Catorze longas chegam ao Rio já pré-selecionados para o Oscar 2026
Uma vez por ano, o Rio de Janeiro suspende o ritmo cotidiano para se tornar capital provisória do cinema mundial — e em 2025, essa transformação chega com peso incomum. A 27ª edição do Festival Internacional de Cinema do Rio reúne 298 filmes de múltiplas origens, entre eles o representante brasileiro ao Oscar e catorze títulos já pré-selecionados por seus países para a mesma corrida em 2026. É o momento em que uma cidade e uma arte se reconhecem mutuamente: o festival não apenas exibe filmes, mas afirma que o Brasil tem lugar na conversa global sobre o que o cinema pode dizer ao mundo.
- Com 298 filmes em dez dias, o Festival do Rio 2025 impõe um ritmo de imersão que desafia qualquer espectador a escolher o que não pode perder.
- A presença de catorze filmes pré-selecionados ao Oscar 2026 — incluindo obras ovacionadas em Veneza, Berlim e Cannes — eleva a programação internacional a um nível raramente visto em solo brasileiro.
- O cinema nacional responde com força: 124 títulos na Première Brasil, incluindo documentários sobre gestação transgênero e militarização de favelas, revelando um país que se filma sem desviar o olhar.
- Juliette Binoche como diretora estreante e o CEO da Academia de Hollywood presentes no mesmo evento sinalizam que o festival deixou de ser apenas local para se tornar ponto de convergência global.
- A sessão de abertura com Luca Guadagnino e o encerramento com Chloé Zhao emolduram dez dias em que o Rio se oferece, também por meio de sessões gratuitas, como cidade que acredita no cinema como bem comum.
O Rio de Janeiro abre sua maior celebração cinematográfica anual a partir desta quinta-feira. A 27ª edição do Festival Internacional de Cinema do Rio traz 298 filmes — curtas, médias e longas nacionais e internacionais — distribuídos em salas da capital fluminense até 12 de outubro. O que torna este ano singular é a convergência de prestígio: obras premiadas em Veneza, Berlim e Cannes; representantes de países inteiros na corrida pelo Oscar; e presenças que raramente comparecem a festivais brasileiros.
O coração da mostra é a Première Brasil, com 124 títulos nacionais, dos quais 48 competem pelo Troféu Redentor. O Agente Secreto, representante brasileiro ao Oscar 2025, será exibido fora de competição. Na ficção, destacam-se #SalveRosa, de Susanna Lira com Klara Castanho, e o suspense erótico Ato Noturno. Nos documentários, Apolo acompanha a gestação de um casal transgênero, enquanto Cheiro de Diesel examina a militarização das favelas cariocas durante a era dos megaeventos.
A programação internacional sinaliza o alcance global do festival: catorze longas chegam ao Rio pré-selecionados para o Oscar 2026. Entre eles, Valor Sentimental, do norueguês Joachim Trier; A Voz de Hind Rajab, que recebeu mais de vinte minutos de aplausos em Veneza; e O Olhar Misterioso do Flamingo, vencedor em Cannes. Kristen Stewart assina seu primeiro longa como diretora; Julia Ducournau retorna com Alpha; Edward Berger, Rose Byrne e Paolo Sorrentino completam um elenco de nomes que raramente se reúnem em um único festival brasileiro.
Juliette Binoche virá apresentar seu primeiro trabalho como diretora, e Bill Kramer, CEO da Academia de Hollywood, marcará presença para reforçar os laços internacionais do evento. A abertura, no Cine Odeon, será com o novo drama de Luca Guadagnino estrelado por Julia Roberts, Ayo Edebiri e Andrew Garfield. O encerramento fica com Hamnet, de Chloé Zhao, premiado pelo público em Toronto. Além das sessões pagas, exibições gratuitas em centros culturais e museus democratizam o acesso — e por dez dias, o Rio se torna, de fato, capital do cinema.
O Rio de Janeiro abre as portas para sua maior celebração cinematográfica anual a partir desta quinta-feira. A 27ª edição do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro traz consigo 298 filmes — curtas, médias e longas nacionais e internacionais — distribuídos em salas de cinema espalhadas pela capital fluminense até o dia 12 de outubro. É um número impressionante, mas o que torna este ano particularmente relevante é a convergência de prestígio: filmes que já conquistaram prêmios em Veneza, Berlim e Cannes; representantes de países inteiros na corrida pelo Oscar; e a presença de nomes que raramente comparecem a festivais brasileiros.
