Das profundezas de 115 milhões de anos, um pequeno crustáceo encontrado nos lagos da Bacia do Araripe retorna ao solo que o gerou. Batizado de Cicero spectabilis em homenagem ao santo do sertão, o fóssil — localizado em uma coleção americana e repatriado sem conflitos diplomáticos — representa não apenas um ato de restituição científica, mas uma janela para a época em que o supercontinente Gondwana se fragmentava e o Atlântico ainda não existia. O Ceará recebe de volta, em 2026, um fragmento de sua própria origem.