HBR lança oferta por 100% da Helbor em operação para destravar valor

Quando você faz uma venda de meio bilhão e não destrava valor, você pensa maior
O CEO da HBR explicou por que a empresa decidiu fazer a fusão agora, após vender ativos sem resultado.

Sob o mesmo teto familiar, duas empresas do setor imobiliário brasileiro buscam na fusão o que o mercado não lhes concedeu separadamente: reconhecimento de valor. A HBR Realty oferece absorver integralmente a Helbor numa troca de ações, unindo incorporação residencial e ativos comerciais numa só estrutura, numa tentativa de romper o ciclo de desvalorização que afastou investidores mesmo diante de resultados operacionais expressivos.

  • As ações de ambas as empresas acumulam perdas significativas enquanto o Ibovespa avançou 24% nos últimos doze meses — um contraste que tornou a inação insustentável para a família Borenstein.
  • A venda de mais de R$ 500 milhões em ativos no ano anterior não moveu o ponteiro da valorização em bolsa, forçando a liderança da HBR a concluir que apenas um movimento estrutural maior poderia mudar o jogo.
  • A fusão promete quase dobrar a liquidez diária das ações, saltando de R$ 3,5 milhões para R$ 5 milhões, aproximando a empresa combinada de concorrentes como Even e Log.
  • O destino da operação ainda repousa nas mãos dos acionistas minoritários da Helbor, que precisarão aprovar o negócio com maioria de dois terços em assembleia a ser convocada nas próximas semanas.

A HBR Realty apresentou uma oferta para absorver integralmente a Helbor por meio de uma troca de ações, num movimento que reúne duas empresas já controladas pela mesma família Borenstein. A proporção definida é de 0,815 ação da HBR para cada papel da Helbor, calculada com base na média dos últimos 90 pregões de ambas as companhias.

A decisão surgiu de uma frustração concreta: mesmo após vender mais de R$ 500 milhões em ativos no ano anterior, as ações da HBR recuaram 22% nos últimos doze meses, enquanto o Ibovespa avançou 24%. A Helbor também patinou, caindo cerca de 5% no período. Ambas negociam com desconto de aproximadamente 30% em relação ao valor patrimonial. "Quando você faz uma venda de meio bilhão achando que vai destravar valor e não destrava, você começa a pensar se não precisa fazer um movimento maior", disse Alexandre Nakano, presidente-executivo da HBR.

A empresa resultante terá faturamento combinado de R$ 1,6 bilhão, lucro bruto de R$ 559 milhões e patrimônio líquido de R$ 3,2 bilhões. A fusão une a incorporação residencial da Helbor ao fluxo de caixa mais previsível dos ativos comerciais da HBR — prédios corporativos, strip malls da marca ComVen e hotéis como o W, recém-inaugurado em São Paulo. Nakano também destacou o acesso ao land bank da Helbor, avaliado em R$ 12 bilhões e concentrado 83% em São Paulo, como um ganho estratégico relevante diante da escassez de terrenos.

Entre os benefícios práticos, a liquidez diária das ações deve saltar dos atuais R$ 3,5 milhões combinados para R$ 5 milhões, e a governança será simplificada: decisões que hoje percorrem dois conselhos e seus respectivos comitês passarão a tramitar em uma única estrutura. A operação, assessorada pelo BTG Pactual e com parecer de equidade do Bradesco BBI, ainda depende de aprovação de pelo menos dois terços dos acionistas minoritários da Helbor em assembleia extraordinária a ser convocada nas próximas semanas.

A HBR Realty apresentou uma oferta para adquirir a totalidade da Helbor através de uma operação de troca de ações, movimento que reunirá duas empresas sob o mesmo controle familiar com a intenção de gerar sinergias e desbloquear o potencial das ações que permaneceram estagnadas no mercado. Os acionistas da Helbor receberão 0,815 ação da HBR para cada papel que possuem, proporção calculada com base no desempenho médio das duas companhias nos últimos 90 pregões.

Ambas as empresas estão sob o comando da família Borenstein, que detém 51% do capital de cada uma, enquanto o restante encontra-se pulverizado entre investidores pessoas físicas e fundos, sem nenhum deles ultrapassando a marca de 5%. A operação representa uma resposta à performance decepcionante das ações em bolsa. Nos últimos doze meses, enquanto o Ibovespa avançou 24%, as ações da HBR recuaram 22%, deixando a empresa avaliada em R$ 271 milhões. A Helbor, por sua vez, caiu aproximadamente 5% no mesmo período, com capitalização de R$ 317 milhões. Ambas negociam com desconto de cerca de 30% em relação ao seu valor patrimonial.

