Há algo de antigo na imagem de um raio encontrando um foguete em pleno voo — como se a natureza testasse a audácia humana de romper os céus. Na última quinta-feira, um Longa Marcha 3B foi atingido por uma descarga elétrica trinta segundos após decolar de Xichang, na China, mas continuou sua trajetória e entregou o satélite Tianlian II-06 à órbita prevista. O episódio, raro na história espacial, lembra que cada lançamento é uma negociação silenciosa entre engenharia e imprevisibilidade — e que as lições do passado, como as colhidas após o desastre de 1987, moldam a resiliência do presente.