Não há vencedores numa guerra comercial entre EUA e China
Em Pequim, às margens de uma visita presidencial rara, jovens chineses aguardavam Donald Trump na saída do Four Seasons com admiração genuína — não por afinidade ideológica, mas por uma leitura pragmática de sua trajetória como negociador e empresário. Naquele momento, enquanto Trump se preparava para encontrar Xi Jinping, esses fãs enxergavam na diplomacia pessoal entre dois líderes poderosos a possibilidade de aliviar uma guerra comercial que, como um deles disse, não tem vencedores. É um dos paradoxos silenciosos da geopolítica contemporânea: que a esperança de reconciliação econômica entre rivais estratégicos possa brotar, também, do entusiasmo de quem está do outro lado da disputa.
- A primeira visita de Trump à China desde 2017 criou uma tensão expectante nas ruas de Pequim, onde dezenas de pessoas se aglomeravam para vê-lo partir do hotel Four Seasons rumo a um encontro com Xi Jinping.
- Entre os espectadores havia fãs declarados usando bonés 'Make America Great Again', numa cena improvável que expõe as contradições da rivalidade sino-americana.
- Os admiradores chineses não falam de Trump com fervor político, mas com uma admiração quase empresarial — descrevem-no como 'brilhante', 'competente' e capaz de negociar onde outros falhariam.
- A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo paira sobre a visita como uma sombra urgente, e esses jovens veem no encontro entre os dois líderes uma janela rara para soluções duradouras.
- A trajetória da visita aponta para um momento de teste: se a diplomacia pessoal entre Trump e Xi conseguirá transformar a esperança desses fãs em avanços concretos para ambas as economias.
Na frente do hotel Four Seasons em Pequim, dezenas de pessoas aguardavam a saída de Donald Trump — o encerramento de uma visita presidencial incomum, a primeira do líder americano em solo chinês desde 2017. De lá, Trump seguiria para encontrar Xi Jinping antes de partir ao aeroporto. Para alguns dos presentes, era um momento que não poderia ser desperdiçado.
Frederick Zhang, 29 anos, usava um boné com o lema 'Make America Great Again' e não hesitou ao descrever Trump: brilhante e competente. Para ele, o presidente americano tinha exatamente o perfil necessário para aproximar os dois países — e elogiou Xi Jinping com igual entusiasmo. Kevin, de 19 anos, via em Trump um empresário de primeira linha cujo histórico de sucesso o tornava apto a conduzir negociações de alto nível. A própria visita, para ele, já era um sinal positivo.
Leo Zhang, com 23 anos, trazia uma perspectiva mais reflexiva. Acreditava que a presença de Trump em Pequim poderia ser decisiva para encerrar o conflito comercial que separa as duas potências há anos. 'Não há vencedores numa guerra comercial entre EUA e China', disse. 'Ela só tornará o mundo mais caótico.' Para Leo, a visita era uma chance concreta de evitar um futuro ainda mais turbulento.
O que unia esses jovens não era ideologia, mas pragmatismo: a convicção de que um presidente forjado no mundo dos negócios poderia encontrar terreno comum com a liderança chinesa onde diplomatas tradicionais talvez não conseguissem. Uma admiração improvável, nascida às margens de uma das rivalidades mais complexas do século.
Dezenas de pessoas se aglomeravam na frente do Four Seasons em Pequim, esperando pelo momento em que Donald Trump deixaria o hotel pela última vez. Era o final de uma visita presidencial rara — a primeira vez que o presidente americano pisava em solo chinês desde 2017 — e para alguns admiradores chineses, era uma oportunidade que não poderia ser desperdiçada. De lá, Trump seguiria direto para um encontro com Xi Jinping em sua residência oficial antes de partir para o aeroporto.
Entre os espectadores estava Frederick Zhang, um jovem de 29 anos que usava um boné com o lema "Make America Great Again" estampado na frente. Zhang se descreve abertamente como fã de Trump, e quando questionado sobre como caracterizaria o presidente americano, respondeu sem hesitar: brilhante e competente. Para ele, Trump possui exatamente o tipo de capacidade necessária para aproximar os dois países e manter uma relação saudável com Xi, a quem também elogiou como um grande presidente.
Kevin, de 19 anos, também estava entre os que acompanhavam a comitiva presidencial. Seu entusiasmo era igualmente evidente. Descreveu Trump como alguém extraordinariamente bem-sucedido — um empresário de primeira linha, um bilionário cujo histórico de êxito se estende por praticamente todas as áreas em que atuou. Para Kevin, a própria visita representava um grande sucesso, um sinal de que as relações entre Washington e Pequim estavam tomando uma direção positiva.
Leo Zhang, com 23 anos, oferecia uma perspectiva ligeiramente diferente, embora igualmente otimista. Ele acreditava que a presença de Trump em Pequim poderia ser decisiva para que China e Estados Unidos finalmente encontrassem uma solução duradoura para o conflito comercial que os separa há anos. "Não há vencedores numa guerra comercial entre EUA e China", afirmou. "Ela só tornará o mundo mais caótico e insuportável." Para Leo, portanto, a visita representava mais do que um encontro diplomático — era uma chance concreta de evitar um futuro ainda mais turbulento para a economia global.
O que unia esses jovens admiradores era uma convicção compartilhada: que Trump, apesar de toda a controvérsia que o cerca nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, possuía as qualidades necessárias para negociar com eficácia. Não era uma admiração baseada em ideologia política tradicional, mas em uma avaliação pragmática de sua capacidade como negociador e líder empresarial. Para eles, um presidente que havia construído um império comercial era exatamente o tipo de figura que poderia encontrar terreno comum com a liderança chinesa.
Notable Quotes
Muito brilhante e competente— Frederick Zhang, fã chinês de Trump
Não há vencedores na guerra comercial entre EUA e China; ela só tornará o mundo mais caótico e insuportável— Leo Zhang, 23 anos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que esses jovens chineses se sentem tão conectados a Trump especificamente? Ele não é uma figura política chinesa.
Para eles, Trump não é principalmente um político — é um empresário bem-sucedido. Num contexto onde a China valoriza o pragmatismo econômico, um bilionário que construiu um império tem uma espécie de credibilidade que transcende as fronteiras.
Mas Trump é controverso até mesmo entre seus apoiadores americanos. Como isso não aparece na perspectiva deles?
Porque estão vendo-o através de uma lente diferente. Não estão preocupados com política doméstica americana. Estão pensando: este homem pode negociar com Xi de igual para igual, empresário para líder.
E quanto à guerra comercial? Eles realmente acreditam que uma visita pode resolver isso?
Não é ingenuidade. É esperança baseada numa lógica: se dois negociadores pragmáticos se sentarem juntos, talvez encontrem uma saída que beneficie ambos. Para eles, a alternativa — caos econômico contínuo — é insuportável.
Há algo de irônico em chineses admirando um presidente americano enquanto seu próprio país tem um sistema político muito diferente.
Talvez. Mas eles não estão admirando o sistema democrático americano. Estão admirando o que veem como competência e sucesso. É uma admiração muito específica, muito transacional.