Governo anuncia segunda fase do Desenrola para adimplentes com juros altos

O trabalhador informal é quem mais toma juros caros no país
Durigan explicou por que a segunda fase do programa foca em trabalhadores sem renda fixa.

Em um país onde o crédito caro é muitas vezes o único caminho disponível para quem vive da informalidade, o governo brasileiro anuncia uma segunda fase do Desenrola Brasil voltada não aos que já caíram, mas aos que ainda resistem — adimplentes sufocados por juros elevados. O Ministério da Fazenda reconhece, assim, que pagar em dia nem sempre significa estar bem: para milhões de trabalhadores informais, cada parcela honrada é uma vitória conquistada à beira do abismo. O lançamento, previsto entre maio e junho, sinaliza uma rara tentativa de intervir antes da queda, e não apenas depois dela.

  • Trabalhadores informais pagam as maiores taxas de juros do país justamente por não terem como comprovar renda estável — uma armadilha estrutural que o novo programa tenta romper.
  • O programa Desenrola já está em operação, mas enfrentou tropeços técnicos no início; o governo garantiu que os ajustes foram resolvidos em poucas horas e as renegociações já estão disponíveis nos aplicativos bancários.
  • O Ministério da Fazenda estuda ainda recompensar estudantes do Fies que mantêm pagamentos em dia, envolvendo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal nas discussões.
  • A medida representa uma virada de abordagem: em vez de agir apenas sobre a inadimplência já instalada, o governo tenta aliviar a pressão sobre quem ainda paga, mas vive no limite.

O ministro da Fazenda anunciou nesta quarta-feira a preparação de uma segunda fase do Desenrola Brasil, com foco inédito: desta vez, o programa não mira quem já deixou de pagar, mas quem ainda paga — e sofre para isso. O lançamento está previsto para o intervalo entre o final de maio e o início de junho, com atenção especial aos trabalhadores informais, que vivem sem renda fixa e, por isso, são cobrados com os juros mais altos do mercado.

Dario Durigan explicou que a lógica é perversa: exatamente quem tem menos estabilidade financeira acaba pagando o maior prêmio de risco. Sem comprovação de renda, os bancos elevam as taxas, tornando o crédito mais caro para quem menos pode arcar com ele. O governo quer criar uma linha específica para esse grupo, reconhecendo a fragilidade estrutural que marca a vida financeira de milhões de brasileiros.

O ministério também estuda incentivos para estudantes do Fies que mantêm seus pagamentos em dia, com o objetivo de estimular a adimplência contínua. As conversas envolvem o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, principais operadores do financiamento estudantil.

O Desenrola já está em funcionamento, apesar de pequenos problemas técnicos no início — um 'ruidinho', nas palavras do ministro, resolvido em poucas horas. Após a publicação da portaria regulamentadora, os bancos retomaram as renegociações. Durigan orientou os interessados a acessarem seus aplicativos bancários e buscarem a opção de renegociação, já disponível.

A iniciativa marca uma mudança de perspectiva: o governo passa a enxergar que muitos brasileiros estão presos não pela inadimplência, mas pelos juros altos que tornam cada pagamento uma ameaça ao próximo. Para o trabalhador informal, essa tensão é permanente — e o novo Desenrola é uma tentativa de intervir antes que ela se torne uma queda.

O ministro da Fazenda anunciou nesta quarta-feira que o governo está preparando uma segunda fase do programa Desenrola Brasil, desta vez voltada para pessoas que estão em dia com suas obrigações, mas sufocadas por taxas de juros altas e parcelas que pesam no orçamento. O lançamento deve acontecer entre o final de maio e o início de junho, com ênfase especial em trabalhadores informais — aqueles que ganham dia a dia, sem a segurança de uma renda fixa mensal.

Dario Durigan explicou que esse público enfrenta uma realidade econômica particularmente frágil. O trabalhador informal, sem renda previsível, acaba sendo exatamente quem paga as maiores taxas de juros no país. Porque não tem comprovação de renda estável, os bancos cobram um prêmio de risco mais alto. O governo quer criar uma linha de crédito específica para esse grupo, reconhecendo que a volatilidade de ganhos torna a vida financeira desses trabalhadores mais precária e cara.

Além disso, o ministério estuda incentivos para estudantes que mantêm em dia o pagamento do Fies, o financiamento estudantil. A ideia é simples: recompensar quem paga em dia, estimulando a adimplência contínua. Essas discussões envolvem o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, os dois principais operadores do programa de financiamento estudantil.

O programa Desenrola já começou a funcionar, embora tenha enfrentado alguns problemas técnicos no início. Durigan relatou que houve um "ruidinho" — pequenos ajustes operacionais necessários — mas que tudo foi resolvido em poucas horas. Após a publicação da portaria que regulamenta o programa, os bancos iniciaram as renegociações. O ministro pediu aos interessados que acessem seus aplicativos bancários e procurem pela opção de renegociação, que já está disponível.

A medida reflete uma mudança na abordagem do governo em relação ao crédito. Em vez de focar apenas em quem está inadimplente, o novo Desenrola reconhece que muitas pessoas conseguem pagar suas dívidas, mas estão presas em ciclos de juros altos que as impedem de sair da situação de aperto financeiro. Para trabalhadores informais, essa situação é ainda mais crítica, porque a falta de previsibilidade de renda torna qualquer parcela pesada um risco constante de inadimplência.

Nós estamos estudando uma segunda rodada para quem está adimplente e tem juros altos
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
O trabalhador informal é quem mais toma juros caros no país
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o governo decidiu focar em pessoas que já estão pagando em dia? Parece contraditório.

Model

Não é. Quem está adimplente mas paga juros altos está preso. Pode cair na inadimplência a qualquer momento porque a parcela é pesada demais. É prevenção, não resgate.

Inventor

E por que trabalhadores informais são tão importantes nessa história?

Model

Porque eles são os que mais sofrem com juros caros. Sem renda fixa comprovada, os bancos cobram muito mais. O governo reconhece que essa é uma população vulnerável que precisa de uma saída.

Inventor

Os bancos estão cooperando? Houve resistência?

Model

Não parece. Tiveram ajustes técnicos no início, mas rápido. Os bancos já começaram as renegociações. Provavelmente veem isso como uma forma de manter clientes e reduzir inadimplência futura.

Inventor

E os estudantes do Fies? Por que incluir isso agora?

Model

Porque muitos estudantes pagam em dia mas com dificuldade. Se o governo oferece um incentivo — talvez redução de juros ou bônus — mantém a adimplência e reduz o risco de calote.

Inventor

Qual é o risco dessa política?

Model

Se não for bem desenhada, pode beneficiar quem já tem mais estabilidade e deixar para trás quem realmente está na corda bamba. Mas a intenção é clara: evitar que pessoas que conseguem pagar caiam no buraco.

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