As noites deixaram de ser noites em Paris
No fim de semana de 24 de maio de 2026, uma cúpula de alta pressão oriunda do norte de África instalou-se sobre a Europa, empurrando temperaturas até 15 graus acima da média sazonal em Espanha, França, Reino Unido e Países Baixos. O que torna este evento singular não é apenas a sua intensidade, mas o seu momento: maio é ainda primavera, e a Europa não estava preparada — nem climaticamente, nem humanamente — para noites tropicais e máximas que rivalizam com o coração do verão. Esta onda de calor histórica convida-nos a refletir sobre a crescente normalização do extraordinário no clima do nosso tempo.
- Temperaturas 15°C acima da média de maio varreram simultaneamente quatro países europeus, tornando esta a primeira onda de calor verdadeiramente histórica de 2026.
- As noites deixaram de cumprir a sua função de alívio: Paris registou 25°C à 1h da manhã, e Amesterdão não deverá descer abaixo dos 20°C durante a noite.
- Alertas laranja de saúde foram emitidos no Reino Unido e em França, com autoridades a avisar populações vulneráveis sobre os riscos do calor prolongado.
- O pico ainda não chegou: a Península Ibérica deverá registar o agravamento mais severo a partir de quarta-feira, com máximas entre 36 e 38°C no interior de Espanha.
- O calor promete estender-se até ao final de maio, desafiando os critérios habituais de duração que definem uma onda de calor oficial em cada país.
No fim de semana de 24 de maio de 2026, uma massa de ar quente proveniente do norte de África instalou-se sobre a Europa, dando início à primeira onda de calor significativa do ano. Espanha, França, Reino Unido e Países Baixos acordaram para temperaturas que não deveriam existir em plena primavera — e as previsões apontavam para um agravamento nos dias seguintes.
O fenómeno é tecnicamente explicado por uma cúpula de alta pressão que eleva as temperaturas até 15 graus acima do normal para a época. Em Espanha, os meteorologistas descreveram o sábado como "muito quente" e previram uma semana "extraordinariamente quente" entre 25 e 31 de maio, com os vales do Ebro, Guadiana e Guadalquivir a atingir entre 36 e 38°C, sobretudo a partir de quarta-feira.
Em França, as noites tornaram-se tropicais: Paris registou 25°C à 1h da manhã de domingo, descendo apenas para 21,3°C ao amanhecer. A capital francesa esperava atingir os 35°C durante o dia, com um alerta laranja de onda de calor ativado — o terceiro nível numa escala de quatro. No Reino Unido, a onda de calor foi oficialmente declarada no domingo, depois de Frittenden, em Kent, ter registado 30,5°C no sábado — o valor mais alto do ano até então. Londres esperava uma máxima de 31°C, e as autoridades de saúde mantiveram alertas laranja em várias regiões até quarta-feira.
Nos Países Baixos, Amesterdão antecipava 28°C no domingo, sem alívio noturno previsto. O que distingue esta onda de calor como "histórica" é precisamente o seu momento: maio é ainda primavera, e os limiares oficiais de declaração de onda de calor — que variam entre 25°C e 28°C consoante a região britânica, por exemplo — foram não apenas atingidos, mas largamente ultrapassados, com o calor a prometer prolongar-se bem para além dos três dias consecutivos exigidos para a declaração oficial.
Uma massa de ar quente vinda do norte de África instalou-se sobre a Europa no fim de semana de 24 de maio de 2026, trazendo consigo a primeira onda de calor verdadeiramente significativa do ano. Espanha, França, Reino Unido e Países Baixos acordaram para temperaturas que não deveriam existir nesta altura de maio — e as previsões indicam que o pior ainda está por vir.
O fenómeno tem um nome técnico: uma cúpula de alta pressão, uma bolha de ar quente que se instalou sobre o continente e que está a elevar as temperaturas até 15 graus acima do que seria normal para a época. Em Portugal, o calor começou a intensificar-se desde quarta-feira, e rapidamente se propagou para os vizinhos europeus, ganhando força conforme o fim de semana avançava.
