Fed sinaliza novos aumentos de 50 pontos base nas próximas reuniões

Controlar a inflação ou proteger o emprego. Talvez não se consiga fazer ambos.
A Fed enfrenta o dilema clássico de qualquer banco central: apertar a política monetária sem destruir a economia.

A Reserva Federal dos Estados Unidos encontra-se diante de um dos dilemas mais antigos da política monetária: apertar o suficiente para domar a inflação sem sufocar o crescimento que sustenta o emprego e o bem-estar das famílias. As atas da reunião de maio revelam que a maioria dos membros do comité apoia aumentos consecutivos de 50 pontos base em junho e julho, sinalizando uma determinação institucional que carrega tanto promessa quanto risco. É o momento em que os bancos centrais testam os limites do que a política monetária pode — e não pode — fazer.

  • A inflação americana atingiu os níveis mais altos em quarenta anos, forçando a Fed a agir com uma urgência que não se via desde o início do século.
  • A decisão de subir os juros em meio ponto percentual consecutivamente levanta o espectro de uma recessão, criando tensão entre o mandato de estabilidade de preços e o de pleno emprego.
  • Os membros do comité debatem abertamente aumentos ainda mais agressivos, mas reconhecem que isso pode travar a recuperação do mercado de trabalho antes de esta estar consolidada.
  • Jerome Powell colocou os aumentos de 50 pontos base 'em cima da mesa' para as próximas duas reuniões, transformando a intenção em sinalização pública com peso de compromisso.
  • A taxa de referência, que estava entre 0,75% e 1%, deverá continuar a subir, com o banco central a apostar que reduzir a procura é o único instrumento disponível para travar preços que a oferta não consegue resolver.

A Reserva Federal americana enfrenta um dilema sem solução simples: como combater uma inflação nos níveis mais altos em quarenta anos sem empurrar a economia para a recessão. As atas da reunião de 3 e 4 de maio, divulgadas esta semana, mostram que a maioria dos membros do Comité Federal do Mercado Aberto apoia a continuação dos aumentos de 50 pontos base nas reuniões de junho e julho. Em maio, o banco central já tinha aprovado uma subida desse valor — a maior desde 2000 —, elevando a taxa de referência para o intervalo entre 0,75% e 1%.

A lógica da estratégia é clara: acelerar a retirada de estímulos agora para ter margem de avaliação no final do ano. Mas os responsáveis reconhecem abertamente o risco de uma política demasiado restritiva prejudicar as perspetivas económicas e abrandar a recuperação do mercado de trabalho. É o trade-off clássico entre controlar a inflação e proteger o emprego — e pode não ser possível fazer ambos em simultâneo.

Jerome Powell já tinha antecipado esta direção na conferência de imprensa após a última reunião, afirmando que aumentos de meio ponto percentual devem estar em cima da mesa nas próximas reuniões. O argumento é que a política monetária pode reduzir a procura de consumidores e empresas, abrandando a economia o suficiente para travar a subida de preços — mesmo que não consiga resolver os problemas de oferta, como escassez de componentes ou perturbações nas cadeias de abastecimento.

O que está verdadeiramente em jogo é a credibilidade da instituição: se não controlar a inflação, perde autoridade; se a controlar destruindo emprego, perde legitimidade. Os próximos meses dirão se a Fed consegue navegar entre estes dois abismos.

A Reserva Federal americana enfrenta um dilema que não tem solução fácil: como reduzir uma inflação nos níveis mais altos em quarenta anos sem empurrar o país para uma recessão. As atas da reunião de 3 e 4 de maio, divulgadas publicamente esta semana, revelam que a maioria dos membros do Comité Federal do Mercado Aberto acredita que a resposta passa por manter o pé no acelerador das subidas de taxas.

