O jornalismo periférico é referência para os grandes veículos
Em um momento em que o jornalismo digital busca afirmar sua identidade diante das grandes plataformas e da inteligência artificial, o Festival 3i retorna ao Rio de Janeiro — desta vez presencialmente, de 5 a 7 de maio, na Casa da Glória. Organizado pela Ajor em sua primeira gestão integral do evento, o encontro reúne mais de 40 vozes da América Latina e do mundo para interrogar o futuro da informação, da democracia e do empreendedorismo jornalístico. É também uma celebração de dois anos de uma associação que nasceu justamente para dar forma institucional a esse debate.
- O jornalismo independente enfrenta pressões simultâneas — das big techs, da desinformação e da instabilidade financeira — e o festival surge como espaço urgente para nomear esses desafios.
- A estreia da Ajor como organizadora integral marca uma virada institucional: o evento deixa de ser externo à associação e passa a refletir diretamente sua missão e identidade.
- Nomes internacionais de peso — da Fundação Gabo à London School of Economics — convergem para o Rio para debater regulação de plataformas, IA e modelos de financiamento jornalístico.
- A questão do jornalismo periférico entra na programação como lembrete de que inovação não é privilégio dos grandes centros — comunidades e territórios também produzem referências.
- O evento aterra em um formato presencial e concentrado após dois anos online, apostando que a densidade das trocas ao vivo é insubstituível para construir o campo do jornalismo digital.
O Rio de Janeiro recebe em maio a quarta edição nacional do Festival 3i, um dos principais encontros de jornalismo e empreendedorismo da América Latina. Entre 5 e 7 de maio, a Casa da Glória será palco de debates organizados em torno de três pilares — inovação, independência e inspiração. A novidade desta edição é que a Associação de Jornalismo Digital (Ajor) assume pela primeira vez a organização integral do evento, dois anos após sua fundação.
A diretora executiva da Ajor, Maia Fortes, destaca que a programação coloca no centro a relação do jornalismo com a tecnologia: regulação de plataformas digitais, impacto da inteligência artificial na produção de notícias e o papel do jornalismo periférico — aquele feito nas comunidades que frequentemente pautam os grandes veículos. Mais de 40 profissionais de diferentes países participam do evento.
Entre os convidados de destaque estão Jaime Abello, diretor-geral da Fundação Gabo, que abre o festival com palestra no primeiro dia; Jonathan Stray, do Center for Human Compatible AI em Berkeley; Florencia Coelho, cofundadora da equipe La Nación Data; e Tshepo Tshabalala, do Journalism AI da London School of Economics. A mesa sobre regulação de plataformas reúne especialistas do Canadá, da Dinamarca e do Brasil, incluindo o deputado Orlando Silva, relator do PL das Fake News.
A programação também aborda o lado empresarial do jornalismo: novas fontes de financiamento, relação com a audiência e a criação de fundos jornalísticos. Confirmaram presença o biólogo Atila Iamarino, o jornalista Tiago Rogero — vencedor do Prêmio Vladimir Herzog pelo podcast Querino — e a fundadora da revista mexicana Malvestida, Alejandra Higareda, entre outros.
Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla, com valores entre R$ 75 e R$ 250 dependendo da modalidade. O retorno presencial encerra um ciclo iniciado durante a pandemia, quando o festival migrou para o formato online. Agora, com formato mais concentrado e a Ajor à frente, a proposta é manter a qualidade do debate e a diversidade de vozes que definem o evento.
Rio de Janeiro vai receber em maio um dos principais encontros de jornalismo e empreendedorismo da América Latina. O Festival 3i retorna ao formato presencial entre 5 e 7 de maio, na Casa da Glória, trazendo uma programação enxuta mas ambiciosa que coloca no centro da conversa três pilares: inovação, independência e inspiração. A quarta edição nacional do evento marca também um momento de transição — é a primeira vez que a Associação de Jornalismo Digital (Ajor) assume a organização integral do festival, dois anos após sua fundação em 3 de maio de 2021.
Maia Fortes, diretora executiva da Ajor, explica que o foco está em trazer histórias de sucesso de produtos jornalísticos brasileiros e a relação complexa que o jornalismo mantém com a tecnologia. A programação aborda desde a regulação das plataformas digitais até o impacto da inteligência artificial no jornalismo e no debate público. "Queremos discutir como o jornalismo se relaciona com as big techs, como a IA pode transformar a produção de notícias e como tudo isso afeta a sociedade", resume a diretora. O festival também traz à tona a questão do jornalismo periférico — aquele feito nas comunidades e territórios que frequentemente servem de referência para os grandes veículos.
