Quatro mil formas diferentes de dizer a mesma coisa
Febraban implementa padronização de termos em extratos para melhorar clareza e transparência nas operações financeiras dos clientes brasileiros. Atualmente existem mais de 4 mil nomenclaturas diferentes entre bancos para mesmas operações, dificultando comparação de serviços e compreensão dos clientes.
- Padronização implementada pela Febraban a partir de 8 de julho de 2024
- Mais de 4 mil nomenclaturas diferentes em uso entre instituições bancárias
- Primeira etapa padroniza operações de saque e depósito
- Expansão planejada para outras operações financeiras e canais de comunicação
A partir de 8 de julho, bancos brasileiros padronizam termos em extratos bancários através da Febraban, reduzindo mais de 4 mil nomenclaturas diferentes para operações comuns como saques e depósitos.
A partir desta segunda-feira, 8 de julho, os extratos bancários dos brasileiros começam a falar uma linguagem mais uniforme. A Federação Brasileira de Bancos, a Febraban, implementou nesta data uma padronização dos termos utilizados para descrever operações financeiras comuns — saques, depósitos e outras movimentações que até agora eram nomeadas de formas distintas de um banco para outro.
O problema que motivou essa mudança é simples mas profundo: existem mais de quatro mil nomenclaturas diferentes em circulação entre as instituições bancárias brasileiras para descrever basicamente as mesmas operações. Um depósito de cheque no caixa eletrônico pode aparecer com um nome em um banco e com outro completamente diferente em outro. Um saque em dinheiro no guichê da agência segue o mesmo padrão de confusão. Walter Faria, diretor adjunto de Serviços da Febraban, reconheceu essa multiplicidade de termos como um dos principais obstáculos à compreensão dos clientes, especialmente aqueles que mantêm contas em mais de uma instituição ou que têm menor familiaridade com a linguagem do setor financeiro.
A padronização começa modestamente. Os exemplos práticos mostram o alcance da mudança: a operação que alguns bancos chamavam de "depósito de cheque no ATM" passa a ser registrada uniformemente como "DEP CHEQUE ATM". Os saques em dinheiro no caixa convencional, feitos com o cartão da conta, serão impressos como "SAQUE DIN CARTAO AG". Essas mudanças podem parecer pequenas na superfície, mas representam um esforço coordenado para tornar a comunicação entre bancos e clientes mais transparente e acessível.
Os benefícios dessa uniformização são múltiplos. Para o cliente, a clareza é imediata: ao mudar de banco ou manter contas em várias instituições, ele encontrará os mesmos termos descrevendo as mesmas operações. Isso facilita o acompanhamento das finanças pessoais e reduz a confusão que naturalmente surge quando cada instituição usa sua própria linguagem. Além disso, com termos padronizados, fica muito mais fácil comparar serviços e taxas entre diferentes bancos — informação essencial para tomar decisões financeiras mais conscientes. Para as instituições bancárias, a padronização promete reduzir custos operacionais e administrativos, além de facilitar a integração de sistemas e processos internos.
Mas esta é apenas a primeira etapa de um projeto muito maior. A Febraban planeja estender a padronização para outras operações financeiras nos próximos meses. O desafio, porém, vai além dos extratos impressos ou digitais. A iniciativa precisa abraçar também a linguagem usada em sites, aplicativos móveis e no atendimento ao cliente — todos os pontos de contato entre o banco e quem usa seus serviços. Sem essa abrangência, o impacto da padronização fica limitado.
O que está em jogo aqui é mais do que conveniência. A falta de clareza na comunicação financeira afasta as pessoas de decisões informadas sobre seu próprio dinheiro. Quando alguém não consegue entender facilmente o que aconteceu com sua conta, quando precisa decifrar códigos diferentes em cada banco, a confiança no sistema se desgasta. A padronização dos termos é um reconhecimento de que o setor financeiro precisa falar de forma mais clara e acessível. Se a Febraban conseguir expandir essa iniciativa de forma consistente e coordenada, pode contribuir significativamente para um sistema bancário mais justo e transparente — um em que o cliente comum consiga acompanhar suas operações sem precisar ser um especialista em linguagem bancária.
Citas Notables
A multiplicidade de termos cria confusão e dificulta o entendimento dos clientes, especialmente aqueles com menor familiaridade com a linguagem bancária— Walter Faria, diretor adjunto de Serviços da Febraban
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que exatamente quatro mil nomenclaturas diferentes? Como isso aconteceu?
Cada banco desenvolveu seus próprios sistemas ao longo dos anos, sem coordenação entre eles. Não havia incentivo para padronizar. Cada um criava seus próprios códigos, suas próprias abreviações. O resultado foi um caos que ninguém planejou, apenas aconteceu.
E o cliente comum, como sofria com isso?
Imagine ter conta em dois bancos. Um chama de "SAQUE DIN CARTAO AG" e o outro de "LEVANTAMENTO NUMERÁRIO GUICHÊ". São a mesma coisa, mas você precisa traduzir mentalmente. Multiplicado por dezenas de operações diferentes, fica exaustivo.
Isso afeta a capacidade de comparar preços entre bancos?
Completamente. Se você não consegue nem entender o que cada banco está cobrando porque usam nomes diferentes para as mesmas coisas, como compara? A padronização torna isso possível.
Qual é o verdadeiro obstáculo agora? Por que não foi feito antes?
Coordenação. Todos os bancos precisam concordar e implementar ao mesmo tempo. A Febraban teve que convencer dezenas de instituições a abandonar seus próprios sistemas. Agora que começou, o desafio é manter o momentum e expandir para operações mais complexas.
Isso vai realmente mudar a vida das pessoas?
Para quem tem conta em um banco só, talvez não mude muito. Mas para quem compara serviços, para pequenos empresários que usam vários bancos, para idosos que precisam entender seus extratos — sim, muda. É transparência real.