Henrique, da dupla com Juliano, é procurado pela Justiça por agressão em 2018

Vítima relatou ter sofrido agressão física com socos na boca e enforcamento durante o incidente.
Enforcou com muita força, deu soco na cara, me mostrou o sangue
Relato de Thiago Martins sobre a agressão que sofreu após festa de aniversário em 2018.

Quatro anos após uma madrugada violenta nos bastidores de uma festa, a Justiça ainda busca Henrique, da dupla sertaneja Henrique e Juliano, para que responda pelo que um técnico em ar-condicionado afirma ter sofrido em seu corpo e em sua dignidade. O cantor encerrou o capítulo criminal com um pagamento, mas o capítulo cível — onde a vítima pede reconhecimento e reparação — permanece aberto, sem que ele tenha se apresentado uma única vez ao tribunal. É o retrato de uma assimetria antiga: quando o poder e a fama tornam o acesso à Justiça um exercício de paciência para quem espera, e de esquiva para quem é esperado.

  • Um técnico em ar-condicionado afirma ter sido socado e enforcado por volta das 6 da manhã, após alguém suspeitar que ele filmava uma festa de aniversário de Marília Mendonça em 2018.
  • Henrique pagou R$ 7,5 mil para encerrar a ação criminal, mas nunca apareceu ao tribunal para responder à ação cível de R$ 50 mil movida pela vítima.
  • A Justiça tentou localizar o cantor em três ou quatro ocasiões, incluindo intimações enviadas à empresa da dupla em Goiânia, sem sucesso.
  • Com a descoberta de que Henrique vive em uma fazenda no Tocantins, o tribunal se prepara para emitir uma Carta Precatória — último recurso formal para forçar sua intimação.
  • A defesa do artista alegou agenda intensa de shows como justificativa, enquanto nenhuma testemunha ouvida confirmou ter presenciado a agressão diretamente.

Em maio de 2022, a Justiça procurava Henrique, da dupla sertaneja Henrique e Juliano, por uma agressão ocorrida quatro anos antes. O caso nasceu após uma festa de aniversário de Marília Mendonça, quando Thiago Martins da Silva, técnico em ar-condicionado, foi agredido por múltiplas pessoas ao tentar acessar a galeria de fotos do próprio celular — gesto interpretado como tentativa de filmar o evento.

Segundo o relato de Thiago, o primeiro soco veio de outra pessoa, mas quando Henrique chegou a situação piorou: o cantor o teria agredido no rosto, enforcado com força e passado a mão ensanguentada em seu rosto, tudo isso de madrugada. A vítima abriu ações nas esferas criminal e cível, pedindo R$ 50 mil em cada uma.

Na frente criminal, Henrique optou pela Transação Penal e pagou R$ 7,5 mil para encerrar o processo. Na ação cível, porém, nunca compareceu. A Justiça tentou localizá-lo repetidas vezes, inclusive no endereço da empresa da dupla em Goiânia. Ao descobrir que o cantor vivia em uma fazenda no Tocantins, o tribunal se preparava para enviar uma Carta Precatória — instrumento formal para garantir que a intimação chegasse até ele.

O delegado responsável pelo caso afirmou que Henrique seria ouvido. A defesa alegou agenda de shows como impedimento. Um detalhe complicava ainda mais o cenário: nenhuma das testemunhas ouvidas disse ter visto a briga acontecer. O cantor havia pago para encerrar um processo, mas permanecia em dívida com outro — e com a Justiça que o procurava.

Em maio de 2022, a Justiça procurava Henrique, integrante da dupla sertaneja Henrique e Juliano, por conta de uma agressão ocorrida quatro anos antes. O caso remontava a 2018, quando, após uma festa de aniversário de Marília Mendonça, um técnico em sistemas de ar-condicionado chamado Thiago Martins da Silva foi agredido por múltiplas pessoas — incluindo, segundo sua versão, o próprio cantor.

