A sinalização é de que quando o erro é contra, suspende
Flamengo desenvolveu análise técnica comparando cartões e pênaltis não marcados, apontando disparidades em relação a outros clubes. Landim critica que CBF admitiu erro apenas contra São Paulo e trocou árbitro, enquanto Flamengo teve pedido de troca recusado.
- Flamengo desenvolveu dossiê comparando cartões e pênaltis não marcados
- CBF admitiu erro contra São Paulo e trocou árbitro; Flamengo teve pedido de troca recusado
- Wilton Pereira Sampaio e Leandro Vuaden distribuem mais cartões em jogos do Flamengo que sua média geral
- Desfalques do Flamengo por cartões: Bruno Henrique (Inter), Willian Arão e Thiago Maia (São Paulo)
Presidente do Flamengo apresenta dossiê denunciando critérios distintos da CBF na arbitragem, citando diferenças no tratamento entre clubes e questionando transparência em decisões do VAR.
O Flamengo chegou ao ponto de documentar tudo. Não em tom de desabafo, mas em planilhas, gráficos, comparações lado a lado — uma análise técnica que o departamento de desempenho do clube montou para responder uma pergunta que o presidente Rodolfo Landim não conseguia mais deixar passar: por que a CBF trata o São Paulo diferente?
A questão ganhou urgência na semana de 18 de novembro de 2020, quando o Flamengo enfrentaria o São Paulo pelas quartas de final da Copa do Brasil. Wilton Pereira Sampaio seria o árbitro. O Flamengo pediu a troca. A CBF recusou. E Landim, em entrevista, resolveu ser explícito sobre o que o clube acreditava estar acontecendo.
O ponto de partida era um lance específico: semanas antes, o São Paulo havia tido um gol anulado contra o Atlético-MG por impedimento. Leonardo Gaciba, presidente da comissão de arbitragem da CBF, admitiu publicamente que houve erro. Como consequência, o São Paulo conseguiu que a arbitragem fosse trocada em seu próximo jogo, contra o Grêmio. Para Landim, a mensagem era clara e perturbadora. "A sinalização é de que quando o erro é contra o São Paulo, suspende. Quando é a favor, nada acontece", disse o presidente. "O que se passa é: cuidem-se se errarem contra o São Paulo."
O dossiê que o Flamengo apresentava não era um gesto de desespero, mas de método. O clube havia compilado imagens de pênaltis não marcados a seu favor — toques de mão que não foram assinalados — e os comparou com situações idênticas em que adversários foram beneficiados. Havia também uma tabela mostrando que Wilton Pereira Sampaio e Leandro Vuaden distribuíram significativamente mais cartões em jogos do Flamengo do que sua média geral no Campeonato Brasileiro. Esses cartões custaram caro: Bruno Henrique foi desfalque contra o Inter, Willian Arão e Thiago Maia contra o São Paulo — todos em confrontos contra rivais diretos.
Landim insistia que não havia leviandade na reclamação. "O Flamengo é um clube profissional e comandado por uma diretoria com um nome a zelar", disse. "São fatos e dados." O que o incomodava não era apenas uma decisão isolada, mas um padrão: diferença de critérios entre árbitros, falta de transparência nas acionagens do VAR — às vezes as imagens eram mostradas, às vezes não, deixando o clube sem saber se o sistema havia sido ativado — e a insistência em escalar árbitros problemáticos para jogos do Flamengo mesmo após problemas anteriores.
A visita de representantes do São Paulo à CBF nesta terça-feira para acessar a análise do VAR em um gol do Fortaleza foi, para Landim, a gota d'água. Aqui estava o São Paulo tendo acesso a informações, tendo suas reclamações ouvidas, tendo árbitros trocados quando necessário. Enquanto isso, o Flamengo apresentava dados, pedia transparência, solicitava a troca de um árbitro específico — e recebia não.
"Não entendemos certos comportamentos e não há nem tempo para que a situação seja amenizada, parece que estão querendo deixar o clima do jogo ruim", disse Landim. O que o presidente estava descrevendo era mais do que frustração com decisões arbitrais. Era a sensação de que as regras não eram as mesmas para todos, de que reclamações legítimas eram ouvidas de forma seletiva, de que a transparência era um privilégio concedido a alguns clubes e negado a outros. O jogo contra o São Paulo aconteceria em poucas horas. O Flamengo entraria nele carregando não apenas a esperança de vencer, mas a convicção de que o campo de jogo não era tão plano quanto deveria ser.
Notable Quotes
O Flamengo é um clube profissional e comandado por uma diretoria com um nome a zelar. São fatos e dados.— Rodolfo Landim, presidente do Flamengo
Entendemos que o comportamento da CBF com o São Paulo é distinto dos outros clubes.— Rodolfo Landim
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Flamengo resolveu montar um dossiê agora, especificamente? Isso não parecia uma reclamação isolada?
Não. O que aconteceu com o São Paulo foi o catalisador. Quando a CBF admitiu erro contra eles e trocou o árbitro, ficou claro que havia um padrão. O Flamengo pediu a mesma coisa e foi recusado. Aí o clube decidiu documentar tudo que vinha acontecendo.
E o que o dossiê mostrou exatamente?
Que árbitros específicos distribuem muito mais cartões em jogos do Flamengo do que em outros. Que pênaltis não são marcados a favor do clube em situações que seriam marcadas contra. Que o VAR às vezes mostra as imagens, às vezes não, sem explicação.
Landim fala em "falta de transparência". Isso é diferente de dizer que houve erro arbitral, não é?
Completamente. Ele não está dizendo que todos os árbitros são desonestos. Está dizendo que não sabe as regras do jogo. Quando o São Paulo reclama, é ouvido. Quando o Flamengo reclama, é ignorado. Isso cria uma sensação de que o sistema não funciona igualmente para todos.
Os cartões extras que Sampaio e Vuaden deram — isso realmente mudou o resultado dos jogos?
Mudou a composição do time. Bruno Henrique faltou contra o Inter. Willian Arão e Thiago Maia contra o São Paulo. Não é só uma questão de estatística. É sobre quem entra em campo.
E por que Landim insiste tanto em frisar que tudo é baseado em "fatos e dados"?
Porque ele sabe como soa reclamar de arbitragem. Parece fraco, parece desculpa. Então ele está dizendo: não é opinião, é análise. Olhem as imagens. Vejam os números. Isso é diferente.