Fuham apresenta avanços do Proderm com programa de pós-graduação em dermatologia elevado a conceito 5

Pesquisa não é luxo, é proteção institucional
O diretor da Fuham explicou por que investimento em pesquisa é fundamental para a sobrevivência de instituições de saúde pública.

Em Manaus, a Fundação Hospitalar Alfredo da Matta reuniu pesquisadores e parceiros para celebrar o que dois anos e meio de investimento científico podem transformar: um programa de pós-graduação que saltou da mediocridade à excelência, formando mestres e publicando conhecimento sobre doenças que afligem os mais vulneráveis da Amazônia. O seminário da Fuham não foi apenas uma prestação de contas — foi um lembrete de que pesquisa em saúde pública é, antes de tudo, um ato de proteção coletiva.

  • O programa Proderm, nascido de uma parceria entre Fuham e Fapeam em 2023, superou expectativas ao elevar o conceito do PPG-CAD de 3 para 5 na avaliação da Capes — um salto que reposiciona a instituição no cenário científico nacional.
  • Quarenta e seis mestres formados e dezenas de artigos publicados em revistas nacionais e internacionais revelam uma produção científica que vai muito além do que o orçamento original poderia sugerir.
  • O diretor-presidente da Fuham evocou o desaparecimento da Sucam como alerta: instituições de saúde pública que não investem em pesquisa e em seu pessoal estão condenadas à irrelevância — e ao esquecimento.
  • Pesquisadores de peso, incluindo membros de comitês consultivos da OMS e titulares da Fiocruz, transformaram a Fuham em um polo capaz de atrair agências de fomento nacionais e internacionais para validar protocolos de saúde.
  • Com o acordo vigente até setembro de 2026 e negociações de renovação já em curso, a Fuham mira a consolidação como referência em dermatoses e doenças negligenciadas em toda a região Norte.

Na última semana de junho, a Fundação Hospitalar Alfredo da Matta abriu suas portas em Manaus para um seminário que era, ao mesmo tempo, balanço e celebração. O Proderm — Programa de Apoio à Formação em Ciências Dermatológicas — completou dois anos e meio de operação em parceria com a Fapeam, e os números apresentados surpreenderam até os mais otimistas: 46 mestres formados, dezenas de artigos científicos publicados e, sobretudo, a elevação do Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas do conceito 3 para o conceito 5 na avaliação quadrienal da Capes.

O diretor-presidente Carlos Chirano foi direto ao ponto: sem o suporte financeiro da Fapeam, a instituição não teria como sustentar uma estrutura com seis pesquisadores visitantes nacionais e quatro bolsistas de apoio técnico. Mas ele foi além da gratidão, lembrando o caso da extinta Sucam para ilustrar o que acontece com instituições de saúde pública que negligenciam o investimento em pesquisa e em seu pessoal. A mensagem ressoou pela sala: ciência não é ornamento acadêmico, é sobrevivência institucional.

A equipe de pesquisadores visitantes reúne especialistas em hanseníase, ISTs, patologia e dermatologia, com nomes ligados à Fiocruz e a comitês consultivos da Organização Mundial da Saúde. Para a pesquisadora Angélica Espinosa Barbosa Miranda, a Fuham se tornou um catalisador: sua estrutura de atendimento em doenças negligenciadas como leishmaniose, esporotricose e hanseníase a transforma em um espaço onde protocolos de saúde podem ser validados com impacto para toda a América Latina.

A diretora de ensino e pesquisa Maria das Graças Barbosa Guerra reconheceu que o patamar atual só foi alcançado graças ao apoio combinado da Fapeam, da Capes e do CNPq, além da iniciativa pioneira de Sinésio Talhari na montagem da equipe. A Fapeam, por sua vez, reafirmou seu compromisso com o programa. O acordo termina em setembro de 2026, mas as conversas sobre renovação já estão em andamento — sinal de que o que começou como um esforço localizado de fortalecimento científico se transformou em um modelo de colaboração com projeção nacional e internacional.

Na semana de 22 a 26 de junho, a Fundação Hospitalar Alfredo da Matta reuniu pesquisadores, gestores e parceiros para apresentar o que dois anos e meio de trabalho intenso conseguiram produzir. O encontro, realizado na sede da instituição em Manaus, tinha um propósito claro: mostrar os números, os artigos, as dissertações, e o salto que o programa de pós-graduação havia dado. Não era apenas um seminário de rotina. Era a celebração de uma transformação.

O Proderm — Programa de Apoio à Formação em Ciências Dermatológicas — nasceu de um acordo entre a Fuham e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), assinado em outubro de 2023 com vigência até setembro de 2026. A estrutura é simples: seis pesquisadores visitantes nacionais e quatro bolsistas de apoio técnico, todos trabalhando para fortalecer a pesquisa em dermatologia e doenças relacionadas. Mas os resultados foram além do esperado. O Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas (PPG-CAD), vinculado à Universidade do Estado do Amazonas e à Fuham, recebeu conceito 5 na última avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) — a mesma agência que, anos antes, havia atribuído ao programa uma nota 3. Quarenta e seis mestres foram formados desde a criação do programa em 2017. Dezenas de artigos científicos foram publicados em revistas nacionais e internacionais.