Alexandre Nakano, presidente-executivo da HBR, explicou ao Brazil Journal que a decisão de avançar com a fusão neste momento surgiu após a venda de ativos que ultrapassou R$ 500 milhões no ano anterior, sem que isso resultasse em desbloqueio de valor no mercado. "Quando você faz uma venda de meio bilhão achando que vai destravar valor e não destrava, você começa a pensar se não precisa fazer um movimento maior," afirmou. A operação promete criar uma companhia de maior porte, com governança simplificada e otimização de custos operacionais.

Um dos principais benefícios reside na liquidez das ações. Atualmente, os papéis da HBR movimentam cerca de R$ 1 milhão diariamente, enquanto a Helbor negocia R$ 2,5 milhões. Com a fusão, a liquidez saltará para R$ 3,5 milhões no primeiro dia útil e deverá atingir R$ 5 milhões, aproximando-se dos patamares de empresas como Even e Log. A empresa resultante contará com faturamento combinado de R$ 1,6 bilhão, lucro bruto de R$ 559 milhões e patrimônio líquido de R$ 3,2 bilhões.

A unificação criará um negócio mais diversificado e previsível ao combinar a incorporação residencial da Helbor com o fluxo de caixa resiliente gerado pelos ativos comerciais da HBR, que incluem prédios comerciais, strip malls sob a marca ComVen e hotéis como o W, recentemente inaugurado em São Paulo. Nakano destacou que a operação permitirá à HBR acessar o land bank da Helbor, avaliado em R$ 12 bilhões, sendo 83% localizado em São Paulo, principalmente em regiões de médio e alto padrão. "Um dos grandes desafios que temos é encontrar terreno," observou o executivo.

A simplificação da governança também figura entre os ganhos esperados. Atualmente, decisões envolvendo ambas as empresas precisam passar por dois conselhos e respectivos comitês. A incorporação da Helbor pela HBR agilizará o processo decisório, gerando ganhos de eficiência operacional. A operação ainda depende de aprovação dos acionistas minoritários da Helbor em assembleia geral extraordinária a ser convocada nas próximas semanas, onde pelo menos dois terços dos acionistas habilitados precisarão votar favoravelmente.

O BTG Pactual atuou como assessor da HBR, enquanto o Bradesco BBI foi contratado para emitir parecer de equidade. A assessoria jurídica ficou a cargo do Trindade Advogados. A operação marca um ponto de inflexão para duas empresas que enfrentam desafios comuns de valorização em bolsa, buscando através da consolidação recuperar o interesse do mercado investidor.

Esse movimento vai criar uma companhia maior, mais fluída, com uma governança mais simples, e com otimização de custos
— Alexandre Nakano, CEO da HBR
Um dos grandes desafios que temos é encontrar terreno. A Helbor tem um land bank de R$ 12 bilhões, que é 83% em São Paulo
— Alexandre Nakano, CEO da HBR
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que agora? A HBR vendeu meio bilhão em ativos no ano passado. O que mudou?

Model

A ação não se mexeu. Quando você faz uma venda desse tamanho esperando destravar valor e nada acontece, você percebe que o problema é mais profundo. Não é só falta de ativos, é falta de tamanho, de liquidez, de visibilidade no mercado.

Inventor

A liquidez é realmente tão ruim assim?

Model

Sim. A HBR negocia R$ 1 milhão por dia. Para uma empresa de R$ 271 milhões de valor, isso é praticamente invisível. Ninguém consegue entrar ou sair de uma posição sem mexer no preço.

Inventor

E a fusão resolve isso?

Model

No primeiro dia já sobe para R$ 3,5 milhões. A expectativa é chegar a R$ 5 milhões. Não é transformador, mas coloca a empresa numa faixa onde investidores institucionais conseguem operar.

Inventor

Mas por que a Helbor aceitaria? Ela está em melhor situação que a HBR.

Model

Não está, não. Ambas negociam com 30% de desconto em relação ao patrimônio. A Helbor tem um land bank gigante, R$ 12 bilhões, mas não consegue monetizar. Sozinha, ela fica presa. Junto com a HBR, consegue usar esse terreno para construir e gerar caixa.

Inventor

E a governança? Isso é realmente um problema?

Model

Quando você tem duas empresas com dois conselhos, dois comitês, duas estruturas, tudo fica mais lento. Decisões simples viram complexas. Unificar isso libera agilidade e reduz custos.

Inventor

Qual é o risco aqui?

Model

Os acionistas minoritários da Helbor precisam aprovar. Se a base acionária achar que está sendo diluída, pode rejeitar. Mas com a família Borenstein controlando 51% de cada lado, a aprovação é praticamente certa.

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