O pico será mais alto do que o que a Fed atualmente comunica
Num momento em que a inflação americana teima em resistir às tentativas de domesticação, o Goldman Sachs reviu em alta as suas previsões para a política monetária da Reserva Federal, antecipando agora três subidas de juros consecutivas — em março, maio e junho — que levariam as taxas a um pico entre 5,25% e 5,5%. A revisão, motivada por dados de inflação ao nível do produtor mais fortes do que o esperado em janeiro, coloca o banco acima das próprias projeções da Fed e sugere que o caminho para domar os preços ainda exige mais sacrifício. Ainda assim, o horizonte não é inteiramente sombrio: o mesmo banco que prevê aperto agora antecipa alívio a partir de 2024, como quem reconhece que todo ciclo de contenção tem o seu momento de descanso.
- Os dados de inflação ao produtor de janeiro surpreenderam o mercado ao avançar 0,7% em cadeia — quase o dobro do esperado —, forçando uma reavaliação urgente das perspetivas monetárias.
- O Goldman Sachs adicionou uma terceira subida de juros à sua previsão para 2023, agora em junho, elevando o pico esperado para uma banda de 5,25%-5,5%, acima do que a própria Fed sinaliza.
- Setores como serviços médicos, medicamentos e passagens aéreas são apontados como focos de pressão inflacionária persistente que justificam um aperto mais prolongado.
- A divergência entre a projeção do Goldman (5,25%-5,5%) e o 'dot plot' da Fed (5,1%) cria uma tensão de expectativas que os mercados financeiros terão de digerir.
- O ciclo de aperto parece aproximar-se do seu teto: o banco prevê cortes graduais para 4,1% em 2024 e 3,1% em 2025, desenhando uma trajetória de regresso à normalidade.
O Goldman Sachs elevou as suas previsões para a taxa de juro da Reserva Federal americana, passando a antecipar três subidas consecutivas de 25 pontos base — em março, maio e junho de 2023. A revisão coloca o pico esperado numa banda entre 5,25% e 5,5%, superando os 5,1% que a própria Fed projetou no seu mais recente 'dot plot'.
O gatilho para esta mudança foi o índice de preços no produtor de janeiro, que avançou 0,7% em cadeia — bem acima da estimativa de 0,4% dos analistas e em contraste com a queda de 0,2% registada em dezembro. Para o Goldman, este resultado reflete pressões inflacionárias que não devem dissipar-se rapidamente, nomeadamente em serviços médicos, financeiros, medicamentos e transportes aéreos — fatores que deverão pesar sobre o índice de despesas de consumo pessoal, especialmente na sua componente de núcleo.
A mensagem do banco é, portanto, dupla: o aperto monetário será mais agressivo do que o mercado antecipava, mas o seu fim está à vista. A partir de 2024, o Goldman espera que a Fed comece a cortar taxas, descendo para 4,1% nesse ano e para 3,1% em 2025 — um padrão que sugere confiança de que, após este esforço adicional, a inflação estará suficientemente controlada para permitir um regresso gradual a condições mais favoráveis.
O Goldman Sachs acaba de elevar suas apostas sobre o caminho que a Reserva Federal americana seguirá nos próximos meses. A instituição financeira, que acompanha de perto cada movimento da Fed, agora espera que o banco central norte-americano suba as taxas de juro em mais uma ocasião além do que havia previsto anteriormente.
A mudança de perspetiva surgiu depois que dados de inflação ao nível do produtor chegaram mais fortes do que o mercado esperava. Em janeiro, o índice de preços no produtor dos EUA avançou 0,7% em cadeia, superando a estimativa de 0,4% que analistas consultados pelo Wall Street Journal tinham projetado. Dezembro havia trazido uma queda de 0,2%, o que tornava este resultado ainda mais significativo.
Com base nesta informação, o Goldman Sachs ajustou sua previsão. O banco agora acredita que a Fed vai aumentar as taxas de juro em 25 pontos base em março, novamente em maio, e uma terceira vez em junho. Este terceiro aumento em junho é a novidade que distingue a perspetiva atual da anterior. O resultado desta sequência de subidas colocaria o pico da taxa dos fundos federais numa banda entre 5,25% e 5,5% durante este ano.
Os analistas do banco justificam a revisão citando pressões inflacionárias específicas que esperam ver nos próximos meses. Preveem inflação elevada em setores como serviços médicos e financeiros, medicamentos sujeitos a receita médica e passagens aéreas. Estas pressões, na ótica do Goldman Sachs, devem empurrar em alta o índice de despesas de consumo pessoal, particularmente a sua componente de núcleo duro, que exclui itens mais voláteis.
A projeção do Goldman Sachs fica acima daquilo que a própria Fed sinalizou nas suas mais recentes projeções. O banco central americano, no seu último "dot plot" — o gráfico que mostra as expectativas dos seus membros para as taxas de juro — indicou um pico de 5,1% para este ano. O Goldman está a dizer que o pico será mais alto, sugerindo um aperto monetário mais agressivo do que o que a Fed atualmente comunica ao mercado.
Mas a história não termina em 2023. O Goldman Sachs também oferece uma perspetiva para os anos seguintes, e essa perspetiva sugere que o ciclo de aperto está próximo do seu fim. Para 2024, o banco espera que a Fed comece a aliviar as pressões, reduzindo a taxa dos fundos federais para 4,1%. Em 2025, o alívio continua, com a taxa a descer para 3,1%. Este padrão — subidas agressivas agora, seguidas de cortes nos anos seguintes — é típico de um banco central que acredita estar a aproximar-se do ponto onde as taxas estarão suficientemente altas para controlar a inflação.
Citações Notáveis
Tendo em conta o forte desenvolvimento e das notícias sobre a inflação, acrescentamos um aumento de 25 pontos base em junho— Analistas do Goldman Sachs
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que o Goldman Sachs mudou de ideias agora? O que mudou entre a previsão anterior e esta?
Os dados de inflação ao nível do produtor em janeiro foram mais fortes do que esperado. Isso sinalizou que as pressões inflacionárias ainda estão vivas, o que levou o banco a concluir que a Fed precisa de fazer mais.
Mas a Fed já não disse qual é o seu plano? Porque é que o Goldman Sachs acha que sabe melhor?
A Fed comunica projeções, não promessas. O Goldman está a dizer que, dados os dados que vemos agora, a Fed provavelmente vai precisar de ir mais longe do que aquilo que sinalizou. É uma aposta sobre o que os dados vão forçar a Fed a fazer.
Este aumento em junho — é realmente significativo? Ou é apenas mais um aumento de 25 pontos base como os outros?
É mais um aumento de 25 pontos base, sim. Mas o significado está no facto de que ninguém o esperava. Quando o Goldman adiciona um aumento que não estava no radar, está a dizer que a inflação é mais teimosa do que o mercado pensava.
E depois? O Goldman acha que a Fed vai cortar as taxas em 2024?
Sim, espera cortes. Mas repara — o pico que o Goldman prevê é mais alto do que o que a Fed sinalizou. Portanto, a Fed vai ter de subir mais agora para depois poder descer. É um ciclo mais agressivo no total.
Isto é bom ou mau para a economia?
Depende da perspetiva. Se a inflação é realmente tão persistente quanto o Goldman acha, então estas subidas são necessárias. Mas subidas mais altas e mais prolongadas também significam mais pressão sobre empresas e consumidores antes de o alívio chegar.