Investidores institucionais da Warren se tornam acionistas da plataforma argentina
Em um movimento que redesenha o mapa das fintechs latino-americanas, a argentina Cocos Capital adquire a Warren, plataforma brasileira com R$ 20 bilhões sob custódia, marcando sua primeira travessia de fronteira. A operação, cujo valor permanece em sigilo, une duas empresas nascidas da mesma era de democratização financeira — uma em Buenos Aires, outra em Porto Alegre — e sinaliza que a consolidação regional do setor deixou de ser promessa para se tornar movimento concreto.
- A Cocos Capital, que nunca captou capital externo e se financiou pelos próprios fundadores, dá um salto de escala ao entrar no maior mercado da América Latina de uma só vez.
- A Warren, que buscava um sócio estratégico há pelo menos um ano, encerra sua trajetória independente com uma venda total — fundadores Maisonnave e Gusmão seguem em projeto próprio.
- Investidores institucionais como a Kaszek Ventures, que apostaram no Brasil, tornam-se agora acionistas de uma plataforma argentina — o pagamento misto em dinheiro e ações embaralha as fronteiras do capital.
- A infraestrutura da corretora Renascença, embutida no negócio, entrega à Cocos Capital uma operação regulada e pronta no Brasil, eliminando anos de construção burocrática.
- Com a meta de superar US$ 100 milhões em receita até fim de 2026, a operação ainda aguarda aprovação regulatória — o cronograma ambicioso depende de um sinal verde que ainda não chegou.
A Cocos Capital, fintech argentina fundada em 2021 por Nicolás Mindlin e Ariel Sbdar, anunciou a compra da Warren, plataforma brasileira criada por ex-executivos da XP que acumula mais de R$ 20 bilhões em custódia. É a primeira expansão internacional da empresa de Buenos Aires e parte de uma estratégia maior que inclui a recente aquisição do Banco Voii na Argentina.
A Warren surgiu em 2017 pelas mãos de Marcelo Maisonnave e Tito Gusmão e, após captar recursos de fundos como a Kaszek Ventures, passou a buscar um sócio estratégico. As conversas com a Cocos Capital evoluíram para uma venda completa — valor não divulgado. O pagamento será feito em dinheiro e ações da empresa argentina, transformando os investidores institucionais da Warren em acionistas da plataforma portenha. Os fundadores seguirão em uma iniciativa independente de tecnologia e distribuição.
O negócio inclui a infraestrutura da corretora Renascença, hoje Warren Rena, além das operações de gestão de recursos e mercado de capitais — um conjunto de ativos que poupa à Cocos Capital o esforço de construir presença regulatória no Brasil do zero.
A empresa argentina encerrou 2025 com mais de dois milhões de clientes, receita de US$ 49,7 milhões e Ebitda ajustado de US$ 25 milhões, tudo financiado sem capital externo. Com as duas aquisições, projeta superar US$ 100 milhões em receita anual e administrar mais de US$ 4 bilhões em ativos até o fim de 2026. A operação ainda aguarda aprovação dos reguladores.
A Cocos Capital, plataforma financeira argentina fundada há cinco anos, está entrando no Brasil pela primeira vez — e o faz de forma ambiciosa, comprando a Warren, uma fintech brasileira que movimenta mais de R$ 20 bilhões em custódia. A operação marca o primeiro passo internacional da empresa e integra-se a uma estratégia maior de consolidação regional que inclui, também, a recente aquisição do Banco Voii na Argentina.
A Warren nasceu em 2017 das mãos de Marcelo Maisonnave e Tito Gusmão, ambos ex-executivos da XP. Desde então, a plataforma construiu uma base de clientes e captou recursos de fundos de venture capital, mas vinha procurando um sócio estratégico há pelo menos um ano. A conversa com a Cocos Capital evoluiu até virar uma venda total — cifra mantida em sigilo. O pagamento será feito em uma mistura de dinheiro e ações da empresa argentina, o que significa que investidores institucionais da Warren, como a Kaszek Ventures, passarão a ser acionistas da plataforma de Buenos Aires. Maisonnave e Gusmão, por sua vez, seguirão em um projeto independente de tecnologia e distribuição.
A aquisição inclui a infraestrutura da antiga corretora Renascença — hoje operando como Warren Rena — além das operações de gestão de recursos e mercado de capitais da Warren. Trata-se de um ativo consolidado que dá à Cocos Capital uma entrada pronta no mercado brasileiro, sem precisar construir do zero.
A Cocos Capital foi fundada em 2021 pelos empresários Nicolás Mindlin, que é chairman, e Ariel Sbdar, CEO. A empresa nunca buscou capital externo, financiando-se integralmente pelos fundadores e pela geração de caixa própria. Ao encerrar 2025, a plataforma argentina tinha mais de dois milhões de clientes, receita de US$ 49,7 milhões e Ebitda ajustado de US$ 25 milhões.
Com a compra da Warren e a aquisição do Banco Voii, a Cocos Capital projeta superar US$ 100 milhões em receita anual até o final de 2026 e administrar mais de US$ 4 bilhões em ativos sob gestão. Para a empresa, o mercado brasileiro representa uma chave para ganhar escala regional — e essa transação é o primeiro movimento concreto nessa direção. A operação ainda está sob análise dos reguladores.
Citas Notables
A aquisição faz parte da estratégia de consolidação regional da Cocos, que vê o mercado brasileiro como chave para ganhar escala— Fonte próxima à operação
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a Cocos Capital escolheu comprar a Warren em vez de construir sua própria operação no Brasil do zero?
Porque tempo é dinheiro. A Warren já tem clientes, infraestrutura, licenças regulatórias e um histórico de operação. Construir tudo isso levaria anos. Comprando, a Cocos ganha escala imediata em um mercado que ela vê como essencial para crescimento regional.
E o que acontece com os fundadores da Warren? Eles simplesmente saem?
Não exatamente. Maisonnave e Gusmão seguem em um projeto independente de tecnologia e distribuição. Não é um desaparecimento — é uma transição. Eles ficam com ações da Cocos Capital também, então têm interesse no sucesso da operação.
Os investidores da Warren, como a Kaszek Ventures, viram seu investimento brasileiro virar um ativo argentino. Como isso funciona?
Eles recebem ações da Cocos Capital em troca. Basicamente, em vez de ter uma participação em uma fintech brasileira, agora têm uma participação em uma plataforma argentina que está crescendo regionalmente. É uma aposta diferente, mas potencialmente maior.
A Cocos Capital nunca captou dinheiro externo. Como ela conseguiu financiar essa compra?
Pelos fundadores e pelo caixa que gerou. Isso mostra uma empresa muito lucrativa e disciplinada. Quando você não depende de investidores externos, você pode fazer movimentos estratégicos sem pressão de acionistas.
Qual é o tamanho real dessa operação?
A cifra não foi divulgada, mas dá para ter uma ideia: a Warren tem R$ 20 bilhões sob custódia. A Cocos projeta administrar mais de US$ 4 bilhões em ativos após essa compra e a do Banco Voii. Estamos falando de uma consolidação significativa do mercado financeiro regional.