Carlos Chirano, diretor-presidente da Fuham, não escondeu a gratidão. Sem o apoio da Fapeam, disse ele durante a cerimônia de abertura, a instituição não teria estrutura nem orçamento para sustentar um programa desse porte. Mas Chirano foi além da simples gratidão. Ele falou sobre o que investimento em pesquisa realmente significa para uma instituição de saúde pública. Não é apenas sobre publicações ou prêmios acadêmicos. É sobre qualificação de pessoas, fortalecimento do núcleo permanente, competitividade para concorrer a projetos maiores. É sobre sobrevivência institucional. Ele lembrou o caso da Sucam, a antiga Superintendência de Campanhas de Saúde Pública, que desapareceu por falta de investimento em pesquisa e em seu pessoal. A mensagem era clara: pesquisa não é luxo, é proteção.

Os seis pesquisadores visitantes que lideraram o trabalho representam uma concentração de expertise em hanseníase, infecções sexualmente transmissíveis, patologia e dermatologia. Sinésio Talhari, especialista em hanseníase e IST, encabeça a equipe. Ao seu lado estão Angélica Espinosa Barbosa Miranda, da Universidade Federal do Espírito Santo, membro de comitês consultivos da Organização Mundial da Saúde; Flávio Alves Lara, pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz; Hélio Amante Miot; Luiz Carlos de Lima Ferreira; e Marcelo Távora Mira. Cada um deles apresentou, durante o seminário, os resultados parciais de suas atividades.

Para Angélica Espinosa Barbosa Miranda, o Proderm representa algo maior que um programa de pesquisa. É um catalisador. A Fuham, com sua estrutura de atendimento em ISTs e doenças negligenciadas como hanseníase, leishmaniose e esporotricose, torna-se um local onde agências de fomento, ministérios e organismos internacionais podem validar protocolos de saúde. Isso abre portas para investimentos de pesquisa que beneficiam não apenas o Brasil, mas servem como modelo para outros países da América Latina. Flávio Alves Lara, ao refletir sobre o trabalho realizado, destacou que os frutos já estão visíveis: artigos publicados, pós-graduação elevada de nota 3 para 5, e raízes plantadas que devem sustentar o programa nos próximos anos.

Maria das Graças Barbosa Guerra, diretora de ensino e pesquisa da Fuham, fez o balanço dos dois anos e meio de trabalho. Para ela, a pesquisa no Amazonas só alcançou o patamar atual graças ao apoio constante da Fapeam, além dos apoios da Capes e do CNPQ. Ela também reconheceu a iniciativa pioneira de Sinésio Talhari, que montou o time que hoje conduz o programa. Karen Vilany dos Santos Gonçalves, diretora administrativo-financeira da Fapeam, reafirmou o compromisso da fundação com o Proderm e com o fomento à ciência e tecnologia no Estado. A Fuham, segundo ela, é referência de excelência em saúde da pele e ISTs, e o programa é fundamental para o desenvolvimento do atendimento na saúde pública.

O seminário encerrou com uma perspectiva de continuidade. O acordo entre Fuham e Fapeam termina em setembro de 2026, mas as conversas sobre renovação já estão em andamento. O que começou como um esforço para fortalecer a pesquisa dermatológica em Manaus transformou-se em um modelo de colaboração institucional que atrai atenção nacional e internacional. A próxima etapa será consolidar esses ganhos e expandir o alcance do programa, mantendo a Fuham como referência em dermatoses e doenças negligenciadas não apenas no Amazonas, mas em toda a região Norte.

A gente precisa dessas relações institucionais para poder fazer alguma coisa
— Carlos Chirano, diretor-presidente da Fuham
Acredito que nosso trabalho gerou frutos, deixou raízes, e vai se sustentar pelos próximos anos
— Flávio Alves Lara, pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um programa de pesquisa em dermatologia importa tanto para uma instituição de saúde pública?

Model

Porque pesquisa não é separada do atendimento. Quando você tem protocolos de pesquisa ligados à assistência, você atrai investimento, você qualifica seu pessoal, você cria competência. A Fuham não é só um hospital — é um lugar onde doenças negligenciadas como hanseníase e leishmaniose podem ser estudadas de verdade.

Inventor

E por que o salto de nota 3 para 5 na Capes é tão significativo?

Model

Porque nota 5 significa que você está entre os melhores do país. Não é apenas um número. É reconhecimento de que o trabalho que está sendo feito aqui é robusto, é relevante, é competitivo em nível nacional. Abre portas para financiamento maior, para parcerias internacionais.

Inventor

O diretor mencionou a Sucam como exemplo de instituição que desapareceu. Isso é uma ameaça real?

Model

É um aviso. Instituições de saúde pública que não investem em pesquisa, que não qualificam seu pessoal, perdem relevância. Ficam vulneráveis a cortes orçamentários, a mudanças políticas. Pesquisa é o que torna uma instituição indispensável.

Inventor

Qual é o papel dos pesquisadores visitantes nacionais nesse modelo?

Model

Eles trazem expertise de fora, mas também mentoram. Sinésio Talhari montou o time, mas agora há seis pesquisadores de diferentes instituições trabalhando juntos. Isso cria uma rede, qualifica os pesquisadores locais, deixa capacidade instalada.

Inventor

O que acontece quando o acordo termina em setembro de 2026?

Model

Essa é a questão. O programa precisa ser renovado. Mas agora há 46 mestres formados, há artigos publicados, há estrutura. Não é como começar do zero. A instituição tem argumentos para pedir renovação — tem resultados concretos.

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