O coração revela seus problemas justamente na hora do esforço
No Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca, a Sociedade Brasileira de Cardiologia nos convida a rever o que consideramos trivial: aquela falta de ar ao subir escadas pode ser o coração pedindo socorro. Cerca de 1,7 milhão de brasileiros vivem com essa condição, muitos sem saber, confundindo seus sinais com o simples desgaste da vida moderna. A doença, que carrega uma mortalidade de até 50% em cinco anos, é silenciosa justamente porque seus sintomas imitam o sedentarismo e a idade — e é nessa semelhança que reside seu maior perigo.
- Uma falta de ar aparentemente banal pode esconder uma insuficiência cardíaca não diagnosticada em milhões de brasileiros.
- O abandono da medicação responde por cerca de um quarto das descompensações, transformando uma doença controlável em emergência hospitalar.
- Idosos, mulheres e portadores de diabetes, hipertensão ou doença de Chagas formam o grupo mais vulnerável, frequentemente sem saber que já cruzaram o limiar da doença.
- O diagnóstico precoce — possível com exames acessíveis pelo SUS — é a principal ferramenta para evitar internações repetidas e reduzir o risco de morte.
- A SBC prepara uma nova diretriz nacional a ser lançada em outubro, reunindo as evidências mais atuais para guiar médicos em todo o país.
Nesta quinta-feira, a Sociedade Brasileira de Cardiologia marcou o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca para chamar atenção a um paradoxo perigoso: os sintomas da doença — falta de ar ao se esforçar, cansaço muscular e inchaço por retenção de líquidos — são tão comuns que passam facilmente por sinais de sedentarismo ou envelhecimento. A doença já atinge cerca de 1,7 milhão de brasileiros, e muitos desconhecem que a têm.
O cardiologista Marcus Simões, da SBC, explica que o esforço físico é justamente o momento em que o coração revela sua fragilidade: quando os músculos exigem mais sangue e o coração não consegue acompanhar a demanda, a insuficiência se manifesta. A condição afeta principalmente idosos e mulheres, e quase sempre surge como consequência de outra doença — infarto anterior, válvulas danificadas, hipertensão, diabetes ou doença de Chagas. O resultado é sempre o mesmo: o coração perde a capacidade de receber e bombear sangue adequadamente.
O risco é concreto: entre 30% e 50% dos pacientes morrem nos cinco anos seguintes ao diagnóstico, e as internações por descompensação são frequentes. Cerca de um quarto delas ocorre por abandono da medicação — um problema grave, já que os principais remédios estão disponíveis no SUS. Infecções, arritmias e pressão descontrolada também podem agravar o quadro.
O diagnóstico pode ser feito com exames acessíveis, como radiografia de tórax, ecocardiograma e exames de sangue com biomarcadores específicos. Além dos medicamentos, a reabilitação física é parte essencial do tratamento, permitindo que o paciente recupere gradualmente sua qualidade de vida. Em outubro, durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia no Rio de Janeiro, a SBC lançará uma nova diretriz reunindo as evidências científicas mais atuais para orientar médicos em todo o país.
Aquela falta de ar ao subir um lance de escadas pode parecer apenas sinal de que você está fora de forma. Mas nesta quinta-feira, a Sociedade Brasileira de Cardiologia marcou o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca para lembrar que esse sintoma aparentemente trivial pode estar sinalizando algo muito mais grave. A doença já atinge cerca de 1,7 milhão de brasileiros, e muitos deles não sabem que a têm.
Os sinais são enganosamente comuns: respiração difícil durante o esforço, cansaço muscular, inchaço causado por retenção de líquidos. É fácil atribuir tudo isso ao sedentarismo, à idade, à vida moderna. Mas Marcus Simões, cardiologista e membro da SBC que coordena a diretriz brasileira sobre a doença, explica por que o esforço físico é justamente o momento em que o coração revela seus problemas. Quando você força o corpo, os músculos exigem mais sangue, e o coração precisa bombear com mais intensidade. Se ele não consegue acompanhar essa demanda, é ali que a insuficiência se manifesta.
