Governo Lula prepara MP com subsídio ao diesel e novo programa de renegociação de dívidas

Famílias endividadas receberão alívio através do perdão de até 80% das dívidas e refinanciamento com juros reduzidos.
O governo paga do seu bolso, sem truques contábeis
Reflexão sobre a rejeição de Durigan às isenções fiscais como forma de financiar o programa de renegociação de dívidas.

Em resposta às turbulências econômicas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, o governo federal brasileiro prepara duas medidas de alívio imediato: um subsídio temporário ao diesel e um programa ampliado de renegociação de dívidas familiares. A iniciativa, anunciada pelo ministro em exercício da Fazenda, Dario Durigan, revela um Estado tentando absorver, com recursos próprios, os choques que chegam de fora e se instalam dentro de casa — nas bombas de combustível e nas planilhas de famílias endividadas.

  • O preço do diesel disparou 22,53% em apenas um mês, pressionando transportadores e ameaçando encarecer toda a cadeia de consumo no país.
  • O governo responde com um subsídio de R$ 1,20 por litro entre abril e maio, dividindo os R$ 3 bilhões de custo com os estados — mais de 80% dos quais já aderiram.
  • Famílias endividadas terão acesso a um programa que pode perdoar até 80% das dívidas, com os 20% restantes refinanciados a juros reduzidos.
  • A Medida Provisória está redigida e aguarda apenas o retorno do presidente Lula a Brasília, enquanto o programa de renegociação deve ser lançado em dez dias.
  • O ministro Durigan descartou isenções de IOF como contrapartida aos bancos, sinalizando que o governo arcará com os custos sem abrir mão de receita tributária.

O ministro em exercício da Fazenda, Dario Durigan, anunciou em entrevista à GloboNews que o governo federal está nos passos finais para lançar duas iniciativas econômicas de impacto direto na vida dos brasileiros. A primeira é um subsídio temporário ao diesel, desenhado como resposta à volatilidade de preços gerada pelo conflito no Oriente Médio.

Entre abril e maio, o desconto será de R$ 1,20 por litro nas bombas. O custo total de R$ 3 bilhões será dividido igualmente entre União e estados — e a adesão estadual já é quase unânime, com mais de 80% dos secretários de finanças confirmando participação. A urgência se justifica pelos números: a Agência Nacional do Petróleo registrou alta de 22,53% no preço médio do diesel em apenas um mês. A Medida Provisória está pronta e aguarda o retorno do presidente Lula a Brasília.

A segunda iniciativa mira as famílias endividadas. Com lançamento previsto para dez dias, o programa aprimora o Desenrola Brasil — que desde julho de 2023 apresentou resultados aquém do esperado — oferecendo garantias governamentais para que credores aceitem perdoar até 80% das dívidas. O saldo restante será refinanciado com juros reduzidos, negociados diretamente com bancos e empresas de crédito.

Durigan foi enfático ao rejeitar a concessão de isenções de IOF aos bancos como contrapartida, deixando claro que o governo pretende sustentar o programa com seus próprios recursos, sem comprometer a arrecadação tributária.

O governo federal está nos últimos passos para lançar duas iniciativas econômicas que afetarão diretamente o bolso de milhões de brasileiros: um subsídio temporário ao diesel e um programa renovado de renegociação de dívidas para famílias. O anúncio veio do ministro em exercício da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à jornalista Miriam Leitão na GloboNews, e marca uma resposta do Palácio do Planalto aos efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio.

O subsídio ao diesel foi desenhado como um amortecedor contra a volatilidade dos preços internacionais. Entre abril e maio, os motoristas e transportadores verão um desconto de R$ 1,20 por litro nas bombas. A conta total chega a R$ 3 bilhões, dividida igualmente entre o governo federal e os governos estaduais. Durigan explicou que o texto da Medida Provisória está pronto e aguarda apenas o retorno do presidente Lula a Brasília, previsto para a noite de quinta-feira, após compromissos no Nordeste. A adesão dos estados já é praticamente certa: mais de 80% dos secretários estaduais de finanças já formalizaram sua participação na proposta.

Os números que justificam a urgência são alarmantes. A Agência Nacional do Petróleo registrou uma disparada de 22,53% no preço médio do diesel no último mês, entre 28 de fevereiro e 27 de março. A gasolina subiu 7,61% no mesmo período. O setor de transportes, já pressionado por outras despesas, sente o impacto com força.

Paralelamente, o governo trabalha nos detalhes de um segundo programa, este voltado para as famílias que acumulam dívidas. O lançamento está marcado para dez dias. A iniciativa busca aperfeiçoar o Desenrola Brasil, que começou em julho de 2023 com resultados limitados. O novo modelo oferecerá garantias governamentais para que credores aceitem perdoar até 80% do valor total das dívidas. Os 20% restantes serão refinanciados com taxas de juros reduzidas, negociadas diretamente com bancos e empresas de crédito.

Quando questionado sobre a possibilidade de usar isenções fiscais como forma de compensar as instituições financeiras — uma ideia que circula entre analistas como alternativa para poupar recursos públicos diretos — Durigan foi categórico. O ministro rejeitou a concessão de isenções de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) aos bancos como contrapartida. A posição sinaliza que o governo pretende manter o programa dentro de seus próprios orçamentos, sem transferir custos para a arrecadação tributária.

Não vê com simpatia a concessão de isenções de IOF para as instituições financeiras como contrapartida ao programa
— Dario Durigan, ministro em exercício da Fazenda
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o governo escolheu justamente agora para anunciar essas duas medidas ao mesmo tempo?

Model

São respostas a pressões imediatas. O diesel disparou 22% em um mês por causa da guerra no Oriente Médio — o transporte não aguenta mais. E as famílias endividadas já estão sufocadas há anos. Juntar os dois anúncios é uma forma de mostrar que o governo está agindo em múltiplas frentes.

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O subsídio de R$ 1,20 por litro parece pequeno. Faz diferença real?

Model

Depende de quem você é. Para um motorista de táxi ou caminhoneiro que abastece todos os dias, R$ 1,20 por litro economiza centenas de reais por mês. Para uma família que usa carro ocasionalmente, é menos impactante. Mas o setor de transportes — que move a economia inteira — respira aliviado.

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E quanto ao programa de renegociação? Perdoar 80% das dívidas não é muito generoso?

Model

É generoso, sim, mas também é pragmático. Famílias completamente endividadas não consomem, não investem, não movem a economia. O perdão de 80% com refinanciamento dos 20% restantes tira essas pessoas do buraco sem deixá-las impunes. Elas ainda pagam algo.

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Por que Durigan rejeitou as isenções fiscais para os bancos?

Model

Porque aceitá-las seria admitir que o programa custa mais do que parece. Se você isenta IOF, está deixando de arrecadar. Durigan preferiu ser direto: o governo paga do seu bolso, sem truques contábeis. É mais transparente, mas também mais caro.

Inventor

Qual é o risco aqui?

Model

Se o diesel não cair nos próximos meses, o subsídio vira permanente e a conta cresce. Se muita gente aderir ao programa de renegociação, os R$ 3 bilhões podem não ser suficientes. E há sempre o risco político: se a economia não melhorar, as medidas parecem insuficientes.

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