 78% consideram essencial que fornecedores entreguem melhorias impulsionadas por IA, mas apenas 6% acreditam que a maioria já consegue fazê-lo. Como consequência, 32% pretendem reavaliar seus fornecedores em 12 meses — o que coloca cerca de US$ 143 bilhões em receitas nos mercados americanos sob risco. No campo dos talentos, 62% dos profissionais levam em conta o acesso a ferramentas de IA ao avaliar propostas de emprego.
Especialistas descrevem 2026 como o ano da cobrança por resultados concretos. A tecnologia existe, os profissionais sabem usá-la e os clientes já exigem seus benefícios. O desafio agora é transformar inteligência artificial em estratégia de negócios — com segurança. Quem não fizer essa transição corre o risco de perder o controle sobre informações e sobre o próprio futuro competitivo.
Os advogados, contadores e especialistas em conformidade já incorporaram a inteligência artificial em suas rotinas diárias. Três em cada quatro profissionais usam IA todos os dias no trabalho — mas aqui está o problema que ninguém planejou: a maioria das empresas onde eles trabalham não conseguiu acompanhar essa transformação.
Uma pesquisa divulgada pela Thomson Reuters nesta segunda-feira, baseada em entrevistas com 1.800 profissionais das áreas jurídica, tributária, contábil e de gestão de riscos, revela uma lacuna crescente entre o que os indivíduos conseguem fazer com a tecnologia e o que as organizações conseguem controlar. Enquanto a adoção pessoal avançou rapidamente, a implementação corporativa segue atrasada. O resultado é um cenário onde 91% dos profissionais acreditam que suas organizações estão longe de explorar todo o potencial da IA — e onde riscos invisíveis começam a se acumular.
O presidente e CEO da Thomson Reuters, Steve Hasker, descreve o momento como uma divisão clara entre escritórios que operacionalizaram a IA de forma estruturada e aqueles que não fizeram isso e agora enfrentam riscos reais. Esses riscos afetam tanto os talentos internos quanto os clientes, podendo comprometer até o desempenho financeiro das empresas. Mesmo entre organizações que possuem estratégias formais para IA, 35% dos profissionais dizem que os objetivos anunciados pela liderança não se refletem no trabalho diário. Outros 20% trabalham em empresas que sequer possuem uma estratégia clara para a tecnologia.
Essa falta de direcionamento corporativo criou um fenômeno que especialistas chamam de Shadow AI — o uso de ferramentas de inteligência artificial não autorizadas ou não supervisionadas pelas empresas. Um terço dos profissionais já recorre a soluções de IA fora dos ambientes corporativos aprovados. Entre aqueles que consideram suas organizações lentas na adoção tecnológica, esse percentual sobe para 41%. A contradição é gritante: 96% dos entrevistados afirmam que a IA precisa proteger informações confidenciais, e 94% exigem conteúdo confiável e verificável. Mas 41% dizem não ter acesso a ferramentas corporativas que atendam a esses requisitos. Na prática, profissionais acabam recorrendo a soluções externas para ganhar produtividade, criando riscos que muitas empresas sequer conseguem monitorar.
A pressão para resolver esse problema vem de múltiplas direções. Os clientes corporativos estão mais exigentes: 78% consideram essencial ou muito importante que seus fornecedores entreguem melhorias impulsionadas por inteligência artificial. O problema é que apenas 6% acreditam que a maioria dos escritórios e consultorias já consegue oferecer esse diferencial. A consequência aparece nos números. Cerca de 32% dos clientes afirmam que pretendem reavaliar seus fornecedores nos próximos 12 meses. Nos mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos, a Thomson Reuters estima que aproximadamente US$ 143 bilhões em receitas estejam sujeitos a essa revisão.
A mesma pressão aparece na gestão de pessoas. Entre os profissionais que enxergam uma lacuna entre a promessa da IA e a realidade do que já está disponível, 24% afirmam considerar uma mudança de emprego nos próximos dois anos. Para 62%, o acesso a ferramentas profissionais de inteligência artificial influencia a decisão de aceitar uma proposta de trabalho. A IA deixou de ser apenas um instrumento de produtividade para se tornar também um fator de atração e retenção de talentos.
Especialistas descrevem os mercados jurídico, tributário e contábil como entrando em uma nova fase da transformação digital. Se 2023 foi o ano da descoberta, 2024 o período dos testes e 2025 o momento da adoção, 2026 marca o início da cobrança por resultados concretos. A tecnologia já existe. Os profissionais já aprenderam a utilizá-la. Os clientes já passaram a exigir seus benefícios. O desafio agora é transformar inteligência artificial em estratégia de negócios, mas com segurança. Quem conseguir fazer essa transição tende a ganhar eficiência. Quem permanecer preso à fase experimental corre o risco de perder o controle sobre informações e sobre o próprio futuro competitivo.
Citações Notáveis
Estamos vendo surgir uma divisão clara entre escritórios que estão operacionalizando a IA e os que não estão e já começam a assumir riscos reais— Steve Hasker, presidente e CEO da Thomson Reuters
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que essa lacuna entre o uso individual e a estratégia corporativa é tão perigosa?
Porque quando profissionais usam ferramentas não autorizadas para ganhar produtividade, eles estão movimentando informações confidenciais de clientes por plataformas que a empresa não consegue monitorar ou controlar. É risco invisível.
Mas os profissionais sabem que estão fazendo algo arriscado?
Muitos sabem, mas enfrentam uma escolha impossível: usar ferramentas corporativas lentas e limitadas, ou usar soluções externas que funcionam. Quando 41% não tem acesso a ferramentas corporativas adequadas, a escolha já está feita.
E as empresas não conseguem simplesmente proibir isso?
Podem proibir, mas não conseguem impedir. É por isso que chamam de Shadow AI. A proibição sem oferecer alternativa viável só empurra o problema para a sombra.
Qual é o risco financeiro real aqui?
US$ 143 bilhões em receitas estão em risco nos mercados jurídico e contábil dos EUA porque clientes estão reavaliar fornecedores. Se você não conseguir demonstrar que está usando IA de forma segura e eficaz, perde o cliente.
Então isso é sobre competição?
É sobre sobrevivência. A IA deixou de ser um diferencial para ser uma expectativa. Quem não conseguir operacionalizar isso de forma segura vai ficar para trás — e vai perder talentos também, porque profissionais querem trabalhar com ferramentas modernas.
Qual é o prazo para as empresas resolverem isso?
2026 é o ano da cobrança. Os clientes já estão exigindo resultados concretos. Quem ainda está na fase experimental está atrasado.