A condição afeta principalmente idosos e mulheres, e quase sempre emerge como consequência de outra doença cardíaca. Um infarto anterior pode deixar cicatrizes que prejudicam a função do coração. Uma válvula danificada reduz a eficiência do bombeamento. Doenças crônicas como diabetes e hipertensão lesionam lentamente o músculo cardíaco ao longo dos anos. Há também doenças regionais, como a de Chagas, que podem levar à insuficiência. O resultado é sempre o mesmo: o coração não consegue receber o sangue adequadamente nem bombeá-lo para os diferentes tecidos do corpo. É quando os sintomas começam.
O que torna a insuficiência cardíaca particularmente perigosa é que ela pode ser a primeira manifestação de várias doenças graves. Os pacientes enfrentam múltiplas internações hospitalares quando o quadro descompensa, e o risco de morte nos cinco anos seguintes ao diagnóstico fica entre 30% e 50%. Simões alerta que essa é uma ameaça real e constante para quem vive com a condição.
O diagnóstico começa com o exame clínico do médico e é confirmado por testes simples mas informativos: radiografia de tórax, ecocardiograma, ultrassom do coração e exames de sangue que medem biomarcadores específicos. Uma vez identificada, a insuficiência cardíaca pode ser controlada com medicamentos, e os principais estão disponíveis no Sistema Único de Saúde. O problema é que quando os pacientes interrompem o tratamento, o quadro piora rapidamente. De acordo com a SBC, cerca de um quarto dos casos de descompensação ocorrem justamente por abandono da medicação. Infecções, arritmias, pressão alta descontrolada, novos infartos e inflamação do coração também podem piorar a situação.
Além dos remédios, a reabilitação física é essencial. Tanto o coração quanto os músculos precisam de atividade regular. O objetivo é aliviar os sintomas, tratar a insuficiência em si e cuidar da doença que a causou, permitindo que o paciente faça exercícios graduados e progressivos para recuperar sua qualidade de vida. A Sociedade Brasileira de Cardiologia está finalizando uma nova diretriz sobre o tratamento da insuficiência cardíaca, que será lançada em outubro durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia no Rio de Janeiro. O documento reunirá as evidências científicas mais atuais para orientar a prática dos médicos em todo o país.
Citas Notables
Durante o esforço físico, o coração é mais requisitado. É na hora do esforço que o coração usualmente demonstra que não está bem.— Marcus Simões, cardiologista e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia
O paciente pode ter múltiplas internações hospitalares porque descompensa e tem um risco de mortalidade de 30% a 50% ao longo de 5 anos.— Marcus Simões
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a falta de ar ao subir escadas é tão fácil de ignorar?
Porque parece natural. Todos nós conhecemos alguém sedentário que fica ofegante subindo degraus. Confundimos com falta de condicionamento, com a idade. O coração não dói, não sangra, não avisa de forma óbvia.
Mas o coração está enviando um sinal, certo?
Exatamente. Quando você força o corpo, o coração é testado. Se ele não consegue bombear sangue suficiente para atender à demanda, é ali que ele mostra a fraqueza. É como um motor que não aguenta a aceleração.
E por que mulheres e idosos são mais afetados?
A insuficiência cardíaca geralmente é consequência de algo que veio antes. Infartos, hipertensão, diabetes — essas doenças lesionam o coração ao longo dos anos. Mulheres e idosos têm mais tempo de exposição a esses fatores.
Se a pessoa toma os medicamentos corretamente, consegue controlar?
Consegue, sim. Os remédios estão disponíveis no SUS. O problema é que muitos pacientes param de tomar quando se sentem melhor, e aí o coração descompensa de novo. Um quarto das crises acontece por isso.
Qual é o risco real de não tratar?
Mortalidade de 30% a 50% nos cinco anos seguintes. Múltiplas internações. É uma doença que exige vigilância constante, não algo que você trata uma vez e esquece.
E a reabilitação física — como funciona?
Não é correr uma maratona. É exercício gradual, progressivo, pensado para fortalecer tanto o coração quanto os músculos. A ideia é permitir que o paciente volte a fazer as coisas do dia a dia sem aquele sufoco.