EUA taxam tomate mexicano e reabre 'guerra' comercial de 27 anos

Proprietários de restaurantes e pequenos negócios enfrentam risco de falência; centenas de produtores de tomate americanos foram forçados a sair do negócio desde 1994.
Eu dou três meses e depois vamos à falência
Proprietária de restaurante na Califórnia sobre o impacto das novas tarifas de tomate.

Por quase três décadas, um acordo silencioso manteve a paz entre produtores de tomate mexicanos e americanos — mas essa trégua chegou ao fim. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos encerrou o pacto antidumping de 27 anos com o México, impondo uma tarifa de 17,09% sobre tomates frescos que abastecem 90% do mercado americano. A decisão, alinhada à política comercial do presidente Trump, transforma uma dependência econômica em vulnerabilidade, e o tomate — humilde e cotidiano — torna-se o rosto mais visível de uma guerra comercial muito maior.

  • Uma tarifa de 17,09% foi imposta sobre tomates mexicanos após o encerramento de um acordo que durou 27 anos, abalando uma cadeia de abastecimento que move mais de US$ 3 bilhões por ano.
  • Com 90% dos tomates americanos vindos do México, a medida ameaça elevar os preços ao consumidor em até 10% e reduzir a demanda em 5%, segundo especialistas em agronegócio.
  • Restaurantes e pequenos negócios estão na linha de frente: a proprietária Teresa Razo estima que dará apenas três meses antes de ir à falência caso os preços subam como previsto.
  • Mais de 30 câmaras de comércio enviaram carta ao governo pedindo negociação de um novo acordo, alertando para impactos em logística, varejo, agricultura e restaurantes em todo o país.
  • Produtores mexicanos já planejam reduzir plantios, e as exportações para os EUA devem cair 5% em 2025, sinalizando uma reconfiguração duradoura do mercado.

O tomate mexicano tornou-se o símbolo mais cotidiano da guerra comercial de Trump. Esta semana, o Departamento de Comércio dos EUA decidiu não renovar um acordo de 27 anos que mantinha suspensa uma investigação antidumping sobre tomates frescos do México. A consequência imediata é uma tarifa de 17,09% — aplicada sobre um produto que representa quase 90% de toda a oferta de tomate nos supermercados americanos.

A tensão tem raízes em 1996, quando produtores da Flórida acusaram concorrentes mexicanos de inundar o mercado com preços artificialmente baixos. O acordo firmado então foi renovado cinco vezes, mas sempre carregou uma cláusula de saída. O secretário Howard Lutnick a acionou agora, declarando que agricultores americanos sofreram por práticas desleais por tempo demais.

Os números revelam a profundidade da dependência: em 2024, os EUA importaram US$ 3,234 bilhões em tomates mexicanos, 86% de todas as importações do produto. Especialistas estimam alta de 10% nos preços ao consumidor e queda de 5% na demanda. Para restaurantes como os de Teresa Razo, no sul da Califórnia, a margem é mínima — ela calcula três meses antes da falência se os preços subirem.

A indústria americana já foi duramente atingida desde o NAFTA, em 1994, com a Flórida perdendo metade de seus produtores. Agora, com a produção mexicana prevista para cair 3% em 2025 por conta de secas, e as exportações para os EUA devendo recuar 5%, o mercado enfrenta uma reconfiguração estrutural. Um grupo de mais de 30 câmaras de comércio pede ao governo que negocie um novo acordo, alertando para repercussões em toda a cadeia — da lavoura ao restaurante.

O tomate mexicano acaba de se tornar peça central numa disputa comercial que remonta a 1996. Esta semana, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos decidiu não renovar um acordo de 27 anos que havia mantido congelada uma investigação sobre práticas de dumping — a venda de produtos a preços artificialmente baixos. A consequência é imediata: uma tarifa de 17,09% sobre tomates frescos do México, um vegetal que representa quase 90% de toda a oferta de tomate nos supermercados americanos.

O tomate é apenas um dano colateral da guerra comercial mais ampla declarada pelo presidente Trump, mas talvez o mais visível. Em 2024, os Estados Unidos importaram tomates mexicanos no valor de US$ 3,234 bilhões, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. O México respondeu por 86% de todas as importações de tomate do país, deixando o mercado americano profundamente dependente da produção mexicana. Agora, essa dependência se torna vulnerabilidade.

