Daí, estou em casa esperando até a hora que eu mesmo disser: agora acabou
Aos 72 anos, Givanildo Oliveira vive pela primeira vez em cinco décadas o silêncio de um ano sem clube — não como derrota, mas como escolha deliberada de quem construiu uma das carreiras mais longevas e vitoriosas do futebol brasileiro. Desde 1969, quando o Santa Cruz o revelou como volante, sua vida foi moldada pelo ritmo ininterrupto do profissionalismo, 12 títulos como jogador e 20 como técnico, incluindo cinco acessos à Série A que lhe renderam o apelido de Rei do Acesso. O que o mundo lê como ausência, ele lê como espera: nenhuma proposta recebida até agora correspondeu ao peso de uma trajetória que ele mesmo decidirá quando encerrar.
- Pela primeira vez desde 1969, um dos técnicos mais vitoriosos do Brasil passa mais de um ano e sete meses sem clube — uma ruptura inédita em 51 anos de carreira contínua.
- As propostas chegaram, mas Givanildo as recusou uma a uma: nenhuma era boa o suficiente para quem ergueu 20 taças e subiu cinco vezes para a Série A.
- A pandemia aprofundou o isolamento, mantendo o treinador em casa enquanto o mercado do futebol encolhia e as oportunidades alinhadas com seus critérios não apareciam.
- Aos 72 anos, ele projeta retornar ao trabalho até 2022, recusando a palavra aposentadoria e reservando para si mesmo o direito de decretar o fim da própria história.
Givanildo Oliveira chegou a 2020 diante de algo que nunca havia enfrentado: um ano inteiro sem clube. Desde 1969, quando o Santa Cruz o lançou como volante, sua vida foi tecida pelo profissionalismo sem interrupção — conquistas como jogador, depois como técnico, sempre em movimento. Mas em maio de 2019, ao deixar o América-MG, aquele ciclo se interrompeu pela primeira vez.
O pernambucano é enfático: não é aposentadoria, é pausa. Ele planeja trabalhar pelo menos até 2022 e explica que, nos mais de um ano e sete meses longe dos bancos de reserva, as propostas que chegaram simplesmente não o interessaram. A pandemia reforçou a cautela, e Givanildo optou por se preservar enquanto aguarda a oportunidade certa.
Seu currículo justifica a seletividade. Como jogador, foi pentacampeão pernambucano pelo Santa Cruz entre 1969 e 1973, venceu o Paulista de 1977 pelo Corinthians, o Carioca de 1980 pelo Fluminense e acumulou mais títulos pelo Sport, totalizando 12 troféus estaduais. Como técnico, colecionou 20 taças — no Paysandu, no Remo, no CSA, no CRB, no Ceará, no Fortaleza e em outros clubes. Mas foi a marca de cinco acessos à Série A — com América-MG, Paysandu, Santa Cruz e Sport — que lhe rendeu o apelido pelo qual é mais conhecido: Rei do Acesso.
Agora, Givanildo aguarda com convicção, não com resignação. Ele mesmo determinará quando o ponto final chegar. Enquanto isso, o hiato segue — um contraste singular com uma vida que conheceu apenas movimento, vitória e próximas batalhas.
Givanildo Oliveira completou 72 anos em 2020 vivendo algo que nunca havia experimentado em cinco décadas de futebol: um ano inteiro sem clube. Desde 1969, quando o Santa Cruz o lançou como volante, sua vida foi tecida pelo ritmo do profissionalismo — conquistas como jogador, depois como técnico, sempre em movimento, sempre empregado. Mas em maio de 2019, quando deixou o América-MG, aquele ciclo se interrompeu. E diferentemente de tantos que encerram carreiras com cerimônia, Givanildo não aceitou o silêncio como resposta final.
