É emocionante ficar perto dela. Para ficar longe, ficava em casa
Alguns torcedores saíram de casa antes do amanhecer para ficar próximo à taça e aos jogadores, demonstrando devoção ao clube. Famílias inteiras da Zona Norte do Rio compareceram à celebração, ocupando posições estratégicas nas ruas para acompanhar o desfile.
- José acordou antes do amanhecer para participar da festa no Centro do Rio
- Damiana e Claudia Moreira do Carmo saíram de Bonsucesso e Ramos com mais oito membros da família
- O desfile aconteceu na Rua Primeiro de Março com trio elétrico e a taça da Libertadores
- Flamengo conquistou seu tetracampeonato da Copa Libertadores em 2025
Torcedores do Flamengo madrugaram para participar da festa de comemoração do tetracampeonato da Copa Libertadores no Centro do Rio, com desfile dos jogadores em trio elétrico.
José acordou antes do amanhecer, ainda escuro lá fora, com um único propósito: estar no Centro do Rio quando o Flamengo chegasse para celebrar o tetracampeonato da Libertadores. Ele usava uma bandana vermelha e preta com tranças — um tributo a Vagner Love, atacante dos tempos em que as finanças do clube ainda eram um caos — e já tinha assistido ao jogo em casa na noite anterior, mas sabia que a festa seria diferente. Sem ingresso para o estádio, ele queria apenas ficar perto da taça, aquele objeto que o fazia sentir algo que não conseguia explicar bem. "Não tinha ingresso, mas quero tirar uma foto da taça de novo. É emocionante ficar perto dela", disse ele, que havia participado de celebrações semelhantes em 2019.
A história de José com as festas de título do Flamengo era marcada por ausências. Em 2022, não foi porque era aniversário da esposa. Em 2021, sofreu a derrota para o Palmeiras na final — a mesma equipe que agora havia perdido a chance de conquistar seu quarto título continental. Aquela revanche tinha gosto especial. Quando soube que o Palmeiras havia caído na final deste ano, José não resistiu e mandou uma provocação à presidente do clube paulista, Leila Pereira, comparando-a a uma personagem de novela. "Ela disse que está calminha, mas nós também. Estamos calmos e tetracampeões", brincou, com a satisfação de quem finalmente via seu time levantar a taça que o rival não conseguiu.
José não estava sozinho naquela madrugada. Damiana e Claudia Moreira do Carmo, irmãs que moravam em Bonsucesso e Ramos, na Zona Norte do Rio, saíram de casa com mais oito membros da família — todos flamenguistas. Elas usavam chapéus vermelhos e faixas de tetracampeãs sobre as camisas, posicionadas estrategicamente junto à corda que separava o trio elétrico da multidão. Enquanto acompanhavam a chegada dos jogadores pelo celular, em streaming, Claudia não poupava elogios ao técnico Filipe Luís. "Meus parabéns ao Filipe Luís", disse ela, e logo a multidão ao redor começou a cantar em uníssono: "Tem que ficar. Fica! Fica! Fica!".
A Rua Primeiro de Março, no coração do Centro, havia se transformado em um mar de vermelho e preto sob um sol forte e implacável. O trio elétrico desfilaria ali com os jogadores e a taça da Libertadores, e todos queriam estar o mais perto possível. Quem não conseguia espaço junto à corda improvisava. Janelas de prédios viraram arquibancadas improvisadas. Postes, marquises, até os tetos das bancas de jornal serviam como base para torcedores que queriam uma visão melhor do desfile. Era uma cidade inteira celebrando, cada pessoa encontrando seu lugar naquela festa que havia começado antes do amanhecer e que promete durar enquanto a luz do dia permitir.
Citas Notables
Não tinha ingresso, mas quero tirar uma foto da taça de novo. É emocionante ficar perto dela.— José, torcedor do Flamengo
Estamos calmos e tetracampeões— José, em provocação à presidente do Palmeiras
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que acordar tão cedo? Não era mais fácil ficar em casa assistindo?
Para José, ficar longe da taça era ficar em casa. Ele precisava estar perto dela, tocar aquela realidade. Não é racional — é devoção.
E a bandana com tranças? Por que Vagner Love especificamente?
Porque Vagner Love jogou quando o Flamengo era caótico, quando ninguém acreditava. Usar aquele acessório é carregar aquela história, aquela luta.
A provocação à Leila Pereira — isso é apenas brincadeira ou há algo mais profundo?
É revanche. Em 2021, o Palmeiras o derrotou. Agora o Flamengo é tetracampeão e o Palmeiras perdeu a chance de ser. Aquela dor antiga finalmente tem resposta.
As famílias inteiras saindo da Zona Norte — o que isso diz sobre o futebol no Rio?
Diz que o futebol não é entretenimento. É identidade. É razão para acordar cedo, para levar os filhos, para estar junto de quem você ama celebrando algo que transcende o jogo.
E os que subiram em postes e marquises — não era perigoso?
Talvez. Mas quando você quer estar perto da taça, quando quer ver seu time levantar aquele troféu, o risco desaparece. Só importa estar lá.