Enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria
Em um dos maiores escândalos corporativos da história recente do Brasil, a Polícia Federal avançou sobre executivos de grandes bancos e acionistas bilionários ligados ao colapso da Americanas, cujo rombo contábil de R$ 20 bilhões abalou o mercado e a confiança institucional. A operação, com dez mandados cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo e bloqueio de R$ 54 bilhões em bens, marca um momento em que o Estado busca responsabilizar aqueles que, segundo as investigações, teriam conhecimento de fraudes que se estenderam por anos. O caso levanta questões perenes sobre os limites entre a cumplicidade e a ignorância nos altos escalões do poder econômico.
- A PF cumpriu dez mandados de busca e apreensão simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, atingindo executivos do Santander, Bradesco e Itaú, além de acionistas de grande patrimônio da Americanas.
- O bloqueio de R$ 54 bilhões em bens sinaliza a escala sem precedentes da investigação e a gravidade dos crimes suspeitos, que incluem manipulação de mercado e associação criminosa.
- As fraudes investigadas envolvem operações de risco sacado e contratos de propaganda cooperada registrados sem qualquer sustentação econômica real, ao longo de vários anos.
- A holding LTS, de Lemann, Telles e Sicupira, afirma ter sido enganada pela antiga diretoria e aguarda acesso à decisão judicial para se manifestar formalmente.
- A Americanas, em recuperação judicial, declarou não ser alvo da operação e reafirmou colaboração plena com as autoridades, enquanto os investigados não responderam aos contatos da imprensa.
A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira uma operação de grande envergadura para apurar responsabilidades no colapso financeiro da Americanas, uma das maiores redes de varejo do Brasil. Dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo, e as autoridades solicitaram o bloqueio de cerca de R$ 54 bilhões em bens dos investigados.
Entre os alvos estão Sérgio Rial, ex-presidente da Americanas e do Santander, o acionista Carlos Alberto Sicupira, Paulo Alberto Lemann, ex-conselheiro e filho de Jorge Paulo Lemann, além de executivos do Santander, Bradesco e Itaú. A investigação, iniciada em 2024, aponta que os suspeitos teriam ciência de fraudes contábeis que se prolongaram por anos, envolvendo operações de risco sacado e contratos de propaganda cooperada sem respaldo econômico real — indícios de manipulação de mercado e associação criminosa.
A Americanas, que acumula um rombo de R$ 20 bilhões e segue em recuperação judicial, informou não ser alvo da operação e reafirmou seu compromisso de colaboração com as investigações. Já a holding LTS, que reúne Lemann, Telles e Sicupira, divulgou nota afirmando ter sido surpreendida e enganada pela antiga diretoria, declarando aguardar acesso à íntegra da decisão judicial antes de se manifestar com mais detalhes.
Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. O caso já havia sido objeto de investigação independente e de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso, evidenciando a complexidade e a dimensão histórica do escândalo.
A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira uma operação de larga escala para investigar irregularidades no colapso financeiro da Americanas, uma das maiores redes de varejo do país. Os agentes cumpriram dez mandados de busca e apreensão — nove pela manhã, um adicional conforme a operação avançava — e solicitaram o bloqueio de aproximadamente R$ 54 bilhões em bens. As ações ocorreram simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Os investigados incluem executivos de três dos maiores bancos do Brasil e acionistas de grande patrimônio. Entre eles estão nomes como Sérgio Rial, ex-presidente da Americanas e ex-presidente do Santander; Carlos Alberto Sicupira, acionista da empresa; Paulo Alberto Lemann, ex-conselheiro e filho de Jorge Paulo Lemann; e executivos do Santander, Bradesco e Itaú. A operação representa um desdobramento de investigações iniciadas em 2024.
A Americanas enfrenta um rombo contábil de R$ 20 bilhões e está em processo de recuperação judicial. De acordo com as apurações da Polícia Federal, os suspeitos teriam conhecimento de fraudes contábeis que se estenderam por anos, envolvendo operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada que teriam sido registrados nos livros sem qualquer sustentação econômica real. Os indícios apontam para crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.
Em comunicado, a própria Americanas informou que não é alvo da operação e reafirmou seu compromisso em colaborar com as investigações. A empresa declarou ser a mais interessada no esclarecimento dos fatos. A CNN tentou contato com os investigados, mas não obteve respostas até o momento da publicação.
A LTS, holding que reúne Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, divulgou nota afirmando ter sido surpreendida pela operação. O grupo sustenta que foi enganado e induzido a erro pela antiga diretoria da Americanas. Segundo a nota, os acionistas de referência entendem a operação como parte do curso regular das investigações em andamento e reiteram seu compromisso de colaboração plena com as autoridades. A holding informou que as defesas ainda não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou os mandados, razão pela qual aguardam mais informações para possível manifestação adicional.
Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, as fraudes na Americanas já haviam sido objeto de uma investigação independente e de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional, sinalizando a magnitude e a complexidade do caso.
Notable Quotes
A Americanas não é alvo da operação e seguirá colaborando com as investigações, sendo a maior interessada no esclarecimento dos fatos— Americanas (comunicado oficial)
Os acionistas de referência foram enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Americanas e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes— LTS (holding de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Polícia Federal decidiu agir agora, quase dois anos depois da operação anterior de 2024?
A investigação tem sido contínua. O que mudou foi a acumulação de evidências sobre o conhecimento que esses executivos e acionistas tinham das fraudes. Não é apenas que o dinheiro desapareceu — é que pessoas em posições de poder sabiam disso e deixaram acontecer.
Os acionistas bilionários estão dizendo que foram enganados. Como isso é possível se eles tinham assento no conselho?
Essa é a tensão central. Alguns deles, como Paulo Alberto Lemann, estavam no conselho. Mas a alegação é que a antiga diretoria operacional — os executivos do dia a dia — ocultou sistematicamente a verdade através de contabilidade fraudulenta. O conselho pode ter visto números que pareciam legítimos.
E quanto aos bancos? Por que executivos do Santander, Bradesco e Itaú estão sendo investigados?
Os bancos financiaram operações que, segundo as investigações, não tinham lastro real. Eles teriam participado de esquemas de risco sacado e contratos de propaganda cooperada que existiam apenas no papel. A questão é: eles sabiam que estavam financiando fraude, ou foram também enganados?
O bloqueio de R$ 54 bilhões é maior que o próprio rombo de R$ 20 bilhões. Como isso funciona?
O bloqueio é preventivo. Inclui bens pessoais dos investigados, contas, propriedades. A Polícia Federal está garantindo que não haja dissipação de patrimônio enquanto a investigação avança. Nem todo esse dinheiro será necessariamente recuperado ou confiscado.
A Americanas diz que não é alvo. Isso significa que a empresa em si não cometeu crime?
A empresa é a vítima institucional, não a autora. O crime foi cometido por pessoas dentro dela — diretores, conselheiros, executivos que manipularam seus registros. A Americanas sofre as consequências, mas não é processada como entidade.