EUA recusam renovação do USMCA e iniciam contagem de 10 anos para extinção gradual

Hoje não é um prazo final, mas o relógio está marcando
A presidente mexicana sinaliza flexibilidade, mas a realidade das tarifas já impostas cria urgência nas negociações.

Em um momento que redefine as bases do comércio continental, o governo Trump recusou renovar o USMCA em sua forma atual, abrindo uma década de negociações que determinará o futuro econômico da América do Norte. A decisão não encerra o acordo — mantido até 2036 — mas transforma o tempo em instrumento de pressão, forçando México e Canadá a negociar mudanças que os Estados Unidos exigem para proteger sua indústria manufatureira. É o velho dilema entre integração e soberania econômica, agora com um relógio visível para todos.

  • Washington bloqueou a renovação automática do USMCA, sinalizando que não aceitará o status quo comercial com seus vizinhos do norte e do sul.
  • As tarifas já impostas — 25% sobre automóveis, 50% sobre metais canadenses — funcionam como pressão paralela, tornando a inação custosa para México e Canadá.
  • Os EUA exigem elevar o conteúdo norte-americano em veículos de 72% para 82%, uma mudança que abalaria toda a cadeia automotiva continental.
  • Canadá e México adotam postura cautelosa, evitando tratar a decisão como ultimato e ressaltando que o acordo pode ser renovado a qualquer momento nos próximos dez anos.
  • O cenário que nenhum país quer — expiração do USMCA e retorno às regras da OMC — é exatamente o que Trump usa como alavanca nas negociações.

O governo Trump recusou renovar o Acordo EUA-México-Canadá em sua forma atual, dando início a uma contagem regressiva de dez anos que pode levar ao fim gradual do principal tratado comercial da América do Norte. A decisão, anunciada após a revisão obrigatória de seis anos do USMCA, mantém o acordo vigente até 2036, mas abre um período de negociações intensas em que qualquer país pode tentar reformular os termos — ou deixar o pacto expirar.

O representante comercial americano Jamieson Greer foi direto: os EUA não renovarão o tratado sem mudanças significativas. A administração argumenta que o acordo atual não corrige os déficits comerciais com México e Canadá nem protege adequadamente a manufatura doméstica. Rodadas bilaterais com o México estão agendadas para julho, na Cidade do México, com foco nas regras de origem para automóveis — os americanos querem elevar o conteúdo norte-americano em veículos de 72% para 82%, uma exigência que afetaria profundamente toda a cadeia automotiva continental.

Canadá e México reagiram com cautela calculada. O ministro canadense Dominic LeBlanc destacou que o USMCA permanece plenamente em vigor e pode ser renovado a qualquer momento. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum foi na mesma direção: 'Hoje não é um prazo final. Se em cinco meses ou três anos as partes decidirem prorrogar, a prorrogação poderá ocorrer.' Ainda assim, ambos os países enfrentam pressões reais — as tarifas já impostas por Trump sobre automóveis, metais e madeira criam incentivos concretos para negociar.

O que se desenha é uma incerteza controlada. O acordo não desaparece, mas sua renovação automática foi bloqueada. Se os três países não chegarem a um entendimento sobre mudanças, o USMCA simplesmente expirará, revertendo o comércio norte-americano às regras da OMC — um desfecho que nenhum dos três deseja. É essa ameaça compartilhada que coloca México e Canadá em posição defensiva, enquanto Trump usa o calendário como principal ferramenta de negociação.

O governo Trump recusou-se, nesta quarta-feira, a renovar o Acordo EUA-México-Canadá em sua forma atual, marcando o início de uma contagem regressiva de dez anos que pode levar ao fim gradual do tratado comercial que une a América do Norte. A decisão, anunciada após uma revisão obrigatória de seis anos do USMCA, mantém o acordo operacional até 2036, mas abre um período de negociações intensas onde qualquer um dos três países pode tentar reformular os termos ou deixar que o pacto expire.

Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, deixou clara a posição americana em comunicado: os Estados Unidos não aceitarão renovar o tratado sem mudanças significativas. A administração Trump argumenta que o acordo atual não resolve os déficits comerciais persistentes com o México e o Canadá, nem protege adequadamente a indústria manufatureira americana. O governo planeja usar os próximos dez anos para pressionar por alterações que tragam de volta empregos para o setor industrial doméstico.