Em Espanha, a agência meteorológica nacional anunciou que o sábado foi "muito quente" para esta altura do ano, e que a semana de 25 a 31 de maio será "extraordinariamente quente" em grande parte do país, especialmente no interior da península. Os vales do Ebro, Guadiana e Guadalquivir deverão registar temperaturas entre 36 e 38 graus, sobretudo a partir de quarta-feira. A onda de calor será prolongada, avisam os meteorologistas.
Em França, as noites deixaram de ser noites. A estação de Porte de Vincennes em Paris marcava 25 graus à 1 da manhã de domingo, e apenas desceu para 21,3 graus pelas 7h30 da manhã. Para o domingo, esperava-se que a capital francesa atingisse cerca de 35 graus, com noites que os meteorologistas descrevem como "tropicais". A temperatura noturna não deverá descer abaixo de 21 graus, o que é suficiente para ativar um alerta laranja de onda de calor — o terceiro nível numa escala de quatro.
No Reino Unido, a onda de calor foi oficialmente declarada no domingo, à medida que um período de calor completamente atípico para maio se intensificava. Londres esperava uma máxima de 31 graus. No sábado anterior, Frittenden em Kent tinha registado 30,5 graus — o recorde mais alto do ano até esse momento — mas as autoridades esperavam que esse número fosse superado nos dias seguintes. As autoridades de saúde britânicas emitiram alertas sobre os possíveis impactos do tempo quente, mantendo várias regiões sob alerta laranja pelo menos até quarta-feira.
Amesterdão, nos Países Baixos, esperava atingir 28 graus no domingo, com noites que não trariam alívio — as temperaturas mínimas previstas situavam-se entre 20 e 25 graus. Quarta e quinta-feira deveriam trazer um breve respiro, com máximas entre 18 e 23 graus, mas a partir de sexta-feira da semana seguinte o calor voltaria a intensificar-se, com máximas novamente entre 20 e 25 graus.
O que torna esta onda de calor "histórica" não é apenas a intensidade das temperaturas, mas o momento em que ocorre. Maio é ainda primavera, uma altura em que a Europa espera dias temperados e noites frescas. Os critérios para declarar uma onda de calor variam de país para país — no Reino Unido, por exemplo, a temperatura limite é de 25 graus na Escócia e norte de Inglaterra, mas sobe para 28 graus em Londres. Quando esses limites são atingidos ou ultrapassados durante pelo menos três dias consecutivos, a onda de calor é oficialmente declarada. Desta vez, os limites foram não apenas atingidos, mas largamente ultrapassados, e o calor promete estender-se bem para além desses três dias.
Citas Notables
A semana de 25 a 31 de maio será extraordinariamente quente para esta época do ano na maior parte da Espanha, especialmente no interior da península— Agência Meteorológica Espanhola (AEMET)
Autoridades de saúde britânicas alertaram para os possíveis impactos do tempo quente em populações vulneráveis— Autoridades de saúde do Reino Unido
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que uma onda de calor em maio é considerada "histórica"?
Porque maio é primavera. As pessoas esperam dias agradáveis, noites frescas. Quando chega calor como este — 35 graus em Paris, 36 a 38 em Espanha — e quando as noites não arrefecem, quando dormem com 25 graus dentro de casa, isso quebra completamente as expectativas. É fora de época.
E a cúpula de alta pressão — como é que funciona?
É uma bolha de ar quente que se instalou sobre a Europa. Vem do norte de África, traz ar tropical, e fica ali presa, sem se mover. Não há vento que a afaste. Quanto mais tempo fica, mais quente fica tudo.
Porque é que as noites são tão importantes neste contexto?
Porque é quando o corpo descansa e arrefece. Se a noite não arrefece — se em Paris está 25 graus à 1 da manhã — as pessoas não conseguem recuperar do calor do dia. Acumula-se. É por isso que as autoridades de saúde estão preocupadas.
Quem está em maior risco?
As populações vulneráveis. Idosos, pessoas com problemas de saúde, quem não tem ar condicionado. Por isso é que há alertas laranja em vários países — é um aviso para que as pessoas tomem precauções.
Quando é que isto acaba?
As previsões indicam que o calor será prolongado até ao final de maio. Há um breve alívio quarta e quinta-feira, mas depois volta. Não há indicação de que a cúpula de alta pressão se vá deslocar em breve.
Isto é normal?
Não. Não é normal uma onda de calor em maio com estas características. É por isso que os meteorologistas a chamam histórica.