Flávio Bolsonaro celebra vitória de Keiko Fujimori e vê avanço da direita na América do Sul

O Peru está praticamente partido ao meio
Keiko Fujimori reconhece a profunda polarização do país que agora governa após vitória apertada.

No limiar de uma América do Sul em reconfiguração, a peruana Keiko Fujimori foi proclamada presidente após uma disputa que dividiu o país ao meio — menos de cinquenta mil votos separaram os dois candidatos. O senador brasileiro Flávio Bolsonaro celebrou a vitória como sinal de uma 'onda azul' continental, projetando seu significado para as eleições brasileiras de outubro. Fujimori herda um país que atravessou oito presidentes em oito anos, onde a instabilidade institucional tornou-se, ela própria, uma tradição.

  • A margem de apenas 49.641 votos deixou o Peru rachado ao meio, com o derrotado Roberto Sánchez recusando-se a reconhecer o resultado e ameaçando recorrer à Corte Internacional de Direitos Humanos.
  • A direita passa a governar oito dos doze países sul-americanos, consolidando uma virada regional que inclui vitórias recentes na Colômbia, no Chile e na Bolívia.
  • Flávio Bolsonaro usou a proclamação de Fujimori como plataforma eleitoral, declarando que a 'onda azul' já teria chegado ao Brasil às vésperas das eleições de outubro.
  • Fujimori assume um governo marcado por crise crônica: seus dois antecessores imediatos foram destituídos por má conduta e corrupção, e o país acumula oito presidentes em oito anos.
  • A nova presidente reconheceu publicamente a divisão do país ao afirmar que o Peru está 'praticamente partido ao meio', sinalizando o tamanho do desafio de governabilidade que a aguarda.

Na tarde de 3 de julho, o Jurado Nacional Eleitoral do Peru ratificou oficialmente a vitória de Keiko Fujimori sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez. A diferença foi de apenas 49.641 votos — 50,135% contra 49,865% — após semanas de apuração iniciadas em 7 de junho. Ao falar com repórteres em Lima, Fujimori reconheceu a fratura: 'Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio'.

Do Brasil, o senador Flávio Bolsonaro celebrou o resultado como parte de uma 'onda azul' que estaria varrendo a América do Sul. Para ele, a eleição peruana é um prenúncio do que espera ver nas urnas brasileiras em outubro. A vitória de Fujimori de fato completa um mapa regional em transformação: com o Peru, a direita passa a controlar oito dos doze países sul-americanos, após conquistas recentes na Colômbia, no Chile e na Bolívia — revertendo a chamada 'onda rosa' que dominou o continente no início do século.

Sánchez não aceitou a derrota. Alegou irregularidades na gestão das cédulas, sobretudo nas votações realizadas no exterior, e anunciou que levaria o caso à Corte Internacional de Direitos Humanos.

O desafio que aguarda Fujimori vai além da polarização eleitoral. Ela assume um país que teve oito presidentes em oito anos. Seus dois antecessores imediatos foram destituídos — um por reuniões não divulgadas com empresários chineses, outro por escândalos de corrupção. Antes deles, Pedro Castillo foi preso após tentar dissolver o Congresso para escapar de um impeachment. Fujimori herda, portanto, não apenas um governo, mas uma crise institucional que se tornou estrutural — e a tarefa de convencer um país dividido de que desta vez será diferente.

Na sexta-feira, 3 de julho, o senador Flávio Bolsonaro publicou uma mensagem celebrando a vitória de Keiko Fujimori nas eleições presidenciais do Peru. A proclamação oficial havia acabado de ser ratificada pelo Jurado Nacional Eleitoral, o órgão máximo das eleições peruanas, em uma cerimônia em Lima. Fujimori venceu com uma margem que deixou o país dividido: 9.223.396 votos, ou 50,135%, contra 9.173.755 votos de seu concorrente de esquerda, Roberto Sánchez, que recebeu 49,865%. Apenas 49.641 votos separavam os dois candidatos após semanas de apuração que começou no dia 7 de junho.

