Taxa garantida, sem risco de perda de capital, mas juros que não geram juros
Num tempo em que a incerteza económica convida à prudência, o Estado português estende a mão aos aforradores com uma nova geração de Certificados do Tesouro — a série 5 — que promete taxas crescentes ao longo de uma década, chegando aos 3,35% no décimo ano. É um convite à paciência e à confiança no longo prazo, dirigido a quem prefere a segurança do capital garantido à volatilidade dos mercados. A partir de segunda-feira, este instrumento de dívida pública substitui os anteriores certificados e abre-se ao cidadão comum através dos canais habituais de aforro.
- O Governo formalizou esta sexta-feira, em Diário da República, a criação dos Certificados do Tesouro série 5, encerrando as subscrições do produto anterior a partir de segunda-feira.
- As taxas fixas e crescentes — de 2,35% no primeiro ano até 3,35% no décimo — criam uma tensão entre a atratividade do produto e a exigência de comprometer o dinheiro por uma década.
- Quem resgatar antecipadamente perde todos os juros acumulados desde o último vencimento, um risco que pressiona os aforradores a avaliarem bem a sua necessidade de liquidez antes de subscrever.
- A média anual bruta de 2,71% para quem mantiver até à maturidade posiciona o produto como uma alternativa conservadora mas competitiva face a depósitos bancários tradicionais.
- A partir de segunda-feira, os certificados ficam acessíveis em Aforronet, Espaços Cidadão, CTT e Banco Big, alargando o alcance do produto a aforradores de todo o país.
O Governo português aprovou esta sexta-feira uma nova geração de Certificados do Tesouro, a série 5, um produto de aforro sem risco de capital destinado a famílias dispostas a comprometer as suas poupanças por dez anos. A medida foi formalizada através de resolução do Conselho de Ministros e insere-se numa estratégia do Executivo de Luís Montenegro para diversificar os instrumentos de poupança de médio prazo disponíveis aos cidadãos.
A estrutura de taxas é escalonada e crescente: começa nos 2,35% no primeiro ano e sobe progressivamente até atingir 3,35% no décimo ano, com uma média anual bruta de 2,71% para quem mantiver o investimento até à maturidade. Os juros vencem anualmente, mas não há capitalização — os juros não geram juros. Para um investimento de mil euros, o ganho líquido médio anual ronda os 1,8%.
O produto admite resgate antecipado após o primeiro ano, mas com uma penalização significativa: o aforrador recupera o capital na íntegra, mas perde todos os juros acumulados desde o último vencimento. Esta condição torna os certificados especialmente adequados para quem não antecipa necessidades de liquidez no curto prazo.
A partir de segunda-feira, as novas subscrições dos anteriores Certificados do Tesouro Poupança Valor ficam suspensas, dando lugar exclusivamente à série 5. O produto estará disponível em Aforronet, Espaços Cidadão, CTT e Banco Big, sendo exclusivo para pessoas particulares e gerido pelo IGCP, a entidade responsável pela dívida pública portuguesa.
O Governo aprovou esta sexta-feira uma nova geração de Certificados do Tesouro, um produto de aforro desenhado para famílias que querem guardar dinheiro sem risco durante uma década. A série 5, como é designada, oferece taxas de juro fixas que começam em 2,35% no primeiro ano e crescem gradualmente até 3,35% no décimo ano, substituindo a partir de segunda-feira os anteriores Certificados do Tesouro Poupança Valor.
A decisão foi formalizada através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 141-A/2026, publicada em Diário da República. O Executivo de Luís Montenegro enquadra este lançamento como parte de uma estratégia mais ampla para diversificar os produtos de aforro disponíveis aos cidadãos e estimular a poupança de médio prazo. O diploma salienta que os novos certificados pretendem impulsionar o acesso a instrumentos de dívida pública com taxa garantida, sem qualquer risco de perda de capital.
O produto está pensado para quem não precisa de acesso rápido ao dinheiro. A maturidade é de dez anos, embora exista a possibilidade de resgate antecipado após o primeiro ano. Quem optar por levantar o dinheiro antes do prazo perde todos os juros acumulados desde o último vencimento até à data do resgate, mas recupera o capital investido na íntegra. Os juros vencem anualmente, mas não há capitalização — ou seja, os juros não geram juros. Para um investimento de mil euros, isto traduz-se num ganho líquido de impostos médio anual de 1,8%.
A estrutura de taxas é escalonada ao longo dos dez anos: 2,35% no primeiro ano, 2,45% no segundo e terceiro, 2,65% no quarto e quinto, 2,75% no sexto e sétimo, 2,85% no oitavo e nono, e finalmente 3,35% no décimo ano. Quem manter o certificado até à maturidade completa beneficia de uma taxa média anual bruta de 2,71%. Todas estas taxas são fixadas no momento da subscrição e garantidas até à amortização.
Os Certificados do Tesouro série 5 estarão disponíveis para subscrição a partir de segunda-feira nos canais habituais: Aforronet, Espaços Cidadão, CTT e Banco Big. O produto é exclusivo para pessoas particulares e só pode ser transmitido por morte do titular. As subscrições são inscritas em contas abertas junto do IGCP, a entidade gestora da dívida pública.
Com o lançamento desta série 5, o Governo suspende novas subscrições dos Certificados do Tesouro Poupança Valor, o produto anterior. Os direitos, isenções e garantias consignados na legislação em vigor mantêm-se, assim como a garantia da totalidade do capital investido. O diploma não especifica um prazo limite para o lançamento, sugerindo que o produto permanecerá disponível enquanto o Governo assim o entender.
Notable Quotes
Os Certificados do Tesouro série 5 pretendem impulsionar o acesso a instrumentos de dívida pública com taxa fixa garantida, sem risco de perda de capital— Resolução do Conselho de Ministros n.º 141-A/2026
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que é que o Governo sente necessidade de lançar um novo produto de aforro agora?
Porque precisa de atrair poupanças das famílias para financiar a dívida pública. Um certificado com taxa garantida e sem risco é uma forma de competir com outras aplicações financeiras.
Mas se os juros não são capitalizados, o investidor perde potencial de ganho, não é?
Exatamente. É um trade-off. O investidor ganha segurança e previsibilidade — sabe exatamente quanto vai receber cada ano — mas abre mão do efeito composto que teria se os juros gerasse juros.
E se precisar do dinheiro antes dos dez anos?
Pode resgatar após o primeiro ano, mas perde todos os juros desde o último vencimento. É uma penalização significativa para desencorajar levantamentos antecipados.
A taxa média de 2,71% é competitiva?
Depende do contexto. Num ambiente de taxas de juro baixas, é razoável. Mas o facto de a taxa crescer apenas no final — 3,35% no décimo ano — significa que nos primeiros anos o retorno é modesto.
Quem é o público-alvo?
Aforradores conservadores com menor necessidade de liquidez. Pessoas que querem guardar dinheiro para a reforma ou para um objetivo distante, sem se preocuparem com flutuações de mercado.
Por que razão suspender os certificados anteriores?
Porque o Governo quer consolidar a oferta. Ter dois produtos semelhantes em simultâneo criaria confusão e dividiria a procura. A série 5 é a evolução natural.