Governo lança programas de crédito para informais e estudantes do Fies

Quem paga em dia merecia melhores condições
O governo reconhece trabalhadores informais adimplentes que enfrentam juros de 6% a 12% ao mês no mercado.

Em um movimento que reconhece a dignidade financeira de quem cumpre seus compromissos à margem do sistema formal, o presidente Lula assinou medida provisória criando três linhas de crédito voltadas a trabalhadores informais adimplentes, egressos do Fies e empregados com carteira assinada. O gesto parte de uma constatação antiga: o acesso ao crédito barato sempre favoreceu quem já possui vínculos institucionais consolidados, deixando de fora justamente aqueles que mais precisam de condições justas. Com juros significativamente abaixo do mercado e garantias públicas cobrindo o risco, o governo tenta reescrever, ao menos em parte, essa lógica excludente.

  • Trabalhadores informais adimplentes pagam juros de 6% a 12% ao mês por não terem acesso às linhas subsidiadas reservadas a servidores e aposentados — uma injustiça silenciosa que o Desenrola Adimplentes tenta corrigir.
  • Egressos do Fies que honraram suas dívidas estudantis enfrentam agora a barreira do capital para empreender, e o Fies Empreendedor surge como resposta direta a essa contradição.
  • A diferença entre tomar R$ 80 mil pelo novo programa e fazê-lo no mercado tradicional pode chegar a R$ 145 mil em juros — um abismo que revela o custo real da exclusão financeira.
  • O uso do FGTS como garantia no crédito consignado privado reduz a taxa máxima para 1,99% ao mês, abrindo uma porta mais larga para trabalhadores formais que antes não tinham acesso a essas condições.
  • Com o Fundo Garantidor de Operações cobrindo 100% dos contratos do Fies Empreendedor, o risco é transferido ao Estado, viabilizando taxas que o mercado sozinho jamais ofereceria a esse público.

Na segunda-feira, o presidente Lula assinou uma medida provisória que coloca em movimento três iniciativas de crédito voltadas a públicos historicamente ignorados pelo sistema financeiro formal. A premissa central é direta: quem paga suas contas em dia merece condições melhores do que as que o mercado costuma oferecer.

O Desenrola Adimplentes é a primeira política federal desenhada especificamente para trabalhadores informais que mantêm suas obrigações em dia. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esse público era invisível nas políticas de crédito subsidiado — pessoas sem carteira assinada, que não são servidores, aposentados ou pensionistas, e que frequentemente nunca acessaram linhas de microcrédito. O programa oferece condições mais vantajosas para quem hoje enfrenta juros entre 6% e 12% ao mês, com foco na prevenção do endividamento futuro.

O Fies Empreendedor é dirigido a egressos do financiamento estudantil que mantiveram o pagamento das parcelas em dia nas últimas 36 prestações. Dos cerca de 500 mil adimplentes, entre 50 mil e 125 mil poderão aderir imediatamente. A linha oferece juros de 0,87% ao mês — para pessoas físicas, até R$ 80 mil em até 60 meses; para pessoas jurídicas, até R$ 180 mil em até 96 meses, ambos com seis meses de carência. A economia é expressiva: o mesmo empréstimo de R$ 80 mil custaria R$ 26 mil em juros pelo programa, contra R$ 171 mil em um empréstimo tradicional — uma diferença de R$ 145 mil. O Fundo Garantidor de Operações cobre 100% de cada contrato, viabilizando as taxas reduzidas.

A terceira medida permite que trabalhadores com carteira assinada usem o saldo do FGTS como garantia no crédito consignado privado. Com isso, a taxa máxima cai para 1,99% ao mês. Pela Carteira de Trabalho Digital, a cobertura pode chegar a 100% do valor do empréstimo; pelos canais das próprias instituições financeiras, cobre até 50%. O objetivo é ampliar o acesso ao crédito para trabalhadores formais com condições mais seguras e baratas.

Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que coloca em movimento três iniciativas de crédito voltadas a públicos historicamente excluídos do sistema financeiro formal. O Desenrola Adimplentes e o Fies Empreendedor nascem de uma premissa simples: quem paga suas contas em dia merecia melhores condições. Junto deles, uma terceira medida permite que trabalhadores com carteira assinada usem o saldo do FGTS como garantia em empréstimos consignados.