Em sua mensagem, Bolsonaro parabenizou Fujimori pela "vitória histórica" e destacou o que chamou de "onda azul" avançando pela América do Sul. O senador brasileiro viu na eleição peruana um sinal de que a direita ganharia força também nas eleições brasileiras de outubro. "A América do Sul se transformou nos últimos anos. A próxima peça nesse quebra-cabeças é o Brasil: a onda azul já chegou aqui também", escreveu. Fujimori, por sua vez, reconheceu a polarização do país ao falar com repórteres em Lima: "Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio".

A vitória de Fujimori faz parte de uma reconfiguração política mais ampla no continente. Com sua eleição, a direita agora governa oito dos doze países sul-americanos. Essa mudança foi consolidada por vitórias recentes em outros países: Abelardo de la Espriella na Colômbia em junho de 2026, José Antônio Kast no Chile em dezembro de 2025, e Rodrigo Paz na Bolívia em outubro de 2025. Historicamente, a região alterna períodos de domínio político. No início do século 21, a esquerda prevaleceu com a chamada "onda rosa", mas nos últimos anos a direita recuperou espaço significativo.

O adversário de Fujimori, Roberto Sánchez, não aceitou os resultados. Ele alegou irregularidades administrativas e problemas na gestão das cédulas de votação pelo órgão eleitoral, especialmente nas votações realizadas no exterior. Sánchez indicou que protestaria na Corte Internacional de Direitos Humanos contra a proclamação.

Fujimori assume o Peru em um momento de grave instabilidade política. Ela substituirá José María Balcázar Zelada, um presidente de esquerda que ocupou o cargo de forma interina há apenas quatro meses. Zelada havia substituído José Jeri, que também permaneceu no poder por apenas quatro meses antes de ser destituído pelo Congresso por má conduta. Descobriu-se que Jeri havia participado de reuniões não divulgadas com empresários chineses. Seu antecessor, Dina Boluarte, também foi destituído por escândalos de corrupção.

Essa sequência de crises é apenas o capítulo mais recente de uma década de turbulência institucional no Peru. Nos últimos oito anos, o país andino teve oito presidentes. Pedro Castillo, que antecedeu Boluarte, foi preso após dissolver o Congresso e declarar estado de exceção em uma tentativa de evitar um processo de impeachment. O país enfrenta um dos piores períodos de instabilidade política de sua história moderna, e Fujimori herda um governo que precisará navegar essa polarização profunda e restaurar alguma medida de estabilidade institucional.

A América do Sul se transformou nos últimos anos. A próxima peça nesse quebra-cabeças é o Brasil: a onda azul já chegou aqui também
— Flávio Bolsonaro, senador
Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio
— Keiko Fujimori, presidente eleita do Peru
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Flávio Bolsonaro vê a eleição no Peru como relevante para o Brasil?

Model

Ele está lendo a vitória de Fujimori como parte de um padrão regional. Se a direita está ganhando em vários países da América do Sul simultaneamente, ele argumenta que isso cria um ambiente favorável para candidatos de direita também aqui.

Inventor

Mas a margem foi extremamente apertada no Peru, não foi?

Model

Sim. Apenas 49.641 votos separavam Fujimori de Sánchez em uma população de milhões. O próprio Sánchez não aceitou o resultado e está contestando na Corte Internacional. Não é exatamente uma vitória esmagadora.

Inventor

Como o Peru chegou a esse ponto de instabilidade?

Model

Oito presidentes em oito anos. Corrupção, má conduta, tentativas de golpe. Castillo dissolveu o Congresso para escapar de impeachment. Boluarte foi destituída por escândalos. Jeri durou quatro meses. É um colapso institucional.

Inventor

E Fujimori, filha de um ditador, é a solução?

Model

Essa é a aposta dela. Ela entra prometendo segurança e prosperidade em um país que está literalmente dividido ao meio. Mas herda uma instituição presidencial que perdeu credibilidade.

Inventor

A direita realmente está dominando a região agora?

Model

Oito de doze países. Mas é recente. A esquerda prevaleceu no início dos anos 2000. Essas mudanças são cíclicas na América do Sul. O que importa é se a direita consegue governar de forma estável.

Quer a matéria completa? Leia o original em G1 ↗
Fale Conosco FAQ