EUA cancelaram invasão secreta ao Irão para capturar urânio após preocupações com baixas

Operação cancelada evitou potenciais baixas significativas de tropas americanas e possível escalada de conflito com consequências humanitárias globais.
Teríamos de estabelecer uma presença maciça. Essencialmente, teríamos de invadir.
Um militar descrevendo o que seria necessário para extrair o urânio iraniano dos túneis onde está armazenado.

O general Dan Caine viajou urgentemente de Bruxelas para Tampa para informar Trump sobre planos de invasão terrestre ao Irão para extrair urânio altamente enriquecido. Trump recusou a operação devido a preocupações com baixas americanas significativas, retaliação iraniana severa e potencial encerramento do Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb.

  • General Dan Caine viajou urgentemente de Bruxelas para Tampa em 19 de maio para informar Trump sobre planos de invasão terrestre
  • Operação foi classificada entre os níveis 'Alto' e 'Extremo' de risco aceitável, com potencial para significativas baixas americanas
  • Irão possui aproximadamente 440 quilos de urânio altamente enriquecido, suficiente para até 10 bombas nucleares segundo a AIEA
  • Trump cancelou a operação após alertas sobre retaliação iraniana que poderia fechar o Estreito de Bab el-Mandeb e desestabilizar a economia global

Trump suspendeu uma operação militar secreta planeada para capturar urânio enriquecido iraniano após alertas sobre significativas baixas americanas e retaliação iraniana que poderia desestabilizar a economia global.

No final de maio, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, interrompeu uma reunião de alto nível com funcionários da NATO em Bruxelas e voou apressadamente para Tampa, na Florida. O motivo era urgente: informar pessoalmente o presidente Donald Trump sobre um plano militar que havia estado em desenvolvimento nos bastidores — uma invasão terrestre ao Irão com o objetivo de extrair à força o urânio altamente enriquecido do país, o componente essencial para a construção de armas nucleares.

O planeamento da operação tinha avançado a um ponto crítico. Militares norte-americanos determinaram que a missão se enquadraria entre os níveis "Alto" e "Extremo" de risco aceitável para as forças de operações especiais. Isso significava, em termos práticos, que mesmo com sucesso, a operação poderia resultar num número significativo de baixas americanas. O material nuclear iraniano estava disperso por várias instalações — os complexos de Isfahan, Natanz e Fordow — e enterrado em túneis profundos. Garantir a segurança física desse urânio exigiria uma força terrestre considerável, incluindo centenas de elementos das forças especiais. "Seria extremamente difícil vasculhar todos aqueles túneis e barris", disse uma fonte familiarizada com os planos. "Teríamos de estabelecer uma presença maciça. Essencialmente, teríamos de invadir."

Trump, porém, recusou dar luz verde à operação. Segundo fontes familiarizadas com a decisão, o presidente foi alertado de que a invasão provavelmente provocaria uma retaliação iraniana severa, prolongaria o conflito e mergulharia a economia global em turbulência ainda maior. Trump também expressou preocupação explícita com o potencial de baixas americanas significativas — algo que duvidava que o povo americano apoiasse. Numa entrevista à Fox News poucos dias depois, ao falar de outra possível opção militar que levaria a um grande número de baixas, Trump foi direto: "Não sei se os Estados Unidos têm estômago para isso".

O contexto desta decisão é complexo. Trump tinha estado a negociar com o Irão sobre a abertura do Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano. Publicamente, o presidente afirmava que os EUA e o Irão estavam perto de um acordo. Mas as discussões secretas sobre uma invasão terrestre revelam o quão perto os EUA estiveram de uma escalada maciça. Uma fonte descreveu a situação com uma frase simples: "Muitos riscos".

O Irão, por sua vez, tinha preparado contingências. Segundo três pessoas familiarizadas com avaliações de inteligência, Teerão planeava uma "opção nuclear" económica caso as negociações falhassem: convencer os houthis, o principal grupo armado apoiado pelo Irão no Iémen, a fechar o Estreito de Bab el-Mandeb — uma das vias navegáveis mais críticas do mundo e ponto de estrangulamento do comércio global. Isto aconteceria enquanto o Irão mantinha o seu próprio Estreito de Ormuz fechado. Os iranianos tinham evitado recrutar os houthis para este passo até agora, disseram as fontes, porque sabem que poderia prejudicar as conversações de paz em curso. Mas era uma cartada que poderiam jogar se tudo desabasse.

O objetivo de Trump — garantir a posse do urânio altamente enriquecido iraniano — permanece não alcançado. O Irão possui aproximadamente 440 quilos de urânio em elevada concentração, próximo do grau de utilização em armamento. Segundo Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, este stock poderia permitir ao Irão construir até dez bombas nucleares, caso decidisse transformar o seu programa em armamento nuclear. O material permanece no estado gasoso, de acordo com a última verificação da AIEA em junho de 2025. O Irão impediu a entrada de inspetores nucleares no mês seguinte, após ataques aéreos conjuntos entre os EUA e Israel contra as suas instalações.

Especialistas nucleares manifestaram ceticismo quanto à possibilidade de uma operação militar norte-americana sequer localizar e verificar todo o urânio, muito menos removê-lo de forma segura em condições hostis. Apesar do cancelamento da operação, Trump não descartou completamente a opção. Numa declaração na Sala Oval, o presidente afastou a ideia de forma mais casual: "Ninguém se vai aproximar porque está enterrado debaixo de uma montanha". Mas a realidade subjacente permanece: o urânio iraniano continua a ser um objetivo não alcançado, as negociações prosseguem de forma incerta, e a opção militar, embora suspensa, não foi totalmente abandonada.

Seria extremamente difícil vasculhar todos aqueles túneis e barris. Teríamos de estabelecer uma presença maciça. Essencialmente, teríamos de invadir.
— Fonte militar familiarizada com os planos
Não sei se os Estados Unidos têm estômago para isso.
— Donald Trump, em entrevista à Fox News
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que Trump cancelou uma operação que parecia estar tão avançada?

Model

Porque os militares lhe disseram que seria extremamente cara em vidas americanas. E porque sabia que o Irão responderia de forma devastadora — possivelmente fechando as principais rotas comerciais mundiais.

Inventor

Mas ele tinha dito publicamente que queria esse urânio. Porque não avançou?

Model

Porque a realidade militar é diferente da retórica política. Quando os generais explicam o que "invadir" realmente significa — centenas de soldados em túneis profundos, contra mísseis e drones — a decisão fica mais clara.

Inventor

O Irão estava a negociar ao mesmo tempo que os EUA planeavam uma invasão?

Model

Sim. E o Irão sabia disso. Por isso tinha planos de contingência — convencer os houthis a fechar outra rota comercial crítica se tudo desabasse.

Inventor

Então ninguém realmente confia um no outro?

Model

Não. Ambos os lados estão a negociar enquanto preparam para o pior cenário. É a natureza desta situação.

Inventor

E o urânio? Continua lá, não é?

Model

Continua. Enterrado, disperso, guardado. Trump diz que é impossível de alcançar. Mas a verdade é que ele apenas decidiu que o preço era demasiado alto — por enquanto.

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