A oitava onda de calor do ano começa esta quinta-feira. Deve ser a mais quente,…
Portugal atravessa a oitava onda de calor de 2026 numa era em que o verão deixou de ser apenas sinónimo de férias e praia para se tornar numa estação de perigos sobrepostos e mutuamente amplificados. Cientistas alertam que entre maio e outubro o calor extremo, a seca, os incêndios e os impactos na saúde formam agora um ciclo vicioso com consequências humanas crescentes. O país já igualou em junho o total de ondas de calor de anos inteiros, e os modelos climáticos apontam para um agravamento progressivo ao longo do século.
- A oitava onda de calor do ano arranca esta quinta-feira e promete ser a mais intensa, por ser a terceira consecutiva — o calor acumulado no solo e no ar amplifica cada novo episódio.
- Portugal igualou em junho o número total de ondas de calor registadas em 2020 e em 2023, sinalizando uma aceleração sem precedentes no calendário climático do país.
- O conceito de 'Danger Season' descreve um ciclo vicioso em que o calor alimenta a seca, a seca favorece os incêndios e os incêndios degradam o ar, agravando a saúde de populações já fragilizadas pelo calor.
- As mortes são o custo mais visível: 1.331 óbitos acima do esperado em Portugal no verão de 2025 e mais de 200 mil mortes relacionadas com calor na Europa nos últimos quatro anos, segundo a OMS.
- Os cenários futuros são sombrios — megassecas superiores a 15 anos na Península Ibérica e uma mortalidade associada ao calor 30% superior à de há duas décadas apontam para uma crise estrutural, não episódica.
Durante décadas, o verão português foi sinónimo de dias longos, praias cheias e férias merecidas. Essa imagem não desapareceu, mas partilha agora espaço com outra realidade: a de uma estação progressivamente mais longa e mais perigosa, moldada por fenómenos que se reforçam uns aos outros de forma implacável.
A oitava onda de calor de 2026 começa esta quinta-feira. Não é apenas mais um número — é potencialmente a mais intensa do ano, precisamente por ser a terceira consecutiva. O calor acumulado no solo, nas cidades e no ar não dissipa entre episódios, tornando cada nova vaga mais difícil de suportar. Até junho, Portugal já tinha igualado o total de ondas de calor registadas em anos completos como 2020 e 2023.
Cientistas norte-americanos cunharam o conceito de 'Danger Season' para descrever o que está a acontecer: entre maio e outubro, o calor extremo, a seca, os incêndios florestais e os impactos na saúde deixaram de ser eventos isolados para se tornarem um ciclo vicioso. O calor favorece a seca; a seca aumenta o risco de incêndio; os incêndios degradam a qualidade do ar; o ar degradado agrava as condições de saúde de quem já sofre com o calor. Cada elo da cadeia alimenta o seguinte.
O custo humano é mensurável e crescente. Em julho e agosto de 2025, Portugal registou 1.331 mortes acima do esperado durante uma onda de calor. À escala europeia, a OMS contabiliza mais de 200 mil mortes relacionadas com calor extremo nos últimos quatro anos. A mortalidade associada ao calor aumentou 30% nas últimas duas décadas.
O horizonte não é tranquilizador. Estudos climáticos preveem megassecas com duração superior a 15 anos na Península Ibérica antes do final do século, e as noites tropicais — aquelas em que a temperatura não desce abaixo dos 20 graus — multiplicam-se, retirando ao corpo humano o descanso térmico que a noite sempre garantiu. A 'estação do perigo' não é uma metáfora: é uma nova realidade climática que Portugal está a aprender a habitar.
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Durante décadas, o verão significou apenas dias mais quentes e mais longos. E férias e praia, claro. Mas para um número crescente de cientistas norte-americanos, significa agora uma outra coisa: calor extremo, incêndios, secas, tempestades…
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