Quem fez o errado foi embora e a responsabilidade agora é nossa
No dia em que alcançou 900 partidas com a camisa celeste, o goleiro Fábio transformou uma derrota no Mineirão em um grito de consciência histórica: os erros de gestão do passado não desaparecem com os títulos, eles apenas aguardam o momento de cobrar sua conta. Em outubro de 2020, com o Cruzeiro penúltimo na Série B e carregando o peso de punições da Fifa, o veterano guardião apontou para aqueles que partiram sem responder por suas escolhas, enquanto os que ficaram pagam o preço com sacrifício e incerteza.
- A marca de 900 jogos, que deveria ser celebração, chegou embalada por uma derrota para o Sampaio Corrêa que deixou o Cruzeiro à beira do abismo na Série B.
- Fábio rompeu o silêncio e acusou ex-dirigentes de má administração sistemática, incluindo a falta de pagamento à Fifa que custou seis pontos preciosos ao clube.
- Jogadores jovens e sem experiência profissional abriram mão de ganhos pessoais para tentar salvar um clube que herdou dívidas e consequências que não criaram.
- A torcida, ferida e impaciente, chegou a depredar instalações da Toca da Raposa, e Fábio apelou pela união em vez da destruição.
- A diretoria aposta em uma intertemporada em Atibaia para reorganizar o grupo antes de confrontos decisivos contra Oeste e Juventude.
Fábio completou 900 jogos pelo Cruzeiro em um dia que o clube preferiria apagar. No Mineirão, palco de tantas glórias, o time perdeu por 2 a 1 para o Sampaio Corrêa e seguiu penúltimo na Série B após 14 rodadas — um dos momentos mais sombrios nos 99 anos de história da instituição.
Ao deixar o campo, o goleiro não se conteve. Apontou diretamente para os ex-dirigentes, responsabilizando-os pela má administração que, segundo ele, ficou encoberta pelos títulos durante anos. A punição da Fifa por falta de pagamento, que custou seis pontos ao clube, era o símbolo mais concreto desse descaso. 'Quem fez o errado foi embora e a responsabilidade agora é nossa', disse, em referência clara aos cartolas do passado.
O peso recaía sobre jogadores que, muitos deles jovens e sem experiência profissional, abriram mão de ganhos pessoais para tentar reconstruir o clube. Fábio reconhecia a dor da torcida, mas pedia união — alertando que destruir as instalações da Toca da Raposa não aproximaria o Cruzeiro da recuperação.
Com sete derrotas em 14 rodadas, a diretoria optou por uma intertemporada em Atibaia, entre os dias 9 e 15 de outubro, buscando renovar o ânimo do grupo. Os próximos desafios seriam contra o Oeste, lanterna da competição, e o Juventude, quarto colocado — cada partida tratada como uma final em uma luta que parecia, a cada semana, mais urgente.
Fábio completou 900 jogos com a camisa do Cruzeiro em um dia que o clube gostaria de esquecer. No Mineirão, estádio onde colheu tantas glórias ao longo de sua carreira, o goleiro viu seu time perder por 2 a 1 para o Sampaio Corrêa. A derrota, ocorrida em 8 de outubro de 2020, aprofundou a crise: o Cruzeiro seguia penúltimo na Série B após 14 rodadas, em um dos piores momentos de seus 99 anos de história.
Ao sair do campo, Fábio não conteve a frustração. O goleiro, um dos jogadores mais importantes que o clube já teve, disparou contra os ex-dirigentes que, segundo ele, deixaram um rastro de má administração que agora explodia nas mãos de quem estava tentando salvar o Cruzeiro. "São coisas que aconteceram lá atrás, má administração há muito tempo, os títulos escondem muita coisa", desabafou. Ele apontava para uma realidade incômoda: enquanto os erros do passado se tornavam visíveis a todos, quem pagava o preço eram os jogadores atuais, muitos deles jovens sem experiência profissional, que abriram mão de ganhos pessoais para tentar reconstruir o clube.
A frustração de Fábio ia além da derrota do dia. Ele tocava em feridas abertas: a falta de pagamento à Fifa, que custou seis pontos ao Cruzeiro, e a sensação de que os responsáveis pelos erros simplesmente desapareceram, deixando o peso nas costas de quem estava ali, de peito aberto, tentando fazer diferença. "Quem fez o errado foi embora e a responsabilidade agora é nossa", bradou, em referência clara aos ex-cartolas.
O goleiro também reconhecia a angústia da torcida. Sabia que o torcedor cruzeirense estava ferido, querendo resultados, e que a paciência se esgotava. Mas apelava pela união, argumentando que quebrar portões e destruir as instalações da Toca da Raposa não resolveria nada. A realidade, dizia ele, estava ali para todos verem: um time em luta pela sobrevivência na Segunda Divisão, sete derrotas já acumuladas, e a pressão de cada jogo como se fosse uma final.
Com sete derrotas em 14 rodadas, a diretoria do Cruzeiro decidiu tentar mudar o clima. Os jogadores viajariam para uma curta intertemporada em Atibaia, no interior de São Paulo, saindo de Belo Horizonte no dia 9 de outubro e retornando no dia 15. O objetivo era claro: descansar, reorganizar e voltar com outra mentalidade. Os próximos compromissos eram contra o Oeste, lanterna da Série B, em Barueri, e depois contra o Juventude, que ocupava a quarta colocação, no Mineirão. Cada jogo era uma oportunidade de começar a reverter um quadro que parecia cada vez mais sombrio.
Citações Notáveis
São coisas que aconteceram lá atrás, má administração há muito tempo, os títulos escondem muita coisa— Fábio, goleiro do Cruzeiro
Quem fez o errado foi embora e a responsabilidade agora é nossa, dos meninos que estão subindo— Fábio, goleiro do Cruzeiro
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Quando Fábio fala em "má administração há muito tempo", ele está falando de quanto tempo exatamente?
Ele não especifica anos, mas está claro que se refere a decisões que vêm de vários anos atrás. O ponto dele é que os títulos que o Cruzeiro conquistou mascaravam problemas estruturais que ninguém queria enxergar.
E essa questão dos seis pontos perdidos pela Fifa — isso é algo que Fábio culpa os ex-dirigentes?
Exatamente. Ele menciona especificamente quem não pagou a Fifa e perdeu os seis pontos. Para ele, é um exemplo concreto de como as decisões erradas do passado agora prejudicam quem está tentando salvar o clube.
Ele parece estar pedindo desculpas pelos jogadores atuais ou cobrando algo da torcida?
Ambas as coisas. Ele reconhece que a torcida está sofrendo e tem razão em estar brava. Mas ao mesmo tempo está dizendo: vejam só o que a gente está tentando fazer aqui, a gente não está de sacanagem.
Por que ele menciona especificamente que muitos jogadores não tiveram experiência profissional?
Porque reforça o argumento dele de que o Cruzeiro está em reconstrução com peças muito verdes. Não é um time que deveria estar lutando contra o rebaixamento — é um time que está sendo montado do zero.
A viagem para Atibaia resolve algo ou é apenas um gesto?
Provavelmente um pouco dos dois. Fisicamente pode ajudar, mas o real problema — a má administração histórica — não se resolve em uma semana fora de Belo Horizonte.