Em maio, o banco central já tinha aprovado um aumento de 50 pontos base — a maior subida desde 2000 e a segunda do ano. Agora, segundo o documento das atas, a maior parte dos responsáveis apoia a continuação desses aumentos de meio ponto percentual nas reuniões agendadas para junho e julho. A taxa de referência situa-se atualmente entre 0,75% e 1%, e tudo indica que continuará a subir.

O raciocínio por trás desta estratégia é claro nos documentos internos. Muitos membros do comité acreditam que acelerar a retirada de estímulos económicos deixará a instituição bem posicionada no final do ano para avaliar se as medidas funcionaram e se a economia justifica ajustes adicionais. É uma abordagem de "vamos apertar agora e depois vemos o que acontece".

Mas há tensão nesta decisão. Os responsáveis discutiram abertamente a possibilidade de adotar uma política ainda mais restritiva, com aumentos ainda mais agressivos das taxas. Reconhecem, porém, que isso pode prejudicar as perspetivas económicas e desacelerar a recuperação do mercado de trabalho. É o trade-off clássico: controlar a inflação ou proteger o emprego. Talvez não se consiga fazer ambos.

Jerome Powell, o presidente da Fed, já tinha deixado claro na conferência de imprensa que se seguiu à última reunião que aumentos de 50 pontos base "devem estar em cima da mesa nas próximas reuniões", com particular ênfase nas duas seguintes. Powell argumenta que a política monetária pode funcionar reduzindo a procura dos consumidores e das empresas — essencialmente, abrandando a economia o suficiente para que os preços parem de subir. O banco central não consegue resolver os problemas de oferta, como a escassez de chips ou as perturbações nas cadeias de abastecimento, mas pode tentar fazer com que as pessoas gastem menos dinheiro.

O que está em jogo é a credibilidade da instituição. Se a Fed não conseguir controlar a inflação, perde poder. Se a controlar mas destruir empregos no processo, perde legitimidade política. Os próximos meses dirão se esta estratégia de aumentos sucessivos consegue navegar entre estes dois abismos ou se o banco central acabará por cair num deles.

Aumentos de 50 pontos base devem estar em cima da mesa nas próximas reuniões, em particular nas próximas duas
— Jerome Powell, presidente da Fed
Acelerar a remoção da política acomodatícia deixaria o comité bem posicionado no final deste ano para avaliar os efeitos da firmeza destas medidas
— Atas da reunião do FOMC de 3 e 4 de maio
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Porque é que a Fed não pode simplesmente aumentar os juros uma vez e resolver o problema?

Model

Porque a inflação não é um interruptor que se desliga. É um processo que se alimenta a si próprio — as pessoas esperam que os preços continuem a subir, por isso gastam dinheiro agora, o que mantém a pressão nos preços. A Fed precisa de convencer o mercado de que é séria, e isso exige uma série de aumentos, não apenas um.

Inventor

E se aumentarem demasiado e causarem uma recessão?

Model

Esse é o risco real. Se os juros ficarem muito altos, as empresas deixam de investir, as pessoas deixam de comprar casas, o desemprego sobe. A Fed está a tentar encontrar o ponto exato onde a inflação cai mas a economia não colapsa. Ninguém sabe onde esse ponto fica.

Inventor

Os documentos mencionam que discutiram uma política "mais restritiva". O que significa isso?

Model

Significa aumentos ainda maiores, ainda mais rápidos. Mas reconhecem que isso seria mais arriscado para o emprego. É como escolher entre dois males — qual é o menor?

Inventor

Powell disse que os juros podem subir sem recessão. Acredita nisso?

Model

Powell está a tentar ser otimista, mas as atas mostram que até os membros da Fed têm dúvidas. Eles sabem que há riscos reais. Estão a apostar que conseguem ser precisos o suficiente, mas a história mostra que os bancos centrais raramente acertam na primeira.

Inventor

Então isto é um jogo de adivinhação?

Model

É mais do que isso. É uma aposta calculada com dados económicos, modelos e experiência. Mas sim, há um elemento de incerteza que nenhuma quantidade de análise consegue eliminar completamente.

Fale Conosco FAQ