A programação reúne mais de 40 profissionais vindos da América Latina e do mundo. Entre os destaques está Jaime Abello, diretor-geral da Fundação Gabo, que será convidado de honra e fará palestra no primeiro dia. A fundação, criada pelo escritor Gabriel García Márquez, há décadas trabalha para promover um jornalismo de qualidade e estimular a criatividade através de seminários e oficinas. Também confirmaram presença Jonathan Stray, do Center for Human Compatible AI na Universidade da Califórnia em Berkeley; Florencia Coelho, cofundadora da equipe La Nación Data na Argentina; e Tshepo Tshabalala, gerente do Journalism AI da London School of Economics.
Na mesa sobre regulação de plataformas digitais, o festival traz perspectivas internacionais que estão na vanguarda dessa discussão. Participam Taylor Owen, diretor fundador do Centro de Mídia, Tecnologia e Democracia da Universidade McGill no Canadá; Iacob Gammeltoft, gerente de Políticas da NewsMedia Europe na Dinamarca; Francisco Brito Cruz, diretor executivo da InternetLab; e o deputado federal Orlando Silva, relator do Projeto de Lei nº 2630/2020, conhecido como PL das Fake News, que busca estabelecer normas para redes sociais e aplicativos de mensagens com foco em transparência, combate às notícias falsas e mecanismos de remuneração do jornalismo.
Outra dimensão importante da programação olha para como empreendedores de jornalismo conseguem se estruturar e criar organizações com maior segurança institucional. Haverá mesas sobre novas fontes de financiamento, relação com a audiência e a possível criação de fundos jornalísticos no Brasil e no mundo. Entre os participantes confirmados estão Atila Iamarino, biólogo e divulgador científico; Branca Vianna, fundadora da Rádio Novello; Tiago Rogero, jornalista vencedor do Prêmio Vladimir Herzog 2020 pelo podcast Querino, que oferece uma perspectiva afrocentrada da história brasileira; Alejandra Higareda, fundadora da revista mexicana Malvestida; e a atriz e jornalista Ademara Barros.
Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla. O passaporte para os três dias custa R$ 250 (inteira) ou R$ 125 (meia entrada). Quem preferir participar de apenas um dia paga R$ 150 (inteira) ou R$ 75 (meia entrada). Todos os participantes receberão certificado. As inscrições para as oficinas já estão abertas no site do festival. O evento conta com patrocínio de Google, Meta, Luminate, TikTok, Fundação Tide Setubal e Clua; apoio de Ford Foundation e Oak Foundation; e é produzido pela Cardápio de Ideias Comunicação e Eventos.
O retorno presencial do Festival 3i acontece após dois anos em que o evento funcionou em formato online durante a pandemia de covid-19. No início do ano passado, houve uma edição gratuita estendida com dez dias de programação e três mesas de debates diários. Aquela edição foi descrita por Maia Fortes como um marco inicial para construir a nova versão do festival. Agora, com a Ajor à frente, a proposta é manter a relevância temática mas em um formato mais concentrado, mantendo a qualidade das discussões e a diversidade de vozes que caracterizam o evento.
Citas Notables
Queremos trazer cases de sucesso de produtos jornalísticos que estão sendo feitos no país e discutir a relação com a tecnologia, a regulação das plataformas, as big techs e o impacto da inteligência artificial no jornalismo— Maia Fortes, diretora executiva da Ajor
É importante discutir o papel que cumprem essas organizações que estão no território e muitas vezes acabam sendo referência para os veículos maiores— Maia Fortes, sobre jornalismo periférico
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o Festival 3i volta agora, especificamente em maio, e em formato presencial?
Porque há dois anos a Ajor foi fundada justamente em 3 de maio, Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. É um retorno simbólico e prático — o jornalismo digital brasileiro precisa desses espaços de encontro para pensar junto sobre os desafios que estão acontecendo agora.
Quais são esses desafios que justificam reunir 40 profissionais internacionais?
A inteligência artificial está mudando como as notícias são produzidas e distribuídas. As plataformas digitais estão sendo reguladas de formas diferentes em cada país. E há uma questão mais profunda: como o jornalismo se sustenta financeiramente quando a publicidade migrou para as big techs?
O jornalismo periférico parece ser uma preocupação importante. Por quê?
Porque essas organizações que trabalham nos territórios, nas comunidades, frequentemente descobrem histórias que depois viram pauta nos grandes veículos. Elas são referência, mas raramente têm visibilidade ou recursos. O festival quer colocar isso em discussão.
E a regulação das plataformas? O Brasil está realmente debatendo isso?
Sim. O PL das Fake News está em discussão no Congresso. O festival traz gente do Canadá e da Europa que já estão mais avançados nessa conversa. É uma chance de aprender com experiências internacionais.
Qual é a esperança aqui? O que o festival quer que aconteça depois?
Que os jornalistas e empreendedores saiam de lá com ferramentas, conexões e ideias para estruturar melhor suas organizações. Que entendam como a IA pode ser aliada, não inimiga. E que o jornalismo brasileiro se fortaleça institucionalmente.