Em dois cantos do mundo, o corpo feminino é território de controle — no Afeganistão, por decreto público e orgulhoso; no Brasil, pelo silêncio doméstico que se disfarça de amor. No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou 399 feminicídios, o maior número desde 2015, enquanto o Talibã acumula mais de 230 normas que apagam progressivamente a existência pública das mulheres afegãs. A distância geográfica entre esses dois fenômenos é real; a distância moral, muito menos do que o horror seletivo nos permite acreditar.
Feminicídio no Brasil bate recorde enquanto controle sobre mulheres se disfarça de normalidade
No primeiro trimestre de 2026, 399 mulheres foram mortas por feminicídio no Brasil; no Afeganistão, mais de 20 milhões de mulheres vivem sob restrições severas impostas pelo Talibã, incluindo proibição de educação, trabalho e expressão pública.