O incidente começou de forma simples. Thiago tentava acessar a galeria de fotos em seu celular quando alguém lhe tomou o aparelho das mãos, acreditando que ele pretendia filmar o evento. Um soco na boca foi o primeiro golpe. Mas quando Henrique chegou, a situação escalou. De acordo com o depoimento de Thiago, o cantor não apenas o agrediu com socos no rosto como também o enforcou com força, passou a mão ensanguentada em seu rosto e o insultou. Tudo isso aconteceu por volta das 6 da manhã.

O caso se desdobrou em duas frentes legais. Thiago abriu ações tanto na esfera criminal quanto na cível, pedindo R$ 50 mil em cada uma delas. Na ação criminal, Henrique optou por um acordo chamado Transação Penal, pagando R$ 7,5 mil para encerrar o processo. Mas na ação cível, ele nunca compareceu ao tribunal. A Justiça tentou localizá-lo em três ou quatro ocasiões diferentes, inclusive enviando intimações para o endereço da empresa da dupla em Goiânia. Quando descobriu que o cantor residia em uma fazenda no Tocantins, o tribunal se preparava para enviar uma Carta Precatória — um instrumento formal para garantir que a intimação chegasse até ele.

O delegado Antônio André Santos Júnior, que investigou o caso na época, afirmou que Henrique seria ouvido. A defesa do artista alegou que sua agenda de shows era tão intensa que ele só poderia se pronunciar diante do juiz. Curiosamente, o delegado também observou que nenhuma das testemunhas ouvidas relatou ter presenciado a briga entre Henrique e Thiago — um detalhe que complicava ainda mais a narrativa do caso.

Quando procurada pela imprensa, a assessoria de Henrique enviou uma nota aos veículos de comunicação, mas o conteúdo completo dessa resposta não foi divulgado no relato. O que restava claro era que o cantor enfrentava uma situação legal delicada: havia resolvido a questão criminal com um pagamento, mas permanecia em falta com a Justiça na esfera cível, onde sua ausência nas audiências só aumentava a pressão para que fosse localizado e intimado formalmente.

Fui abrir a galeria de fotos, um deles tomou o celular da minha mão, me desferiu um soco na boca. Apareceu o Henrique que, ao invés de apartar, me enforcou com muita força, deu soco na cara, passou a mão no meu rosto, me mostrou o sangue e me chamou de otário
— Thiago Martins da Silva, vítima da agressão
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um caso de 2018 só veio à tona em 2022?

Model

Provavelmente porque a ação cível se arrastou por anos sem que Henrique comparecesse. A Justiça tentou várias vezes localizá-lo, mas ele não estava onde esperavam. Quando descobriram que ele morava em uma fazenda no Tocantins, precisaram de um instrumento formal para intimá-lo.

Inventor

Ele pagou na ação criminal. Por que não fez o mesmo na cível?

Model

Não sabemos ao certo. A defesa alegou agenda cheia de shows. Mas há uma diferença: na criminal, ele fez um acordo rápido por R$ 7,5 mil. Na cível, Thiago pedia R$ 50 mil — dez vezes mais. Talvez tenha sido uma questão de valor ou de estratégia legal.

Inventor

As testemunhas não viram a briga entre eles?

Model

Exatamente. O delegado deixou isso claro: nenhuma testemunha confirmou ter visto Henrique agredindo Thiago. Isso torna o caso mais complexo — é a palavra de Thiago contra a dele, sem corroboração visual.

Inventor

Como alguém consegue evitar a Justiça por tanto tempo?

Model

Não é que ele estivesse escondido. Ele continuava trabalhando, fazendo shows. O problema é que a Justiça não sabia onde encontrá-lo. Quando você mora em uma fazenda no interior do Tocantins e tem uma agenda de turnês, fica difícil ser intimado formalmente.

Inventor

E agora? O que muda com a Carta Precatória?

Model

Muda tudo. É um instrumento que força a intimação. Ele não pode mais ignorar. Terá de comparecer ou enfrentar consequências legais ainda maiores por desobediência à Justiça.

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