Hezbollah rejeita zona de segurança com tropas israelitas no sul do Líbano

Mais de 120 mortos causados por ataques israelitas no Líbano durante sexta-feira e sábado, segundo o Ministério da Saúde libanês.
Manter forças israelitas em solo libanês é impossível
Naim Qassem rejeita qualquer acordo de segurança que envolva tropas israelitas no Líbano.

No sul do Líbano, duas vontades opostas definem os contornos de uma paz ainda improvável: o Hezbollah de Naim Qassem declara impossível qualquer presença militar israelita em solo libanês, enquanto Benjamin Netanyahu reafirma que Israel permanecerá na região pelo tempo que for necessário para proteger o seu norte. Entre os dois, mais de 120 vidas perdidas num fim de semana, e diplomatas reunidos na Suíça a tentar, em 60 dias, o que a força não conseguiu resolver.

  • Naim Qassem traçou uma linha vermelha inequívoca: não há zona segura para Israel no Líbano, e qualquer acordo que inclua tropas israelitas é, nas suas palavras, simplesmente impossível.
  • Netanyahu respondeu com igual firmeza, reiterando o compromisso israelita de permanecer no sul do Líbano enquanto a segurança do norte de Israel assim o exigir.
  • O fim de semana anterior deixou mais de 120 mortos segundo o Ministério da Saúde libanês, tornando urgente qualquer avanço diplomático antes que a violência se intensifique novamente.
  • Trump pressionou o Irão pelas redes sociais a travar o Hezbollah, ameaçando retomar ataques com força redobrada — Teerão respondeu aconselhando cautela e sinalizando prontidão militar.
  • Na Suíça, EUA e Irão sentaram-se à mesa em Bürgenstock com mediação do Paquistão e do Catar, abrindo um prazo de 60 dias para negociar Ormuz, o Líbano e o programa nuclear iraniano.
  • O estreito de Ormuz, ameaçado de encerramento por Teerão no sábado, mantém o tráfego normal — 67 petroleiros contados na última passagem —, sinal de que a escalada ainda não atingiu o seu limite.

Naim Qassem, líder do Hezbollah, declarou pela televisão que manter forças israelitas no sul do Líbano é "impossível" e que não existem zonas seguras para Israel no território libanês. A posição surge como resposta direta a Benjamin Netanyahu e ao ministro da Defesa Israel Katz, que garantiram a permanência do exército israelita na região. Para Qassem, apenas o exército libanês tem legitimidade para salvaguardar a soberania do país — e é com essa instituição que o Hezbollah está disposto a cooperar.

Netanyahu, numa cerimónia de homenagem ao irmão morto em combate em 1976, reiterou que Israel ficará na zona de segurança "pelo tempo necessário para proteger o povo do norte", aproveitando a ocasião para reafirmar também que não permitirá ao Irão adquirir armas nucleares enquanto for primeiro-ministro.

O fim de semana anterior tinha sido marcado por violência intensa: mais de 120 mortos em dois dias, segundo o Ministério da Saúde libanês. No dia da declaração de Qassem, porém, não houve combates registados — uma relativa calma que se seguiu ao memorando de entendimento assinado entre Donald Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, prevendo um cessar-fogo entre as partes.

A tensão diplomática manteve-se elevada. Trump instou o Irão, pelas redes sociais, a impedir que o Hezbollah "causasse problemas", ameaçando retomar ataques com "muita força". Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe da equipa de negociação iraniana, aconselhou Trump a "ponderar as palavras" e garantiu que as forças armadas iranianas estão prontas para responder.

Nesta terça-feira, EUA e Irão iniciaram conversações em Bürgenstock, na Suíça, com mediação do Paquistão e do Catar. O memorando estabeleceu 60 dias para negociar três temas centrais: o estreito de Ormuz, a situação no Líbano e o programa nuclear iraniano. Teerão tinha ameaçado encerrar Ormuz no sábado, responsabilizando Washington pelos ataques israelitas — mas a ação não se concretizou, e o tráfego de petroleiros mantém-se em níveis normais. Os próximos dois meses dirão se uma saída negociada é possível ou se a escalada continua o seu curso.

Naim Qassem, o líder do Hezbollah, rejeitou categoricamente qualquer acordo que permitisse a permanência de tropas israelitas no sul do Líbano. Numa declaração transmitida pela televisão, o chefe do movimento xiita apoiado pelo Irão foi claro: manter forças israelitas em solo libanês é "impossível" e "não existem zonas seguras para Israel". A posição surge como resposta direta aos anúncios do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa Israel Katz, que garantiram que o exército israelita permanecerá na região.

