Confiscam a soberania do Líbano e não representam mais do que submissão
No limiar de uma nova ronda diplomática em Washington, o Hezbollah recusa sentar-se à mesa que não reconhece como legítima — acusando o governo libanês de ceder silenciosamente à vontade americana em detrimento da soberania nacional. A trégua que se mantém após dois dias de ataques israelitas que ceifaram mais de 120 vidas não apaga a fratura entre quem negocia e quem rejeita negociar. É uma tensão antiga sobre uma questão permanente: quem fala em nome de um povo, e com que autoridade.
- O Hezbollah acusa a delegação libanesa de acenar com a cabeça perante Washington, denunciando as negociações como uma rendição disfarçada de diplomacia.
- Mais de 120 pessoas morreram em dois dias de ataques israelitas antes da trégua atual — um peso humano que o grupo xiita invoca como argumento contra qualquer concessão.
- A quinta ronda de conversações está marcada para terça-feira em Washington, com o secretário de Estado Marco Rubio e o Presidente libanês Joseph Aoun a coordenarem os contornos do processo.
- O Hezbollah permanece fora da mesa, mas vigia de perto — exigindo que qualquer acordo inclua a retirada completa e incondicional das forças israelitas do território libanês.
- A trégua resiste por agora, mas a rejeição do movimento xiita ao processo diplomático deixa a estabilidade suspensa num equilíbrio frágil e contestado.
O Hezbollah rejeitou, este domingo, as negociações diretas entre Israel e o Líbano que decorrem sob mediação americana em Washington. O grupo xiita não participa nas conversações, mas acompanha o processo com atenção crítica — e em comunicado acusou a delegação libanesa de aceitar em silêncio as condições impostas pela administração norte-americana, num gesto que considera equivalente à rendição da soberania nacional.
A quinta ronda de encontros está marcada para terça-feira, após contactos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o Presidente libanês Joseph Aoun. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggot, confirmou que as conversações se prolongarão até quinta-feira. O contexto é de trégua — mas uma trégua que chegou depois de dois dias de ataques israelitas que mataram mais de 120 pessoas, segundo as autoridades libanesas, apesar de um memorando entre Washington e Teerão ter previsto a cessação das hostilidades.
Para o Hezbollah, a premissa das negociações é errada e suspeita, e não se pode esperar delas qualquer resultado positivo. O grupo defende que os sacrifícios do povo libanês devem servir de força para exigir uma retirada completa e incondicional das forças israelitas — não como ponto de partida para concessões. Esta posição coloca o movimento em tensão direta com a estratégia que o governo libanês está a seguir.
A trégua mantém-se, mas a fratura entre quem negocia e quem recusa negociar revela que o caminho para uma solução duradoura permanece profundamente dividido — tanto nas salas de Washington como no interior do próprio Líbano.
O Hezbollah voltou a rejeitar, este domingo, as negociações diretas entre Israel e o Líbano que decorrem sob mediação dos Estados Unidos. O grupo xiita libanês não participa nas conversações, mas acompanha de perto o processo diplomático que prossegue em Washington, onde está marcada uma quinta ronda de encontros para terça-feira.
Em comunicado, o movimento armado acusou a delegação libanesa de estar a acenar com a cabeça e a manter silêncio perante as ordens impostas pela administração americana. Para o Hezbollah, estas negociações confiscam a soberania do Líbano e não representam mais do que uma tentativa de submissão e rendição. A posição não é nova — o grupo tem-se oposto a este processo desde o seu início — mas a reiteração chega num momento particularmente sensível das relações regionais.
O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Tommy Piggot, confirmou na sexta-feira que as conversações se estenderão por três dias, até quinta-feira, após contactos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o Presidente libanês Joseph Aoun. Estas negociações ocorrem num contexto de trégua entre Israel e o Hezbollah, um acordo que segue um período de violência intensa. Dois dias de ataques israelitas deixaram mais de 120 mortos, de acordo com as autoridades libanesas, apesar de um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão ter estabelecido previamente a cessação das hostilidades na frente libanesa.
O Hezbollah insiste que não se pode esperar qualquer resultado positivo destas negociações porque a sua premissa é errada e suspeita. O grupo acredita que as autoridades libanesas devem usar os grandes sacrifícios do povo como fonte de força para exigir uma retirada completa e incondicional das forças israelitas do território libanês. Esta posição coloca o movimento xiita em tensão clara com a estratégia diplomática que o governo libanês está a seguir, mediada pelos americanos.
O que está em jogo é fundamental: a questão de quem negocia, como se negocia, e em que termos. Para o Hezbollah, participar nestas conversações diretas seria aceitar um enquadramento que já considera comprometido. Para as autoridades libanesas e para os mediadores americanos, o processo representa uma oportunidade de estabilização. A trégua atual mantém-se, mas a rejeição do Hezbollah às negociações sugere que o caminho para uma solução duradoura permanece profundamente contestado.
Citações Notáveis
As rondas de negociação direta eram para acenar com a cabeça e permanecer em silêncio perante as ordens impostas pela administração dos EUA— Hezbollah, em comunicado
Não se pode esperar nenhum resultado positivo destas negociações conciliadoras, pois a sua premissa é errada e suspeita— Hezbollah, em comunicado
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que é que o Hezbollah rejeita tão categoricamente estas negociações? Não seria melhor estar à mesa?
Para o Hezbollah, estar à mesa nestes termos seria legitimar um processo que considera já viciado. Eles veem a mediação americana como imposição, não como facilitação.
Mas há uma trégua em vigor. Isso não é um progresso?
É um alívio imediato, sim. Mas o Hezbollah vê a trégua e as negociações como duas coisas separadas. A trégua é tática; as negociações são estratégicas. E estrategicamente, eles acreditam que estão a ser pressionados para aceitar menos do que merecem.
O que é que o Hezbollah quer realmente?
Uma retirada completa e incondicional das forças israelitas do Líbano. Não negociações sobre quanto tempo isso leva ou em que condições. Retirada total.
E o governo libanês? Está dividido?
Está numa posição impossível. Precisa de estabilidade, precisa de mediação internacional. Mas o Hezbollah é uma força política e militar real no país. Não se pode ignorar o que ele diz.
Isto pode colapsar?
A trégua pode manter-se por enquanto. Mas se as negociações produzirem um acordo que o Hezbollah considere uma capitulação, sim, as coisas podem deteriorar-se rapidamente.