Perdi tudo por causa de um desgraçado que tirou a vida da minha mãe
Priscilla foi encontrada morta na cama do namorado com marcas de estrangulamento após tentar se separar dele, que era possessivo e não aceitava o término. O suspeito, policial penal afastado desde janeiro por problemas psiquiátricos, confessou o crime e foi preso preventivamente pela Justiça na segunda-feira.
- Priscilla Azevedo Mundim, 46 anos, encontrada morta por estrangulamento em 16 de agosto
- Rodrigo Caldas, policial penal de 45 anos, preso preventivamente na segunda-feira, 18 de agosto
- Priscilla deixa dois filhos: Lucas, de 22 anos, e uma filha de 11 anos
- Vizinhos ouviram gritos e chamaram a polícia, mas nenhuma viatura compareceu
Priscilla Azevedo Mundim, 46 anos, foi morta por estrangulamento pelo namorado, policial penal Rodrigo Caldas, em Belo Horizonte. Seu filho de 22 anos clama por justiça nas redes sociais.
Lucas Mundim, aos 22 anos, gravou um vídeo para as redes sociais e publicou palavras que carregam o peso de uma perda irreversível. Sua mãe, Priscilla Azevedo Mundim, de 46 anos, foi encontrada morta na cama do namorado na madrugada de sábado, 16 de agosto, em um apartamento no Bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste de Belo Horizonte. As marcas no corpo dela contavam a história de seus últimos momentos: estrangulamento e golpes contundentes no tórax, rosto, pernas e braços. O homem ao seu lado era Rodrigo Caldas, policial penal de 45 anos, com quem ela estava há cinco meses.
"Perdi a minha mãe, o meu norte, a minha casa, porque ela era a minha casa", disse Lucas no vídeo. "Perdi tudo por causa de um desgraçado, um verme maldito que tirou a vida da minha mãe sem qualquer pingo de misericórdia." A raiva e o desespero nas palavras do jovem refletem não apenas a morte de uma mãe, mas o colapso de uma estrutura familiar. Priscilla deixava também uma filha de 11 anos. Ela trabalhava como auxiliar administrativa em uma empresa de seguros no Bairro Camargos.
A sequência dos eventos começou na noite de sexta-feira, 15 de agosto. Priscilla e Rodrigo estiveram em uma confraternização familiar na casa da irmã dela. Por volta das 22 horas, decidiram ir embora. A família tentou entrar em contato para confirmar que haviam chegado bem, mas não obteve resposta. Na manhã seguinte, o cunhado Leonardo Alves de Souza e a irmã Fabíola Mundim foram até o apartamento do policial procurar por Priscilla. Rodrigo atendeu a ligação e confessou: "fiz merda". Pediu que chamassem a Polícia Militar.
Quando os militares arrombaram a porta, encontraram Rodrigo em um cômodo repleto de sangue, segurando uma faca e com um ferimento no abdômen. Priscilla estava caída no chão. A causa da morte foi determinada como estrangulamento. Rodrigo foi socorrido e levado ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, onde permaneceu internado sob escolta policial. Vizinhos relataram ter ouvido gritos durante a madrugada e chamado a polícia, mas nenhuma viatura compareceu para averiguar.
A história anterior ao crime revela um padrão de controle e rejeição. Parentes contam que Priscilla tentou se separar do namorado, mas ele não aceitava o término. Rodrigo era possessivo, e a relação havia se tornado insuportável. O policial estava afastado de suas funções desde janeiro de 2024 por problemas psiquiátricos. Na segunda-feira, 18 de agosto, a Justiça decretou sua prisão preventiva. A juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto citou em sua decisão os "fortes indícios" de que Rodrigo agiu "com intenção de matar" a namorada, e destacou "a brutalidade das lesões corporais" como evidência clara da violência do crime.
O velório e sepultamento de Priscilla ocorreram no domingo, 17 de agosto, no Cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, na Região Oeste de Belo Horizonte. Lucas criou um perfil no Instagram para compartilhar informações sobre o caso e clamar por justiça. "Um cara desses não pode ser solto, não pode ficar impune. A justiça tem que ser feita e vai ser feita", afirmou o jovem. Ele também compartilhou uma memória menor, mas significativa: o último jogo de futebol que assistiu com a mãe, quando o Atlético-MG venceu o Flamengo nos pênaltis e avançou para as quartas de final da Copa do Brasil. "A gente nunca espera isso", disse Lucas. "Mamãe está com Deus agora, mas é muita dor para aqueles que ficam."
Notable Quotes
Perdi a minha mãe, o meu norte, a minha casa, porque ela era a minha casa— Lucas Mundim, filho de Priscilla
Um cara desses não pode ser solto, não pode ficar impune. A justiça tem que ser feita e vai ser feita— Lucas Mundim
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Lucas decidiu falar publicamente sobre isso, em vez de apenas lidar com o luto em privado?
Porque o silêncio neste caso seria cumplicidade. Ele não está apenas chorando a mãe — está tentando impedir que o homem que a matou desapareça do sistema. Quando a polícia não responde aos gritos, quando um policial afastado por problemas psiquiátricos consegue matar alguém, o luto se torna um ato político.
A polícia foi chamada durante a madrugada, mas ninguém apareceu. Como isso muda a história?
Muda tudo. Não sabemos se Priscilla estaria viva se uma viatura tivesse chegado. Mas sabemos que vizinhos ouviram gritos, fizeram o que deviam fazer, e o sistema falhou. Isso não é um detalhe — é parte do crime.
Rodrigo confessou imediatamente. Por que isso não simplifica as coisas?
Porque confissão não é justiça. Ele está vivo, internado em um hospital, sob escolta. Priscilla está morta. Lucas tem 22 anos e perdeu a mãe. A filha dela tem 11 anos e perdeu a mãe. A confissão é apenas o começo de um processo que pode levar anos.
O que significa que ele era "possessivo" e "não aceitava o término"?
Significa que Priscilla tentou sair. Significa que ela viu o perigo e tentou se proteger. E significa que ele a matou por isso. Essa é a realidade do feminicídio — não é um crime de paixão, é um crime de controle.
Lucas menciona o último jogo de futebol que assistiram juntos. Por que isso importa?
Porque mostra que ela era uma pessoa viva, com alegrias, com rotinas, com um filho que a amava. Não é apenas uma vítima em um processo judicial. Era uma mulher que torcia pelo Atlético-MG e que tinha um filho que quer que o mundo saiba quem ela era.