Governo lança Desenrola MEI para renegociar R$ 12,4 bilhões em dívidas

A dívida deixa de ser um peso esmagador para o negócio respirar
O programa oferece descontos de até 70% e parcelamento em 145 vezes para microempreendedores com débitos de até R$ 20 mil.

Em um país onde milhões constroem seu sustento na margem da formalidade, o governo brasileiro deu um passo para reintegrar 3,5 milhões de microempreendedores ao ciclo econômico. O Desenrola MEI, lançado oficialmente nesta sexta-feira, oferece renegociação de R$ 12,4 bilhões em dívidas com descontos de até 70% e parcelamento em até 145 vezes — reconhecendo que a inadimplência, muitas vezes, não é falha de caráter, mas consequência de um sistema que não acompanhou a realidade de quem empreende com pouco. A proposta de ampliar o teto de faturamento do MEI até 2028 sugere que o governo busca não apenas apagar o passado, mas redesenhar o futuro da pequena economia informal.

  • 3,5 milhões de microempreendedores acumulam R$ 12,4 bilhões em dívidas ativas, muitos incapazes de regularizar sua situação sem comprometer a sobrevivência do próprio negócio.
  • O teto de faturamento do MEI está congelado desde 2018 e, sem correção pela inflação, empurra empreendedores para a informalidade ou para a inadimplência involuntária.
  • O Desenrola MEI responde com condições inéditas: parcelamento em até 145 vezes e descontos de até 70%, abrangendo não só dívidas do MEI, mas débitos com outros órgãos federais.
  • O governo enviou ao Congresso proposta para elevar o teto de faturamento para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, tentando fechar a porta que leva à informalidade.
  • A trajetória aponta para um ciclo de regularização seguido de estímulo ao crédito — mas a efetividade depende da adesão dos MEIs e da aprovação das mudanças legislativas.

O governo brasileiro formalizou nesta sexta-feira o Desenrola MEI, programa de renegociação de dívidas voltado a microempreendedores individuais. São 3,5 milhões de MEIs com débitos inscritos na dívida ativa, somando R$ 12,4 bilhões — uma média de R$ 4 mil por pessoa, embora o programa aceite renegociar dívidas de até R$ 20 mil.

O diferencial do Desenrola MEI está nas condições oferecidas: parcelamento em até 145 vezes e descontos que podem chegar a 70% do valor original. Para um pequeno negócio com caixa apertado, essa margem pode ser decisiva entre continuar funcionando ou encerrar as atividades. Além disso, o programa contempla dívidas com outros órgãos federais — como a Secretaria do Patrimônio da União —, ampliando seu alcance além dos débitos estritamente tributários do MEI.

O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, aproveitou o anúncio para destacar outra frente: a proposta enviada ao Congresso para atualizar o teto de faturamento do MEI, hoje fixado em R$ 81 mil anuais desde janeiro de 2018. O projeto prevê elevação para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Sem essa correção, argumentou o ministro, empreendedores que crescem além do limite são forçados a escolher entre a informalidade e estratégias irregulares — como abrir um segundo CNPJ — enfraquecendo o negócio e reduzindo sua contribuição à economia.

Na sexta-feira, o governo oficializou o Desenrola MEI, um programa pensado para dar fôlego a microempreendedores que acumularam dívidas e não conseguem sair do buraco. O alcance é amplo: 3,5 milhões de MEIs têm débitos inscritos na dívida ativa, e juntos devem R$ 12,4 bilhões aos cofres públicos. A dívida média fica em torno de R$ 4 mil por pessoa, mas o programa aceita renegociar qualquer débito de até R$ 20 mil.

O que torna o Desenrola MEI diferente de outras tentativas anteriores é a flexibilidade. Quem aderir pode parcelar a dívida em até 145 vezes — praticamente cinco anos de pagamentos — e receber descontos que chegam a 70% do valor original. Não é pouco. Para um microempreendedor com fluxo de caixa apertado, a diferença entre pagar a dívida inteira ou pagar metade dela pode ser a diferença entre continuar aberto ou fechar as portas.

Mas o programa não se limita a dívidas do próprio MEI. Segundo Anelize Almeida, procuradora-geral da Fazenda Nacional, um CNPJ pode estar devendo para vários órgãos federais — a Secretaria do Patrimônio da União, por exemplo — e todas essas dívidas entram na renegociação. É um programa de transação tributária desenhado especificamente para que o microempreendedor consiga pagar sem quebrar o negócio, e que, segundo o governo, fecha o ciclo de estímulo a novos créditos.

O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, aproveitou a coletiva de imprensa para anunciar também a inclusão de serviços federais no Contrata + Brasil, uma plataforma de contratações públicas. Mas o ponto que ele mais enfatizou foi a proposta de atualização do teto de faturamento do MEI, que o governo enviou ao Congresso na segunda-feira anterior. Hoje, um MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano. O projeto de lei quer elevar esse limite para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.

O ministro argumentou que o teto atual não era atualizado desde janeiro de 2018. Se tivesse sido corrigido apenas pela inflação do período, já estaria em R$ 128 mil. Deixar o limite congelado, segundo ele, força o microempreendedor para a informalidade. Quando alguém começa a ganhar mais do que o teto permite, tem duas opções: ficar inadimplente porque não consegue pagar os impostos sobre o faturamento real, ou abrir uma segunda MEI para continuar dentro da legalidade — uma prática que o governo considera indesejada. Nos dois casos, o resultado é o mesmo: o negócio fica frágil, a margem de lucro encolhe, e o desenvolvimento econômico sofre.

Um programa de transação tributária customizado para sustentabilidade do pagamento e para a saúde financeira desses MEIs
— Anelize Almeida, procuradora-geral da Fazenda Nacional
Esse empreendedor passa a ser inadimplente, fica com a margem de lucro apertada, vai para a renda informal, o que atrapalha o desenvolvimento dos negócios
— Paulo Henrique Pereira, ministro do Empreendedorismo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o governo decidiu agora criar esse programa? Parece uma resposta a algo que vinha crescendo.

Model

Os MEIs acumularam dívidas durante anos, e muitos simplesmente não tinham condição de pagar. O programa reconhece que cobrar 100% de uma dívida de alguém que ganha R$ 4 mil em média não funciona — você não recebe nada. Oferecendo desconto e parcelamento longo, o governo recupera pelo menos parte do dinheiro.

Inventor

E quanto àqueles que abrem uma segunda MEI para não ultrapassar o teto? Isso é comum?

Model

Comum o suficiente para o ministro mencionar como um problema. Quando o teto fica congelado enquanto a inflação sobe, o microempreendedor que cresce fica preso numa escolha ruim. O governo quer evitar isso ampliando o limite.

Inventor

Os descontos de até 70% são para todos, ou depende de quanto você deve?

Model

O programa oferece descontos de até 70%, mas a fonte não especifica a fórmula exata. Provavelmente varia conforme o tamanho da dívida e a capacidade de pagamento, mas isso não foi detalhado na coletiva.

Inventor

E se alguém não conseguir pagar nem com 145 parcelas?

Model

O programa não aborda esse cenário. A ideia é que parcelando em 145 vezes, a prestação fica pequena o suficiente para caber no orçamento mensal. Mas sim, há risco de inadimplência mesmo assim.

Inventor

Isso vai realmente trazer esses MEIs de volta para a formalidade?

Model

Teoricamente, sim. Se a dívida deixa de ser um peso esmagador, o microempreendedor tem razão para regularizar. Mas depende também da proposta de aumentar o teto de faturamento ser aprovada no Congresso.

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