O Desenrola Adimplentes é a primeira política federal desenhada especificamente para trabalhadores informais que mantêm suas obrigações financeiras em dia. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esse é um público invisível nas políticas de crédito subsidiado até agora — pessoas sem carteira assinada, que não são servidores públicos, aposentados ou pensionistas, e que frequentemente nunca acessaram operações de crédito como microempreendedores. O programa amplia o alcance do Novo Desenrola Brasil focando na prevenção da inadimplência, oferecendo crédito em condições mais vantajosas para quem enfrenta juros que variam entre 6% e 12% ao mês. A ideia é simples: reduzir o risco de endividamento futuro e facilitar a reorganização financeira de um contingente que, apesar da informalidade, cumpre seus compromissos.

O Fies Empreendedor é dirigido a egressos do Fundo de Financiamento Estudantil que estão em fase de amortização e mantiveram o pagamento das parcelas em dia. Para participar, é necessário ter quitado as últimas 36 parcelas sem atrasos ou renegociação. Dos aproximadamente 500 mil estudantes adimplentes, entre 50 mil e 125 mil poderão aderir imediatamente ao programa. Uma parcela significativa já possui CNPJ ativo, sinalizando demanda real por capital para ampliar ou estruturar negócios próprios. A linha oferece juros de 0,87% ao mês — bem abaixo das taxas de mercado. Para pessoas físicas, o limite é de R$ 80 mil com prazo de até 60 meses e carência de seis meses. Para pessoas jurídicas, sobe para R$ 180 mil com até 96 meses de prazo, também com seis meses de carência.

A economia para o tomador é expressiva. Um financiamento de R$ 80 mil pelo Fies Empreendedor custaria aproximadamente R$ 26 mil em juros. O mesmo valor em um empréstimo pessoal tradicional chegaria a R$ 171 mil — uma diferença de cerca de R$ 145 mil. O Fundo Garantidor de Operações cobrirá 100% do valor de cada contrato, reduzindo o risco para as instituições financeiras e permitindo essas taxas mais baixas. Durigan enquadrou o programa como uma forma de recompensar quem manteve o financiamento estudantil em dia, reconhecendo que o egresso do Fies agora busca se inserir no mercado de trabalho pela via do empreendedorismo.

A terceira medida permite que trabalhadores com carteira assinada usem o saldo do FGTS como garantia em operações do Crédito do Trabalhador, modalidade de crédito consignado privado. A utilização do fundo reduz o risco das operações e permite juros menores — a taxa máxima passa a ser de 1,99% ao mês. Nas contratações realizadas pela Carteira de Trabalho Digital, a cobertura do FGTS pode chegar a 100% do valor do empréstimo. Nas operações feitas diretamente pelos canais das instituições financeiras, a garantia cobre até 50% do crédito contratado. O governo espera ampliar o acesso ao crédito para trabalhadores formais, oferecendo financiamentos mais baratos, seguros e com melhores condições de pagamento.

Nós estamos olhando para o trabalhador que não tem carteira assinada, que não é trabalhador do setor público, que não é pensionista, não é aposentado do INSS
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
É o trabalhador informal que está pagando as suas contas em dia, com juros que variam de 6% a 12% ao mês. É para esse trabalhador informal que nós abrimos essa nova etapa do Desenrola
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o governo decidiu criar um programa específico para trabalhadores informais que já pagam em dia? Não seria mais fácil simplesmente reduzir juros para todos?

Model

Porque esse trabalhador informal adimplente é invisível no sistema. Ele não tem carteira, não é aposentado, não é servidor público — então as políticas de crédito subsidiado nunca o alcançaram. Mas ele existe, paga suas contas com juros de 6% a 12% ao mês, e merecia uma chance.

Inventor

E quanto aos estudantes do Fies? Por que recompensá-los especificamente com crédito para empreender?

Model

Porque muitos deles já têm CNPJ ativo. Eles terminaram o financiamento estudantil, mantiveram tudo em dia, e agora querem estruturar ou ampliar um negócio próprio. O governo está reconhecendo que quem foi disciplinado com a dívida estudantil merece acesso mais barato ao capital.

Inventor

A diferença de R$ 145 mil em juros parece quase irreal. Como o governo consegue oferecer isso?

Model

O Fundo Garantidor cobre 100% do risco. Quando a instituição financeira não corre risco, ela consegue oferecer juros muito mais baixos. É um subsídio, mas direcionado — só para quem provou ser confiável.

Inventor

E o FGTS como garantia? Isso não coloca o trabalhador em risco de perder sua proteção?

Model

Depende de como ele usa. Se contratar um empréstimo consignado e não conseguir pagar, sim, há risco. Mas a ideia é que juros menores — 1,99% ao mês — tornem o empréstimo mais acessível e menos arriscado de começar.

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