Prefiro terrenos disponíveis não utilizados do que perder investimento
Em Torres Vedras, o ministro da Economia Manuel Castro Almeida anunciou a criação de seis grandes áreas empresariais distribuídas pelo território português, cada uma com entre três e oito quilómetros quadrados, concebidas para atrair multinacionais que hoje escolhem outros países por falta de espaço infraestruturado adequado. O plano replica, em escala menor e geograficamente dispersa, o modelo de Sines — reconhecendo que Portugal tem perdido investimento não por falta de interesse, mas por falta de oferta. É uma aposta na antecipação: preparar o terreno antes de a procura bater à porta.
- Grandes empresas internacionais chegam a Portugal com intenção de investir, mas partem sem assinar contratos — o país não tem terrenos infraestruturados com a dimensão que exigem.
- O Governo responde com um plano de seis zonas empresariais de grande escala, distribuídas entre Norte, Centro, Lisboa e Alentejo, para eliminar esse obstáculo estrutural.
- A urgência é competitiva: a corrida europeia por investimento industrial intensifica-se, e cada empresa perdida para um país vizinho representa empregos e receita que não regressam.
- A execução está dividida — a Global Parks promove, as Comissões Regionais decidem a localização, e o Governo ainda procura o financiamento para tornar as áreas funcionais.
- O plano está anunciado, mas a sua concretização depende de coordenação entre entidades, aprovação de localizações e captação de fundos — o caminho entre a ambição e o betão ainda é longo.
Manuel Castro Almeida escolheu Torres Vedras para anunciar um plano com ambições nacionais: seis grandes zonas empresariais espalhadas por Portugal, cada uma entre três e oito quilómetros quadrados, desenhadas para fixar multinacionais que hoje passam ao lado do país. A distribuição geográfica é deliberada — duas áreas no Norte, duas no Centro, uma em Lisboa e uma no interior do Alentejo — e o modelo inspirador é Sines, o complexo industrial alentejano que serve de referência nacional, agora replicado em menor escala e com maior dispersão territorial.
O anúncio não foi feito ao acaso naquele local. A inauguração de uma variante rodoviária que liga a A8 à Área Empresarial das Palhagueiras sublinhou a mensagem central: infraestrutura e conectividade são tão importantes quanto o terreno em si. As multinacionais que o Governo quer atrair não procuram apenas espaço — procuram espaço pronto, ligado e estrategicamente posicionado.
O ministro foi claro sobre o problema que o plano pretende resolver. Empresas internacionais chegam a Portugal dispostas a investir, mas acabam por escolher outros países porque não encontram terrenos infraestruturados com as dimensões necessárias. A solução proposta é antecipar a procura: ter oferta disponível antes de a empresa aparecer, em vez de improvisar quando o interesse já existe.
A execução envolve várias mãos. A Global Parks, ligada à agência de investimento externo portuguesa, será a promotora das áreas. As Comissões Regionais de Coordenação terão a palavra sobre a localização concreta de cada zona. E ao Governo caberá encontrar o financiamento para transformar intenções em infraestrutura real — a parte do plano que permanece, por agora, em aberto.
Manuel Castro Almeida estava em Torres Vedras quando anunciou um plano que o Governo acredita poder mudar a forma como Portugal compete pela atenção das grandes empresas internacionais. A ideia é simples na sua ambição: criar seis zonas empresariais de grande escala espalhadas pelo país, cada uma com entre três e oito quilómetros quadrados, desenhadas especificamente para atrair e fixar multinacionais que procuram espaço, infraestrutura e localização estratégica.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial explicou a distribuição geográfica com precisão. Duas áreas ficariam no Norte, duas no Centro — uma junto ao litoral e outra no interior — uma em Lisboa e uma última no interior do Alentejo. O modelo que o Governo quer replicar é o de Sines, o grande complexo industrial do Alentejo que funciona como referência nacional para este tipo de empreendimento, mas agora em escala menor e distribuído por todo o território.
O anúncio surgiu no contexto da inauguração de uma variante rodoviária que liga a autoestrada A8 à Área Empresarial das Palhagueiras, em Torres Vedras. Não foi coincidência. A infraestrutura viária é parte essencial da estratégia — as multinacionais que o Governo quer atrair procuram não apenas terreno, mas terreno bem conectado, com acesso rápido a transportes e a mercados.
Castro Almeida foi direto ao ponto quando questionado sobre a justificação para este investimento. Grandes empresas internacionais chegam regularmente a Portugal com intenção de investir, disse, mas acabam por escolher outros países porque não encontram aqui o que procuram: terrenos já infraestruturados, com as dimensões que necessitam, prontos para receber operações de envergadura. O ministro defendeu a estratégia de ter terrenos disponíveis e não utilizados como preferível a perder investimento por não ter oferta adequada.
A execução do plano foi distribuída entre várias entidades. A Global Parks, empresa que pertence à Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, será responsável por promover e desenvolver estas áreas. As Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional terão a palavra final sobre onde exatamente cada zona será localizada, garantindo que as decisões refletem as realidades e potencialidades regionais. Ao Governo caberá a tarefa de encontrar o financiamento necessário para construir a infraestrutura que tornará estas áreas funcionais.
O que está em jogo é a capacidade de Portugal se posicionar como destino credível para investimento industrial de grande escala. Num contexto em que a concorrência entre países europeus por este tipo de investimento é intensa, ter terrenos prontos e infraestruturados pode fazer a diferença entre uma empresa escolher Portugal ou optar por um concorrente. O plano reconhece implicitamente que a falta de oferta adequada tem sido um obstáculo real, e que a solução passa por antecipar a procura em vez de reagir a ela.
Citas Notables
Queremos construir áreas empresariais entre os três e os oito quilómetros quadrados, replicando à escala mais reduzida aquilo que é Sines— Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial
Há permanentemente empresas internacionais de grande dimensão com vontade de investir em Portugal que estão a escolher outros países porque não há em Portugal terrenos devidamente infraestruturados— Manuel Castro Almeida
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que o Governo acha que seis áreas são o número certo? Não seria melhor começar com menos e expandir conforme a procura?
A ideia é não deixar escapar investimento por falta de oferta. Se tiver apenas uma ou duas áreas e elas ficarem cheias, a próxima multinacional que chegar vai para outro país. Seis permite cobrir geograficamente o país inteiro e ter sempre terreno disponível.
Mas quem garante que estas áreas vão ser procuradas? E se ficarem vazias durante anos?
Esse é o risco que o ministro admitiu aceitar. Ele disse explicitamente que prefere ter terrenos não utilizados do que perder investimento. É uma aposta na atração, não na reação.
A distribuição geográfica parece pensada. Duas a Norte, duas no Centro, uma em Lisboa, uma no Alentejo. Há alguma lógica por trás?
Sim. Tenta cobrir o país inteiro e reflete as realidades regionais — o Norte tem indústria, o Centro tem potencial, Lisboa é a capital, o Alentejo precisa de desenvolvimento. Nenhuma região fica de fora.
E a Global Parks vai gerir tudo isto sozinha?
Não. A Global Parks promove e desenvolve, mas as Comissões Regionais decidem a localização. O Governo arranja o dinheiro. É um modelo de responsabilidade partilhada.
Qual é o verdadeiro obstáculo que isto tenta resolver?
Que Portugal perde investimento multinacional porque não tem terrenos infraestruturados da dimensão que as grandes empresas precisam. Isto tenta mudar essa realidade antes de as empresas chegarem à porta.