Tem que ser na abertura da Copa ou até mesmo na final
Após 92 anos de arbitragem exclusivamente masculina em Copas do Mundo, a Fifa considera colocar uma mulher para apitar a final do torneio no Qatar — não como gesto simbólico periférico, mas no centro do palco mais iluminado do futebol global. Cafu, ex-lateral brasileiro e membro do Comitê de Stakeholders da entidade, revelou a intenção em julho de 2022: seis mulheres foram convocadas para arbitrar o Mundial, e o comitê quer que atuem nas partidas que o mundo inteiro assiste. É um momento em que a história do esporte se dobra sobre si mesma, abrindo espaço para o que antes parecia impensável.
- Pela primeira vez em 92 anos, seis mulheres foram convocadas para arbitrar uma Copa do Mundo — três árbitras e três assistentes, incluindo a brasileira Neuza Back.
- A tensão não está apenas na inclusão, mas no palco escolhido: o Comitê de Stakeholders da Fifa quer escalar árbitras femininas na abertura ou na final, recusando jogos de menor visibilidade.
- Cafu, voz brasileira nesse comitê de 22 membros, foi direto ao ponto — colocar mulheres em decisões do terceiro lugar seria esvaziar o significado do gesto.
- A Fifa sinalizou que avaliará as árbitras exclusivamente por critérios técnicos, sem distinção de gênero, estabelecendo um padrão de competência como único medidor.
- Se uma mulher apitar a final do Qatar, o futebol global terá um novo ponto de referência — um precedente que redefine quem pode liderar nos momentos que mais importam.
Cafu, o lateral que conquistou cinco títulos mundiais com a seleção brasileira, hoje ocupa um assento no Comitê de Stakeholders da Fifa — o órgão que discute regras e elabora políticas para o futebol global. Em julho de 2022, durante um evento em São Paulo, ele revelou que a entidade estuda escalar uma árbitra mulher em partidas de grande relevância da Copa do Qatar, incluindo potencialmente a final.
A Copa do Qatar será a primeira em 92 anos a contar com arbitragem feminina. Seis mulheres foram selecionadas para integrar o quadro de árbitros: Stephanie Frappart (França), Salima Mukansanga (Ruanda) e Yoshimi Tamashita (Japão) como árbitras principais; e Neuza Back (Brasil), Karen Diaz Medina (México) e Kathryn Nesbit (Estados Unidos) como assistentes. Elas serão exceção em um universo de dezenas de árbitros homens.
Mas Cafu deixou claro que a estratégia do comitê não é simplesmente incluir — é incluir onde importa. 'Não adianta colocar no sub-15, sub-16', disse. 'Tem que ser na abertura da Copa ou até mesmo na final.' O comitê quer os jogos de máxima visibilidade, aqueles que o mundo inteiro acompanha.
Sobre a avaliação dessas árbitras, Cafu foi igualmente direto: a Fifa as julgará por erros e acertos técnicos, sem considerar gênero. Após o evento, ele reforçou que escalar uma mulher na final enviaria uma mensagem positiva para o futebol mundial. 'Será muito bom pra nós', afirmou. O Qatar pode se tornar o ponto de inflexão de uma história que durou quase um século.
Cafu, o lateral que conquistou cinco títulos mundiais pela seleção brasileira, agora ocupa um assento em uma das mesas mais influentes do futebol global. Como membro do Comitê de Stakeholders da Fifa — o órgão que elabora políticas e discute as regras do jogo — ele carrega uma responsabilidade que vai além dos gramados. Durante um evento da plataforma Twitter em São Paulo no início de julho, Cafu revelou que a Fifa estuda a possibilidade de escalar uma árbitra mulher em partidas de grande relevância da Copa do Qatar, incluindo a final.
