Copom reduz Selic em 0,25 ponto, mas guerra no Oriente Médio não explica juros altos

Ninguém sabe quanto tempo a guerra durará nem seus efeitos permanentes
O Banco Central reconhece a incerteza geopolítica e adia decisões futuras até ter mais informações sobre o conflito.

Copom fez corte mínimo na Selic (0,25 ponto) em vez do esperado (0,5 ponto) devido ao conflito entre EUA, Israel e Irã e disparada do petróleo. Guerra no Oriente Médio pressiona inflação global via preços de commodities e energia, afetando diretamente a economia brasileira e cadeia de suprimentos.

  • Copom cortou Selic em 0,25 ponto para 14,75% ao ano
  • Mercado esperava corte de 0,5 ponto antes da guerra no Oriente Médio
  • PIB do segundo semestre de 2025 ficou zerado
  • Próxima reunião do Copom será no fim de abril

Copom cortou a taxa Selic em 0,25 ponto para 14,75% ao ano, citando incertezas da guerra no Oriente Médio, mas editorial aponta irresponsabilidade fiscal de Lula como principal causa dos juros altos.

O Banco Central do Brasil anunciou na quarta-feira uma redução de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, levando-a a 14,75% ao ano. A decisão representou um afrouxamento menor do que o mercado financeiro esperava — a maioria dos analistas apostava em um corte de meio ponto. O que mudou entre as projeções e o anúncio foi a eclosão de um conflito armado envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, um evento que reconfigurou as condições econômicas globais em questão de dias.

A guerra no Oriente Médio trouxe consigo uma consequência imediata e visível: o preço do petróleo disparou. Essa alta ressoa por toda a cadeia econômica brasileira. Energia e combustíveis ficam mais caros, o que encarece o transporte de mercadorias, as passagens aéreas, e uma miríade de outros produtos e serviços. O resultado é pressão sobre a inflação — exatamente o inimigo que o Banco Central havia conseguido domesticar, trazendo-a de volta para dentro da banda de tolerância da meta do IPCA.

Em comunicado, o Copom reconheceu que o "ambiente externo tornou-se mais incerto" devido ao "acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio", com reflexos nas condições financeiras globais. A instituição apontou preocupações legítimas: os efeitos sobre a cadeia de suprimentos mundial e os preços de commodities que afetam, direta e indiretamente, a inflação brasileira. Ninguém sabe ainda quanto tempo o conflito durará, se os objetivos militares serão alcançados, ou quando — se é que — os petroleiros conseguirão navegar livremente pelo Estreito de Ormuz, o que aliviaria a pressão nos preços do petróleo.

O Copom também citou outro fator para justificar o corte mínimo: o período prolongado de juros altos havia começado a desacelerar a atividade econômica. O PIB do segundo semestre de 2025 ficou zerado, um sinal de que a política monetária contracionista estava fazendo seu trabalho — talvez demais. Assim, o corte de 0,25 ponto emergiu como um meio termo: não era a manutenção dos juros em 15%, que teria sido defensável em tempos normais, nem era o corte de 0,5 ponto que o mercado esperava antes da guerra.

O Banco Central norte-americano, para efeito de comparação, manteve seus juros na faixa de 3,5% a 3,75%, apesar das pressões políticas do presidente Donald Trump. A decisão brasileira reflete uma cautela que parece apropriada diante da incerteza.

Para a próxima reunião, marcada para o fim de abril, o Copom não antecipou nada. A instituição limitou-se a dizer que será necessária "serenidade e cautela" na condução da política monetária, de forma que futuras decisões possam incorporar novas informações sobre a profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços. A verdade é que ninguém consegue prever se estamos diante de um choque temporário ou se a guerra deixará uma marca permanente — um novo patamar para os preços internacionais do petróleo que persista mesmo após o fim das hostilidades.

O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais
— Copom
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o Copom não cortou os juros em meio ponto, como o mercado esperava?

Model

Porque a guerra no Oriente Médio mudou o cenário em questão de dias. O petróleo disparou, e isso pressiona a inflação. O Banco Central precisou ser mais cauteloso.

Inventor

Mas o Fed manteve seus juros estáveis. Por que o Brasil não fez o mesmo?

Model

O Brasil tem uma vulnerabilidade maior. Dependemos mais de importações de petróleo e commodities. Uma alta nos preços afeta nossa inflação de forma mais direta e rápida.

Inventor

O editorial diz que a guerra não é o verdadeiro culpado pelos juros altos. Qual é então?

Model

A irresponsabilidade fiscal. Os juros estão altos há muito tempo porque o governo gasta mais do que arrecada. A guerra é um fator adicional, mas não é a causa raiz.

Inventor

Como a guerra afeta a inflação brasileira especificamente?

Model

Petróleo caro significa combustível caro, energia cara, transporte mais caro. Tudo isso encarece produtos e serviços. A inflação sobe, e o Banco Central precisa manter juros altos para controlar.

Inventor

O Copom vai cortar mais juros em abril?

Model

Ninguém sabe. O Banco Central disse que vai esperar por mais clareza sobre a duração e os impactos da guerra. Tudo depende do que acontecer nos próximos meses.

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