O pernambucano é claro sobre sua situação: não é aposentadoria, é pausa. "Eu não pensei em parar ainda não. Tenho o pensamento de trabalhar ainda por mais dois anos, pelo menos", disse ele, projetando seu retorno até 2022. A questão, explica, é mercado. Nesse intervalo de mais de um ano e sete meses longe dos bancos de reserva, propostas chegaram, mas nenhuma o interessou o suficiente. Enquanto a pandemia do novo coronavírus mantinha o país em casa, Givanildo também se preservou, esperando pela oportunidade que fizesse sentido. "Até agora, faz mais de um ano que não apareceu nada. O que apareceu não me interessou. Não era uma coisa que fosse boa para mim."
Seu currículo explica a seletividade. Como meio-campista, Givanildo conquistou 12 títulos estaduais em uma época em que esses troféus carregavam peso real. De 1969 a 1973, foi pentacampeão pernambucano pelo Santa Cruz. Em 1977, destacou-se no Paulista erguido pelo Corinthians. Retornou ao Santa Cruz para vencer os estaduais de 1978 e 1979, depois se transferiu para o Sport, onde levantou mais três títulos entre 1980 e 1982, completando outro pentacampeonato particular do Pernambucano. Em 1980, também venceu o Carioca pelo Fluminense. Foram apenas três anos — 1974 a 1976 — em que não conquistou troféus como jogador.
Como técnico, Givanildo emendou a carreira sem perder o ritmo de vencedor. Colecionou clubes no currículo, mas fez sucesso principalmente no Santa Cruz, Sport, Paysandu e América-MG. Foram 20 taças erguidas ao longo de sua trajetória na beira do campo. No Paysandu, conquistou a Copa dos Campeões de 2002, a Série B de 2001 e os Paraenses de 1987, 1992, 2000, 2001 e 2002. No Remo, venceu os Paraenses de 1993 e 2018. Passou por Alagoas, onde foi campeão estadual pelo CSA em 1990 e pelo CRB em 1986. No Ceará, ergueu taças pelo Ceará em 2017 e pelo Fortaleza em 2004. Mas seu apelido mais célebre veio de outra marca: Rei do Acesso. Subiu de divisão no Campeonato Brasileiro cinco vezes para a Série A — com América-MG em 1997 e 2015, Paysandu em 2001, Santa Cruz em 2005 e Sport em 2006 — e uma vez para a Série B, com América-MG em 2009.
Agora, aos 72 anos, Givanildo aguarda. Não é resignação. É convicção. Ele mesmo determinará quando o ponto final chegar. "Daí, estou em casa esperando até a hora que eu mesmo disser: agora acabou, não quero mais." Enquanto isso, o hiato continua — um contraste gritante com uma vida que conheceu apenas movimento, vitória e próximas batalhas.
Citas Notables
Eu não pensei em parar ainda não. Tenho o pensamento de trabalhar ainda por mais dois anos, pelo menos— Givanildo Oliveira
Estou em casa esperando até a hora que eu mesmo disser: agora acabou, não quero mais— Givanildo Oliveira
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que um treinador com esse histórico fica mais de um ano sem trabalhar? Não há sempre demanda por alguém com 20 títulos?
Há demanda, mas nem toda proposta serve. Aos 72 anos, você não aceita qualquer coisa. Givanildo já conquistou tudo que precisava conquistar. O que apareceu não o interessou.
Ele poderia ter se aposentado em 2019. Por que não fez?
Porque parar não é a mesma coisa que estar parado. Ele não pensou em parar. Está esperando a oportunidade certa, a que faça sentido com quem ele é.
E se essa oportunidade não vier?
Então ele mesmo dirá quando acabou. Não será o mercado que decide. Será ele.
Isso é arrogância ou sabedoria?
É ambos. Você não chega aos 72 anos com 51 anos de carreira impecável sendo humilde demais. Mas também não é arrogância vazia — é confiança em quem você provou ser.
A pandemia complicou as coisas?
Complicou para todo mundo. Mas para Givanildo, foi também uma razão para não aceitar qualquer coisa. Ele se preservou em casa, esperando.