A declaração marca um momento histórico para o futebol. A Copa do Qatar, que começará em novembro daquele ano, será a primeira em 92 anos a contar com arbitragem feminina. Seis mulheres foram selecionadas para quebrar essa hegemonia quase secular: três árbitras e três assistentes. Entre elas está Neuza Back, bandeirinha catarinense que integra o grupo de pioneiras. Essas seis mulheres funcionarão como exceção em um universo muito maior — 36 árbitros, 69 assistentes e 24 árbitros de vídeo, todos homens.
Mas Cafu foi claro sobre a estratégia do comitê: não se trata simplesmente de incluir mulheres em qualquer partida. "Não adianta colocar no sub-15, sub-16", disse o ex-jogador. "Na Copa, não pode ser em jogo que não vale nada, como decisão do 3º e 4º lugar. Tem que ser na abertura da Copa ou até mesmo na final." O Comitê de Stakeholders, composto por 22 membros de vários países, pretende escolher jogos de máxima visibilidade — aqueles que o mundo inteiro acompanha. Cafu é o representante brasileiro nesse comitê, que se reúne periodicamente para sugerir mudanças nas regras e assessorar a Fifa em suas decisões.
As três árbitras selecionadas são Stephanie Frappart, da França; Salima Mukansanga, de Ruanda; e Yoshimi Tamashita, do Japão. As assistentes são Neuza Back, do Brasil; Karen Diaz Medina, do México; e Kathryn Nesbit, dos Estados Unidos. Ainda não há definição sobre em quais jogos específicos cada uma atuará, mas a intenção é clara: colocá-las em partidas que importam.
Cafu também abordou a questão de como essas árbitras serão avaliadas. Segundo ele, a Fifa julgará sua participação "por seus erros e acertos técnicos", e o gênero não será levado em conta na avaliação de eventuais equívocos. É uma posição que reforça a ideia de que a competência é o critério, não a identidade. Ao ser abordado pela reportagem após o evento, o ex-lateral afirmou que escalar uma mulher na final da Copa enviaria uma mensagem positiva para o mundo do futebol. "Será muito bom pra nós", disse.
O que está em jogo aqui vai além da representatividade. A decisão de colocar uma árbitra mulher em uma final de Copa do Mundo — a partida mais assistida do torneio — estabeleceria um precedente para o futebol global. Sinalizaria que a liderança feminina no jogo é não apenas possível, mas desejável nos momentos que mais importam. A Copa do Qatar se tornaria o ponto de inflexão de uma história que durou quase um século.
Notable Quotes
Não adianta colocar no sub-15, sub-16. Na Copa, não pode ser em jogo que não vale nada, como decisão do 3º e 4º lugar. Tem que ser na abertura da Copa ou até mesmo na final.— Cafu, membro do Comitê de Stakeholders da Fifa
Será muito bom pra nós— Cafu, sobre escalar uma árbitra mulher na final
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Cafu insistiu tanto que não pode ser "qualquer jogo"? Por que a final especificamente?
Porque colocar uma mulher arbitrando um jogo irrelevante — uma disputa de terceiro lugar, por exemplo — seria simbólico de inclusão sem poder real. A final é onde o mundo está olhando. É onde a decisão importa de verdade.
E se ela cometer um erro grave na final? Como a Fifa responderia?
Cafu foi bem claro: será julgada pelos mesmos critérios técnicos que qualquer árbitro homem. Sem desculpas, sem proteção especial. Isso é tanto uma oportunidade quanto um risco.
Você acha que a Fifa realmente vai fazer isso, ou é só conversa?
Cafu está em uma posição para saber. Ele não estava especulando — estava descrevendo o que o comitê está estudando. Mas "estudar" e "fazer" são duas coisas diferentes.
Qual é o significado real dessa mudança?
Quebrar 92 anos de exclusão. Mas mais que isso: dizer que competência não tem gênero, e que os momentos que mais importam no futebol não são exceção a essa regra.
E as outras cinco mulheres que não vão apitar a final?
Elas abrem o caminho. Cada jogo que arbitram, cada decisão correta, cada erro que é tratado como erro técnico e não como "prova" de que mulheres não podem fazer isso — tudo isso constrói o argumento para a próxima vez.