As negociações já começam a tomar forma. Greer confirmou que rodadas bilaterais com o México estão agendadas para a semana de 20 de julho, na Cidade do México, onde os americanos focarão em fortalecer as regras de origem para automóveis e outros bens industriais. Uma das exigências principais é elevar o conteúdo norte-americano em veículos fabricados na região de 72% para 82%, uma mudança que afetaria profundamente a cadeia de suprimentos automotiva continental. Os EUA também buscam reforçar disposições sobre segurança econômica para impedir que terceiros países se beneficiem do acesso concedido pelo USMCA.

O Canadá e o México, por sua vez, adotam uma postura mais cautelosa. Dominic LeBlanc, ministro canadense de comércio, afirmou que o USMCA permanece plenamente em vigor e pode ser renovado a qualquer momento pelos próximos 16 anos, sinalizando que Ottawa não vê a decisão americana como um ultimato. O Canadá, porém, enfrenta suas próprias pressões: Trump já impôs tarifas de 25% sobre automóveis canadenses, 50% sobre metais e 10% sobre madeira serrada, criando incentivos para negociar. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum adotou tom semelhante, declarando que a próxima década oferece múltiplas janelas para renovação. "Hoje não é um prazo final", disse ela em sua coletiva diária. "Se em cinco meses ou três anos as partes disserem que podem prorrogar por mais 16 anos, a prorrogação poderá ocorrer."

A decisão americana não surpreendeu observadores. Trump já havia sinalizado sua insatisfação com o USMCA desde sua campanha, apesar de ter lançado o acordo em 2020 como "o melhor que já fizemos". Sua administração atual vê o tratado como insuficiente para proteger trabalhadores americanos e reequilibrar fluxos comerciais. As tarifas já impostas — 25% sobre automóveis mexicanos e canadenses, além das alíquotas sobre metais e madeira — funcionam como pressão paralela nas negociações.

O que se desenha agora é um período de incerteza controlada. O acordo não desaparece amanhã, mas sua renovação automática foi bloqueada. Os três países têm uma década para negociar mudanças, com revisões anuais obrigatórias antes de 2036. Se não chegarem a um acordo sobre alterações, o USMCA simplesmente expirará, revertendo o comércio norte-americano para regras da Organização Mundial do Comércio — um cenário que nenhum dos três países deseja. Essa dinâmica coloca o México e o Canadá em posição defensiva, enquanto Trump usa o relógio como ferramenta de negociação.

Os Estados Unidos não concordaram em renovar o USMCA em sua forma atual. Os Estados Unidos continuarão a dialogar com o México e o Canadá para resolver as deficiências do acordo
— Jamieson Greer, representante comercial dos EUA
Hoje não é um prazo final. Se em cinco meses ou três anos as partes disserem que podem prorrogar por mais 16 anos, a prorrogação poderá ocorrer
— Claudia Sheinbaum, presidente do México
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Por que Trump recusa renovar um acordo que ele mesmo criou em 2020?

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Porque as prioridades mudaram. Em 2020, o acordo era novo e representava uma vitória política. Agora, Trump vê déficits comerciais que não diminuíram e uma indústria manufatureira que, em sua visão, continua vulnerável. Ele quer usar a ameaça de expiração como alavanca para extrair concessões maiores.

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Qual é o risco real para o México e o Canadá?

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O risco é que, sem renovação, em 2036 eles voltam a negociar do zero sob regras da OMC, que são menos favoráveis. Mas há também risco imediato: as tarifas que Trump já impôs — 25% sobre automóveis, 50% sobre metais — já estão machucando. Eles precisam negociar agora ou sofrer mais.

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As exigências americanas são razoáveis?

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Depende do ponto de vista. Elevar conteúdo norte-americano de 72% para 82% em automóveis é uma mudança estrutural que afeta toda a cadeia de suprimentos. Para fabricantes que construíram operações baseadas nas regras atuais, é disruptivo. Para Trump, é proteção necessária.

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O Canadá e o México podem simplesmente recusar?

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Tecnicamente sim, mas o custo seria alto. Sem renovação em 2036, eles perdem acesso preferencial ao mercado americano. Com as tarifas já em vigor, recusar negociar agora significaria sofrer mais pressão nos próximos dez anos.

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Então a renovação é inevitável?

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Não inevitável, mas provável. A questão é em que termos. Trump quer mudanças estruturais. México e Canadá querem manter o essencial do acordo. O próximo ano de negociações dirá muito sobre onde está o ponto de equilíbrio.

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