Governo eleva mistura de etanol na gasolina de 27% para 30% a partir de agosto

Gasolina sobrando para exportação, preço menor na bomba
O ministro Silveira descreve a visão do governo para o novo combustível E30 e seus efeitos esperados na economia.

O novo combustível E30 foi aprovado pelo CNPE após testes técnicos do Instituto Mauá, com efeitos a partir de 1º de agosto de 2025. A medida responde a preocupações com instabilidade no Oriente Médio e pressões sobre preços internacionais de petróleo e combustíveis.

  • Etanol na gasolina sobe de 27% para 30% a partir de 1º de agosto de 2025
  • Testes técnicos do Instituto Mauá envolveram 16 veículos e 13 motocicletas
  • Biodiesel no diesel aumenta de 14% para 15%, criando o combustível B15
  • Lei do Combustível do Futuro permite elevar etanol até 35% se houver viabilidade técnica

O governo federal elevou o percentual de etanol na gasolina de 27% para 30%, medida que entra em vigor em agosto. A decisão busca tornar o Brasil autossuficiente e potencial exportador de gasolina, reduzindo pressões inflacionárias.

Na quarta-feira, 25 de junho, o governo federal tomou uma decisão que vai mudar o combustível que abastece milhões de carros brasileiros a partir de agosto. O Conselho Nacional de Política Energética aprovou a elevação do etanol na gasolina de 27% para 30%, uma mudança que o ministro Alexandre Silveira vê como um passo decisivo para transformar o Brasil de importador em exportador de gasolina.

A decisão foi tomada em reunião extraordinária presidida por Silveira, ministro de Minas e Energia, com a presença de outros 16 ministros e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo combustível, batizado de E30 pelo governo, terá efeitos a partir de 1º de agosto. A medida se apoia em estudos técnicos realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, que testou o novo combustível em 16 veículos e 13 motocicletas. Os testes indicaram viabilidade técnica, com diferenças de desempenho consideradas não significativas em alguns modelos.

O timing da decisão não é casual. Embora as discussões sobre a mudança venham de antes, as recentes instabilidades no Oriente Médio — particularmente o conflito entre Israel e Irã — reforçaram a urgência do governo em reduzir a dependência de petróleo importado e conter pressões sobre os preços dos combustíveis no mercado interno. Silveira já havia afirmado em março que, com as mudanças, o Brasil teria gasolina sobrando para exportação, o que permitiria reduzir o preço na bomba. Essa promessa de alívio nos preços é particularmente sensível para um governo que enfrenta queda de popularidade, com a inflação sendo citada nas pesquisas como fonte de pessimismo da população.

A elevação do etanol na gasolina se inscreve dentro da chamada Lei do Combustível do Futuro, sancionada por Lula em outubro de 2024, que autoriza o governo a elevar a mistura de etanol para até 35%, desde que haja viabilidade técnica. O novo patamar de 30% representa um passo intermediário nessa trajetória. Simultaneamente, o governo aprovou também o aumento da participação do biodiesel no diesel, passando de 14% para 15%, criando o combustível B15. Essa segunda medida havia sido suspensa em fevereiro pelo próprio CNPE em meio a denúncias de fraudes e preocupações de que pudesse encarecer alimentos, já que boa parte do biodiesel vem da soja. Desta vez, o secretário de Óleo e Gás do ministério, Pietro Mendes, argumentou que o maior processamento da soja para combustíveis eleva a produção de proteína através do farelo, buscando desarmar a crítica.

O cenário internacional oferecia uma janela de oportunidade. Após dias de escalada de tensão — incluindo ataques americanos a instalações nucleares do Irã e a possibilidade de fechamento das principais rotas de petróleo da região — o mercado global respirou com o anúncio de um cessar-fogo entre Israel e Irã. Ainda assim, a volatilidade do petróleo permanece como preocupação estrutural para o governo.

Para além da questão dos combustíveis, o governo também enfrenta pressões em outras frentes energéticas. A derrubada pelo Congresso de vetos da lei de eólicas offshore ameaça aumentar significativamente a conta de luz dos brasileiros. O Ministério de Minas e Energia elaborou uma medida provisória buscando reduzir o impacto dos chamados jabutis — propostas sem relação com o tema original — que poderiam custar R$ 65 bilhões anuais se todos os vetos caírem. A MP propõe reduzir esse impacto para R$ 11 bilhões através de ajustes nos dispositivos aprovados, incluindo reajustes na compra de eletricidade de pequenas centrais hidrelétricas e reduções nos custos do Proinfa. O governo também cogita acionar o Supremo Tribunal Federal contra as iniciativas.

Vamos ter gasolina sobrando para exportação. Vamos poder reduzir o preço na bomba, o que é fundamental para a nossa economia nacional.
— Ministro Alexandre Silveira, em março de 2025
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o governo decidiu fazer essa mudança agora, especificamente?

Model

A instabilidade no Oriente Médio acelerou a decisão, mas as discussões vinham de antes. O governo vê na elevação do etanol uma forma de reduzir a dependência de petróleo importado e conter pressões inflacionárias — algo crítico quando a popularidade está caindo.

Inventor

E os testes técnicos realmente mostraram que os carros funcionam bem com 30% de etanol?

Model

Os testes do Instituto Mauá indicaram viabilidade técnica. Houve diferenças de desempenho em alguns modelos, mas foram consideradas não significativas. Ainda assim, é um passo intermediário — a lei permite ir até 35%.

Inventor

Qual é o risco de aumentar o biodiesel no diesel?

Model

Esse foi o grande obstáculo em fevereiro. Como o biodiesel vem principalmente da soja, havia preocupação de que a medida encarecesse alimentos. O governo agora argumenta que mais processamento de soja gera mais farelo, um subproduto proteico, mas a questão permanece sensível.

Inventor

O que muda para o consumidor na bomba?

Model

Em teoria, se o Brasil se tornar autossuficiente e exportador de gasolina, os preços deveriam cair. Mas isso depende de como o mercado responde e da volatilidade do petróleo internacional, que continua instável.

Inventor

E a conta de luz? Ouvi falar em eólicas offshore.

Model

O Congresso derrubou vetos do governo sobre a lei de eólicas offshore, o que poderia aumentar a conta de luz em até R$ 65 bilhões anuais. O governo está tentando reduzir esse impacto com uma medida provisória e pode recorrer ao Supremo.

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