O coração da mostra é a Première Brasil, que reúne 124 títulos nacionais em suas diversas categorias. Destes, 48 competem pelo Troféu Redentor nas categorias de ficção, documentário e novos rumos. O Agente Secreto, escolhido como representante do Brasil na disputa de melhor filme internacional do Oscar 2025, será exibido fora de competição — uma honra que reconhece seu status já consolidado. Na ficção, títulos como #SalveRosa, novo trabalho da diretora Susanna Lira com Klara Castanho, dividem espaço com o suspense erótico Ato Noturno e o romance Ruas da Glória. Na seção de documentários, Apolo, de Tainá Müller e Ísis Broken, acompanha a gestação de um casal transgênero, enquanto Cheiro de Diesel, de Natasha Neri e Gizele Martins, examina a militarização das favelas cariocas durante a década de megaeventos esportivos.
Mas é a programação internacional que sinaliza o alcance global do festival. Catorze longas chegam ao Rio já pré-selecionados por seus países para a disputa de melhor filme internacional no Oscar 2026. Entre eles estão títulos que já acumulam prêmios e aplausos: Valor Sentimental, do norueguês Joachim Trier, é um dos mais cotados; A Voz de Hind Rajab, da Tunísia, recebeu mais de vinte minutos de aplausos em Veneza; O Olhar Misterioso do Flamingo, do Chile, venceu a mostra Un Certain Regard em Cannes; e Órfão, do húngaro László Nemes, marca seu retorno ao festival.
Os destaques se multiplicam. A Cronologia da Água é o primeiro longa dirigido por Kristen Stewart. Alpha, da francesa Julia Ducournau — autora de Grave e Titane — mergulha no terror corporal. Balada de um Jogador vem de Edward Berger, que dirigiu Conclave. The Mastermind é de Kelly Reichardt. Morra, Amor!, estrelado por Jennifer Lawrence e Robert Pattinson, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, que rendeu a Rose Byrne o Urso de Prata de melhor atriz em Berlim, e La Grazia, do italiano Paolo Sorrentino, completam um elenco que raramente se reúne em um único festival brasileiro.
A presença de Juliette Binoche, que virá apresentar In-I in Motion, seu primeiro trabalho como diretora, e de Bill Kramer, CEO da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, reforça o papel do festival como ponto de encontro internacional. Kramer comparecerá, segundo comunicado oficial, justamente para fortalecer essa posição. A sessão de abertura, na sexta-feira no Cine Odeon, será com Depois da Caçada, novo drama de Luca Guadagnino estrelado por Julia Roberts, Ayo Edebiri e Andrew Garfield. O encerramento fica com Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, drama histórico de Chloé Zhao que conquistou o prêmio de público em Toronto.
Além das sessões pagas, o festival oferece exibições gratuitas em centros culturais, museus e complexos do circuito Estação, democratizando o acesso a uma programação que, de outra forma, permaneceria restrita. A programação completa está disponível no site oficial do Festival do Rio. O que se desenha para as próximas duas semanas é um encontro raro: o cinema brasileiro em sua força, o cinema internacional em seu melhor momento, e uma cidade que, por dez dias, se torna capital do cinema.
Citações Notáveis
Fortalecer o papel do Festival como ponto de encontro internacional— Comunicado oficial sobre a participação de Bill Kramer, CEO da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que um festival no Rio importa agora, quando temos tantos outros ao longo do ano?
Porque este reúne algo que os outros não conseguem: filmes que já venceram em Veneza, Berlim, Cannes, lado a lado com o melhor do cinema brasileiro. É um momento de convergência rara.
E essa presença do CEO da Academia — é apenas simbólica ou muda algo de verdade?
Muda. Quando a Academia envia seu chefe para um festival, está sinalizando que aquele espaço importa na conversa global sobre cinema. É um voto de confiança que afeta como os filmes são vistos.
O Agente Secreto já está fora de competição. Isso não o tira da conversa do festival?
Ao contrário. Colocá-lo fora de competição é reconhecer que ele já transcendeu a mostra local. É uma forma de honra — o filme já tem seu caminho traçado.
Qual é a aposta maior do festival este ano?
Que o Rio se consolide como lugar onde o cinema de autor internacional escolhe estar. Não é apenas exibir filmes; é criar um espaço onde cineastas como Kristen Stewart, Paolo Sorrentino e Luca Guadagnino querem estar.
E para o público brasileiro?
É a chance de ver, em salas brasileiras, filmes que normalmente só circulam em festivais europeus. E de graça, em muitos casos, nos centros culturais.