Qassem argumentou que apenas o exército libanês tem legitimidade e capacidade para salvaguardar a soberania do país, e que é com essa instituição que o Hezbollah está disposto a cooperar. A declaração marca uma linha vermelha clara no que diz respeito à presença militar estrangeira no território libanês, rejeitando qualquer arranjo de segurança que envolva soldados israelitas.

Netanyahu, por sua vez, reiterou o compromisso de Israel em manter as suas forças na zona de segurança. Numa cerimónia de homenagem ao seu irmão, morto em combate em 1976, o primeiro-ministro israelita afirmou que permanecerá na região "pelo tempo necessário para proteger o povo do norte de Israel". Netanyahu aproveitou a ocasião para reafirmar também que não permitirá que o Irão adquira armas nucleares enquanto for primeiro-ministro.

O fim de semana anterior tinha sido marcado por violência intensa. Sexta-feira e sábado registaram mais de 120 mortos causados por ataques israelitas, segundo o Ministério da Saúde libanês. Contudo, no dia em que Qassem fez a sua declaração, não houve combates registados entre as forças israelitas e o grupo xiita. Este período de relativa calma segue o memorando de entendimento assinado na quarta-feira pelo presidente norte-americano Donald Trump e pelo seu homólogo iraniano Masoud Pezeshkian, que previa um cessar-fogo entre as partes.

A tensão diplomática mantém-se elevada. Trump dirigiu-se ao Irão através das redes sociais, instando Teerão a impedir que os seus aliados no Líbano, referindo-se explicitamente ao Hezbollah, "causassem problemas". O presidente americano ameaçou retomar ataques contra o Irão com "muita força" ou "até com mais força" caso a advertência não fosse ouvida. Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe da equipa de negociação iraniana, respondeu aconselhando Trump a "ponderar as palavras", assegurando que as forças armadas iranianas estão prontas para responder de forma diferente.

Nesta terça-feira, Estados Unidos e Irão iniciaram conversações para pôr fim à guerra numa cidade suíça, Bürgenstock, com mediação do Paquistão e do Catar. O memorando estabeleceu um prazo de 60 dias para negociações que deverão abordar três temas centrais: o estreito de Ormuz, a situação no Líbano e o programa nuclear iraniano. Teerão tinha anunciado no sábado que encerraria o estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais críticas do mundo, responsabilizando os Estados Unidos pelos ataques israelitas no sul do Líbano. Contudo, essa ação não se concretizou. O secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, informou que o tráfego de petroleiros pelo estreito mantém números semelhantes aos anteriores ao início da guerra, com 67 navios a passarem na última contagem.

O impasse é claro: Israel insiste em manter presença militar na região, o Hezbollah recusa qualquer acordo que o permita, e as negociações diplomáticas internacionais tentam encontrar uma saída para um conflito que já custou centenas de vidas. Os próximos 60 dias serão decisivos para determinar se uma solução negociada é possível ou se a escalada continua.

Temos um exército libanês que é o único capaz de ser mobilizado e responsável por salvaguardar a soberania
— Naim Qassem, líder do Hezbollah
Permaneceremos na zona de segurança no sul do Líbano pelo tempo necessário para proteger o povo do norte de Israel
— Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que é que o Hezbollah rejeita tão categoricamente uma zona de segurança com tropas israelitas? Não seria uma forma de evitar mais conflito?

Model

Para o Hezbollah, aceitar isso seria reconhecer a legitimidade da ocupação israelita. É uma questão de soberania — se Israel fica, fica como ocupante, não como parceiro de segurança.

Inventor

E Netanyahu? Ele parece determinado a manter as tropas lá. Qual é o seu cálculo?

Model

Netanyahu vê a presença militar como a única garantia de segurança para o norte de Israel. Mas há também política interna — mostrar força é importante para a sua base política.

Inventor

Trump está a ameaçar o Irão. Como é que isso muda o jogo?

Model

As ameaças americanas aumentam a pressão sobre Teerão, mas também podem endurecê-lo. O Irão responde com contra-ameaças. É um padrão de escalada disfarçado de diplomacia.

Inventor

Mas há negociações a começar na Suíça. Há esperança?

Model

Há espaço para negociação, mas os pontos de partida são irreconciliáveis. Israel quer ficar, o Hezbollah quer que saia. Sem movimento em um desses lados, é difícil avançar.

Inventor

E o Ormuz? Por que é que isso importa tanto?

Model

É uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. Se o Irão a fechar, afeta o preço do petróleo globalmente. É uma arma económica que Teerão pode usar.

Want the full story? Read the original at RTP ↗
Contact Us FAQ