A história dessa tensão começa em 1996, quando produtores de tomate da Flórida se queixaram a um tribunal comercial que seus vizinhos mexicanos estavam inundando o mercado doméstico com preços que não refletiam custos reais de produção. Um acordo foi selado: os mexicanos se comprometeram a manter preços mais justos, e em troca, a investigação antidumping seria suspensa. Esse pacto foi renovado cinco vezes — em 2002, 2008, 2013 e 2019. Na última renovação, em 2019, os signatários mexicanos concordaram em eliminar pelo menos 85% do dumping detectado e vender apenas a preços mínimos estabelecidos ou acima deles.

Mas o acordo tinha uma cláusula de saída: o Departamento de Comércio poderia se retirar com 90 dias de aviso prévio. Essa semana, acionou essa cláusula. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, justificou a decisão dizendo que os agricultores americanos foram prejudicados por práticas comerciais desleais por muito tempo. "Isso termina hoje", afirmou, alinhando a medida com a abordagem comercial do presidente Trump.

Os efeitos econômicos podem ser severos. Timothy Richards, professor de agronegócio da Universidade Estadual do Arizona, estimou que os preços do tomate ao consumidor podem subir cerca de 10%, enquanto a demanda pode cair 5%. Para restaurantes e varejistas, a conta será pesada. Teresa Razo, proprietária de dois restaurantes argentino-italianos no sul da Califórnia, foi direto: se os preços subirem, ela dá três meses antes de ir à falência.

A indústria de tomate americana já foi devastada pela concorrência mexicana. Desde 1994, quando o NAFTA entrou em vigor, a indústria da Flórida foi reduzida à metade, com centenas de produtores forçados a sair do negócio. O problema se agravou a partir de 2006, quando produtores mexicanos começaram a aumentar a produção nos meses de verão e outono, alimentados por subsídios do governo mexicano. O que era um problema sazonal para a Flórida se tornou uma crise nacional para toda a indústria de tomate dos EUA.

Para 2025, as projeções são de redução. A produção de tomate do México está prevista em 3,1 milhões de toneladas métricas, uma queda de 3% em relação ao ano anterior, devido à seca nas principais áreas de produção. As exportações para os EUA devem cair 5%, para 1,83 milhões de toneladas métricas, conforme produtores e exportadores se ajustam às novas tarifas. Ainda assim, há esperança de negociação. Um grupo de mais de 30 câmaras de comércio e organizações de comércio transfronteiriço enviou uma carta ao Departamento de Comércio em julho, pedindo que o governo negocie um novo acordo em vez de se retirar completamente. Eles alertaram que a rescisão do acordo terá "repercussões generalizadas na economia dos EUA, afetando as indústrias de agricultura, armazenamento, logística, mercearia e restaurantes". O tomate, aparentemente, é muito mais que um vegetal.

O México continua sendo um dos nossos melhores aliados, mas por muito tempo nossos agricultores foram afetados por práticas comerciais desleais que reduzem os preços de produtos como o tomate. Isso termina hoje.
— Howard Lutnick, secretário de Comércio dos EUA
Eu dou três meses e depois vamos à falência
— Teresa Razo, proprietária de restaurantes argentino-italianos na Califórnia
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o Departamento de Comércio decidiu agora, neste momento, encerrar um acordo que funcionava há 27 anos?

Model

Porque a administração Trump viu uma abertura. O acordo tinha uma cláusula de saída, e o Departamento a acionou. Não foi uma decisão impulsiva — foi uma escolha deliberada de usar um mecanismo que já existia para reabrir uma investigação que estava congelada.

Inventor

Mas o México estava cumprindo os termos do acordo de 2019?

Model

Formalmente, sim. Eles concordaram em manter preços mínimos e eliminar 85% do dumping. Mas a questão é mais profunda: a indústria de tomate americana foi dizimada desde 1994. Centenas de produtores saíram do negócio. Para os formuladores de política, isso era uma ferida aberta.

Inventor

E agora, quem sofre?

Model

Todos. O consumidor americano vai pagar mais pelo tomate — talvez 10% a mais. Restaurantes e varejistas enfrentam margens apertadas. Produtores mexicanos vão reduzir plantios. E ironicamente, os produtores de tomate americanos que a medida pretendia proteger podem não se beneficiar muito, porque a indústria deles já foi destruída.

Inventor

Há alguma saída?

Model

Há negociação em andamento. Câmaras de comércio estão pedindo ao governo para negociar um novo acordo em vez de deixar a investigação antidumping prosseguir. Mas o timing é complicado — estamos no meio de uma guerra comercial mais ampla com o México.

Inventor

O que acontece se nenhum novo acordo for fechado?

Model

A investigação antidumping continua, e as tarifas podem se tornar permanentes. Os produtores mexicanos já estão planejando reduzir plantios. É um cenário de perda para ambos os lados.

Quieres la nota completa? Lee el original en InfoMoney ↗
Contáctanos FAQ